Ser mãe: incomparável privilégio

“Seus filhos a respeitam e dela falam bem…” Provérbios 31:28a

Mais uma vez estamos a poucos dias da data comemorativa que mais mexe com as emoções das pessoas em geral, o Dia das Mães.

Uma infinidade de frases, poemas, letras de músicas que tocam no profundo da alma, saem do fundo dos baús ou saltam diretamente das telas dos computadores, com um único destino: o coração de uma mãe.

Mães essas, de todas as idades. De anciãs, mulheres idosas, hoje, graças ao avanço da medicina, no auge da vitalidade física e mental, às cada dia mais jovens, e eu diria, jovens demais, prematuras meninas que na verdade, necessitavam mesmo era estar brincando um pouco mais com suas bonecas.

O Dia das Mães chega sempre carregado de doces e antigas lembranças. Aquele cartãozinho em forma de coração com letrinhas mal escritas, mas que tocaram o coração “Mamãe eu te amo”, da época do Grupo Escolar. Ou aquele artesanato caprichado, do tipo ‘feito por mim’, e às escondidas. Ou talvez, ainda, aquela foto de adulta, maquiada, ou vestida de marinheiro ou cowboy, num porta-retrato simplesinho…

A verdade é que essas lembranças abalam as estruturas de filhas de ontem, mães de hoje. É o meu caso.

Vou compartilhar algo com vocês.

Como, acredito, a grande maioria das mulheres, eu também sonhava em ser mãe. Deus me concedeu esse privilégio, essa permissão especial e única, na vida de uma mulher. Quando engravidei, tinha outro sonho, um desejo muito grande de registrar todos os dias de vida daquele projeto de gente que estava dentro de mim. A verdade é que não é tão simples assim. Até escrevia muitas coisas e guardava. Mas um Diário mesmo, só veio a existir um pouco mais tarde.

Certo dia, ganhei de presente, um desses cadernos de capa dura. Lindo com muitas ilustrações super delicadas. Na capa, os dizeres: Para Mamãe. Para recordações, momentos especiais, planejamento da casa. Além de muitas singelas figuras, cinqüenta frases, pensamentos sobre mãe, tornavam o caderninho encantador. De Sófocles, a  Henfil, passando por Vinícius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Sophia Loren, João Paulo I, sem faltar Eclesiastes e os famosos Autores Desconhecidos, muitos pensamentos, me inspiraram a dar início ao meu sonhado Diário. Graças a Deus, conseguimos comprar mais três iguaiszinhos que se somaram ao primeiro para registrarem no período de pouco mais de três anos até quase nove, muitas das experiências da infância do nosso filho.  Ele chamava de “meu livrinho” e muitas vezes, ao longo desses anos, meu perguntou: –– “Mamãe, você já escreveu isso no meu livrinho?” Na maioria das vezes, algo relacionado com suas “experienciazinhas” pessoais com Deus. Como no dia em que aceitou a Jesus como seu Salvador, aos três anos e meio.

Quando aprendeu a ler, um dia me pediu pra ler os pensamentos do “seu livro” e logo no primeiro fez uma cara de muito bravo e disse: Não gostei. Isso é mentira! Era um provérbio judaico que dizia: –– “Como não podia estar em toda parte ao mesmo tempo, Deus criou as Mães.” Achei engraçado toda aquela braveza, mas confesso que agradeci a Deus por isso.

Hoje, tantos anos depois, fiquei aqui refletindo sobre o que, exatamente, levou alguém a escrever sobre a “onipresença” da mãe.

Com tristeza, constatamos que não é bem assim. A ausência de muitas mães ao longo do desenvolvimento dos filhos é algo real e bastante comum nos dias de hoje. Mães ausentes fisicamente e mães presentes só fisicamente. Não é raro nas minhas caminhadas, encontrar mães empurrando seus carrinhos de bebês, ou caminhando com eles, às vezes, totalmente soltos, a alguns metros atrás delas, falando ao celular, ouvindo algo nos seus fones de ouvido, ou simplesmente absorta em seus pensamentos, sem dar a menor atenção aos seus pequeninos, que nos seus minúsculos passinhos, correm tentando acompanhá-la. Vêm-me lágrimas aos olhos quando alguns olham para mim e correspondem ao meu sorriso ou aceno.

