13 Reasons why: o suicídio como saída para os problemas dos jovens.

“Vou contar a história da minha vida. Mais especificamente porque minha vida terminou” Hannah Baker

“O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.”  João 10:10

Lançada em 31 de março de 2017 para a televisão estadunidense, a série “13 Reasons Why” é transmitida no Brasil pela Netflix com o título “Os 13 Porquês”. Ao longo de 13 episódios são construídas as motivações que levaram uma adolescente chamada Hannah Baker ao suicídio. Pouco antes de morrer, Hannah grava áudios em 07 fitas atribuindo as motivações para sua trágica atitude  a 12 colegas de classe e ao conselheiro da escola Liberty Hight School.

Essa obra de ficção dialoga com o real apresentando dilemas conhecidos do público adolescente como: bullying nas escolas, abuso de drogas, assédio sexual, preconceito, homossexualidade, machismo, invasão de privacidade, mídias sociais, o imperativo do sucesso, depressão, solidão, culpa, acesso às armas de fogo, relações amorosas, experiências sexuais e até estupro – como o que Hannah sofre por um colega de escola em uma festa.

Contudo, apontar a saída para esses dilemas pela via do suicídio é a grande polêmica desta série que, de saída, contraria a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para não veicular o suicídio na mídia em geral, pois é de conhecimento público, que tudo o que envolve a divulgação do suicídio encoraja suicidas reais.

Ao abordar um tema tão complexo em apenas 13 razões, a série recebeu muitas críticas nas redes sociais, jornais e revistas. A advogada e mestre em direitos humanos Gabriela Cunha Ferraz afirma que essa série não é para adolescentes! Para Gabriela, a série mexe com sentimentos profundos dos jovens e consequências perigosas podem ocorrer entre os que se identificam com os personagens. Para a autora, a cena do suicídio é forte e desnecessária.

O portal de notícias UOL também veicula várias matérias que envolvem o tema, destacando o último viral que incentivaria os jovens ao suicídio denominado jogo da “Baleia Azul”. Independente do alcance real desse jogo e dos supostos efeitos da série, alguns psicólogos entrevistados pelo UOL afirmam que o tema do suicídio deve ser levado a sério pela família, escola e comunidade, buscando ajuda profissional ao observar sinais de depressão como: isolamento, agressividade, mudança de comportamento, recusa em mostrar o celular, uso de roupas com mangas compridas em dias de calor, queda no rendimento escolar, mudanças no padrão de sono, mudança de apetite e cortes pelo corpo.

No cenário comovente da série, vale lembrar que as músicas tocadas apresentam conteúdos depressivos na maioria das letras, incluindo cantores que realmente suicidaram-se como Ian Curtis, da antiga banda Joy Division.

Com um livro dedicado ao estudo do suicídio, o ensaísta inglês A. Alvarez pontua que algumas das pessoas com disposição para o suicídio nutrem a esperança de encontrar alguém compreensivo o bastante para estender a mão e ajudar a encontrar todo auxílio que a situação pede, como a busca de um psicólogo que indicará terapia ou um médico especialista. Também aponta para a existência de grupos organizados para oferecer apoio emocional, como os centros de valorização à vida (CVVs) que atendem pessoas gratuitamente por meio de telefone 141 e também pela internet.

O cientista social Émile Durkheim em sua obra “O suicídio”, afirma que a formação de laços sociais protegem os indivíduos daquilo que o autor chama de “correntes suicidógenas” que nada mais são do que fatores de não inclusão em grupos sociais. Um desses fatores é a ausência da força moral reguladora dos meios que afetam diretamente o indivíduo como educação, emprego, acesso aos bens básicos de sobrevivência (alimentação, moradia e saúde) entre outros. A sociedade é local da formação de laços de solidariedade que mantém o indivíduo integrado ao tecido social.  Outros fatores envolvem sentimentos coletivos e valores em comum, dentre os quais podem ser destacados: respeito, amizade, empatia, solidariedade, cuidados com a saúde, amor, família entre outros. Inclusive o autor utiliza dados estatísticos que apontam para o fator protetivo da família.

Nesse sentido, a Igreja como extensão natural da família e pregadora de valores associados à vida em Cristo, possui um importante papel a desempenhar entre seus membros, através dos grupos de evangelismo, pequenos grupos e departamentos sociais. A palavra de Deus nos ensina em João 10:10 que Cristo veio para nos dar vida abundante, o que envolve amor, graça e paz. Como embaixadores de Cristo na Terra devemos estar prontos para espalhar essa mensagem de vida e esperança para todos aqueles que podem ser vítimas dessas sutis armas de morte que envolvem filmes, músicas, seriados de TV, jogos, etc. Se a sociedade está corrompida a igreja deve representar um local de acolhimento onde os valores cristãos podem representar a diferença entre a vida e a morte.

Por: Lilian Victorino doutora em sociologia pela Universidade de São Paulo/USP. Congrega na IAP Vila Maria.

 

Bibliografia e sites consultados

 

ALVAREZ, A. O deus selvagem: um estudo do suicídio. Tradução de Sonia Moreira. São Paulo: Companhia das Letras (1999).

Bíblia on line. https://www.bibliaonline.com.br/. Acesso em 21/04/17.

Centro de Valoriação da Vida – CVV.  http://www.cvv.org.br/ Acesso em 21/04/2017.

DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. Tradução de Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Internet Movie Data Base. http://www.imdb.com/title/tt1837492/?ref_=nv_sr_1. Acesso em 20 de abril de 2017.

Revista Carta Capital. Disponível em http://justificando.cartacapital.com.br/2017/04/11/13-reasons-why-me-fez-refletir-para-questoes-alem-do-suicidio/. Acesso em 15 de abril de 2017.

Revista Saúde Global. https://saudeglobal.org/2017/04/13/13-reasons-why-o-tratamento-do-suicidio-pela-midia-e-a-saude-de-todos-nos-de-camila-sousa/. Acesso em 19 de abril de 2017.

UOL. https://busca.uol.com.br/result.html?term=Baleia%20Azu&searchon=uol&type=all. Acesso em 21 de abril de 2017.

 

 

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