Meu filho se corta, e agora?

Num dia de sol, aproximadamente 28 graus, ao sair do quarto a mãe observa que a filha está usando uma blusa de mangas compridas. Espantada ela pergunta o porquê da vestimenta e a filha lhe responde que apenas sentiu vontade de usar aquela blusa. Mais tarde, quando limpava o quarto da filha, a mãe encontra uma pequena lâmina, como se já tivesse a certeza do que imaginava. Corre até a filha e num ato de desespero arregaça as mangas da blusa e lhe vem a triste confirmação: sua filha estava se cortando. E agora?

A história do parágrafo anterior é ficcional, mas acredite, em muitos lares essa e outras situações são tristes realidades. A automutilação é um comportamento frequentemente encontrado em pessoas no período da adolescência, entre 12 e 20 anos. Essa autoagressão ocorre muitas vezes pela necessidade de se aliviar de angústias que não cessam quando transmitidas em palavras; pode ser também uma forma de chamar atenção ou de pertencer a um grupo. A adolescência é um período em que ocorrem muitas mudanças, não somente físicas mas mentais. Em alguns adolescentes essas transformações podem não ser compreendidas, acarretando problemas físicos e/ou psicológicos. Então, na tentativa de transferir esse desconforto emocional para outro local, o corpo é visto como um “campo a ser explorado” através de cortes, queimaduras, arranhões, beliscões, puxões de cabelo, entre outros.

Nos últimos anos, é crescente o número de jovens com intolerância à frustração. Cada vez mais imersos nas tecnologias, fazendo menos uso da linguagem oral, usuários de sistemas que oferecem instantaneidade e descartabilidade. Muitas vezes ficam isolados e tornam uma fase da vida que é complicada mais difícil ainda; acreditam que sua dor é forte demais para suportar, que ninguém pode ajudá-lo, tornam-se o seu próprio conselheiro, por vezes, o próprio destruidor.

Mãe, se o seu filho é um adolescente, essa é a fase que você mais precisará ter paciência. Atitudes como a do primeiro parágrafo desse texto são típicas de adolescentes que querem esconder seus cortes, se você se deparar com tais situações ou descobrir que seu filho se automutila, acalme-se, o seu desespero não contribuirá em nada. Tente ouví-lo, crie uma oportunidade e sente-se para conversar, cative a confiança do seu filho para que ele tenha a liberdade de te contar suas dificuldades. Procure ajuda psicológica, esses profissionais irão ajudar na compreensão das diferentes fases da vida. Ore ao nosso Deus, peça sabedoria Àquele que sabe todas as coisas e sabe das dificuldades e angustias de todos nós. Ele é poderoso para transformar mentes e curar feridas, qualquer ferida, até mesmo as propositais!

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Por: Simone Carvalho Baldi, estudante de Psicologia, congrega na segunda Igreja Adventista da Promessa em Jales-SP