Os autores do livro “As cinco linguagens do amor – das crianças” Gary Chapman e Ross Campbell reforçam a importância da qualidade de tempo na formação e desenvolvimento da criança. Segundo eles, qualidade de tempo deve incluir contatos visuais ternos e prazerosos. Olhar nos olhos de seu filho, com carinho, é um poderoso meio para conduzir amor de seu coração para o coração dele, garantem os autores.

Muito se tem discutido e se divergido sobre o assunto ‘tempo’ na vida dos filhos hoje.

Muitas vezes a confusão acontece em relação à qualidade e quantidade de tempo e recorrendo ao dicionário encontramos como uma das definições de qualidade, a propriedade, o atributo ou condição das coisas ou das pessoas, capaz de distingui-las das outras, ou seja, o quanto fazemos valer o tempo que passamos com nossos filhos é o que o faz ser importante pra vida deles. Quando não perdemos o foco principal que é a formação e a felicidade e bem estar deles, podemos dizer que mesmo não sendo muito, como gostaríamos que fosse, o tempo que temos com nossos filhos, temos um tempo de qualidade, que, com toda certeza, fará a diferença em toda a vida deles.

Em nome da vida corrida que muitas mulheres tem hoje, a dupla jornada, tenta-se justificar a ausência da mãe na vida dos filhos. E eu pergunto: como era a rotina da mulher dos séculos passados? Na grande maioria, com um número de filhos bem maior, atividades dentro e fora de casa, ajudando o marido no campo e sem nenhum dos eletrodomésticos, (pra não dizer eletricidade) de hoje.

Em todas as épocas existiram mães presentes e mães ausentes.

Em todos os tempos existiram e existirão filhos que se levantarão para elogiar suas mães e lhe chamarem de venturosas.

Mães que jamais perdem de vista os valores indispensáveis para a formação saudável e feliz de seus filhos, e, muitas vezes, esquecendo de si mesmas continuarão dando o melhor de si para proporcionar a eles a oportunidade de crescer e atingir a estatura segundo os padrões do próprio Deus.

Tenho louvado a Deus pela vida de muitas mães que conheço.

Há poucos dias, em trabalho da igreja, estive na casa de amigos e agradeci a Deus ao ver pela manhãzinha, na segunda feira, após um final de semana muito  cansativo, minha amiga, mãe, esposa de pastor, sentada à mesa, com seus dois filhos pré-adolescentes, prontos pra saírem pro colégio, estudando o livro de Provérbios e orando.

Deus não criou as mães pra O substituírem, mas na Sua sabedoria e bondade permitiu que participássemos da mais sublime das tarefas humanas, a de mostrar, com Ele, o caminho que escolheu para os nossos filhos.

Gostaria de lhe deixar agora a letra dessa música da Cristina Mel. É possível que você já a conheça e até que, como eu, já chorou muito ao meditar nela.

Eu queria o tempo parar.

De novo lhe fazer ninar.

Crescer e mudar, não dá pra evitar

É o caminho que Deus lhe traçou.

Brinquedos, gibis, violão

Espalhados por todo lugar

Um dia a poeira eu irei tirar

No silêncio de não te encontrar.

Vou guardá-lo em meu coração

As lembranças jamais mudarão

Pois quando partir e saudades sentir

Estará sempre em meu coração.

Os dentinhos você vai trocar

E roupas maiores usar

O seu caminhar vai pra longe o levar

Pois não posso impedir seu querer.

Os dedinhos que agarram minha mão

Coisas grandes eu sei que farão

Você não é meu é um presente de Deus

E o futuro está em Suas mãos.

Pois quando partir e saudades sentir

Estará sempre em meu coração…

“Feliz   Dia   das   Mães”

                                                                                     Dsa. Marta Olívia O. Santos