Empoderamento e resiliência, a grande dupla do Evangelho.

Para os estudiosos da sociologia e, mais especificamente da cidadania, a palavra empoderamento significa o desenvolvimento da capacidade de conscientização sobre os direitos que uma pessoa tem como integrante de uma sociedade seja qual for a sua condição de faixa etária, gênero, estado de saúde, remuneração, formação escolar, etc. Um princípio fundamental para o exercício de justiça social.

Dessa forma, a pessoa conscientizada adquire poder, governança, sobre sua própria vida, autonomia, não aceitando mais abusos nem opressão, e posiciona-se de forma a combatê-los e detê-los em sua vida, tendo por princípio, o direto à expressão e ao diálogo social junto aos demais. Contudo, na cultura pós-moderna, a palavra vem sendo usada de forma associada a movimentos extremistas, radicais, que mais do que reivindicar direitos, criam novos preconceitos contra aqueles considerados seus opressores e partem para a intransigência de comunicação e imposição de fala, contrária ao próprio princípio do diálogo e reproduzindo uma nova opressão.

Consequentemente deforma-se o entendimento de resiliência, como capacidade de vencer obstáculos, dificuldades, e superar situações opressoras e traumatizantes; deformando-a em uma resistência combativa e competitiva ao opositor, que é outra forma de injustiça. Por isso, no meio cristão, a palavra empoderamento não é bem vinda, sobretudo na relação de gênero, devido aos movimentos feministas mais extremados, que incitam o ódio ao homem e falas por parte das mulheres de que não precisam de homens nem para procriar, por exemplo.

É fato que o meio cristão ainda apresenta herança histórica mundana, machista, distanciada da realidade bíblica de igualdade de gênero no que diz respeito à imagem e semelhança de Deus, e de reconhecimento das devidas diferenças bio-psíquicas, entre homens e mulheres, como proposta de unidade na diversidade para enriquecimento da vida, uma vez que não há superiores nem inferiores e, sim, diferentes que se desenvolvem na interação construtiva. Homens e mulheres cristãos precisam entender que o empoderamento a que Deus nos convida em Cristo, por meio da cruz e de Seu exemplo de comportamento é, exatamente, o de abrir mão do poder humano, opressor e dominador, que desmerece, inferioriza e abusa de outros.

O convite divino é o de entendermos que o único e verdadeiro poder é o do amor incondicional, que se trata de um elevado grau de conscientização moral e ética, possíveis de serem aprendidos e incorporados em atitudes de vida somente na jornada íntima com o Espírito Santo, pela santificação. Daí sim a verdadeira resiliência emerge da capacidade de vencer o pecado e desenvolver recursos internos, emocionais – a verdadeira autonomia – para evita-lo, e essa é a única possibilidade de justiça social e verdadeira liberdade.

Por: Paula Coatti – teóloga e doutora em Psicologia, autora do livro Discipulado entre Mulheres