Uma casa para o Altíssimo

Deus quer nosso coração para morar

 

“Assim diz o Senhor: O céu é o meu trono, e a Terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso?”  (Isaías 66:1)

A palavra de Deus nos deixa registrado quão grande é o nosso Deus, ao nos relatar que o Senhor usa o céu como seu trono e a terra com estrado dos seus pés, isto é, como um lugar de descanso para seus pés. E logo em seguida, o próprio Deus nos questiona dizendo: “Que casa vocês farão para mim?”

O Senhor nosso Deus sempre teve um cuidado em preparar um local adequado para que os cultos de adoração ao nome dele fossem realizados. Tudo começou lá no jardim do Éden, onde Deus falava todos os dias, pessoalmente, com Adão e Eva. O local de culto, o templo de Deus era o próprio jardim. Tudo que havia ali manifestava a glória de Deus, portanto não havia a necessidade de se ter um local específico. Ali, Adão, Eva e todos os seres vivente engrandeciam o nome de Deus e o adoravam na beleza da sua santidade. Porém, como todos já conhecem a história, o pecado entrou na natureza do ser humano e o homem acabou se distanciando de Deus. Agora, portanto, era necessário um local para prestarem culto ao Rei dos reis.

Com o passar dos anos, Deus ordenou a Moisés que construísse uma arca de madeira e a revestisse de ouro, pois aquela arca passaria a representar a presença de Deus. Por onde quer que o povo andasse, a arca deveria sempre estar à frente e sempre ser carregada pelos levitas. A arca era símbolo de que Deus estaria sempre com aquele povo e, que desta forma, nenhum mau poderia acontecer com eles. As guerras sempre vinham, mas Deus sempre esteve à frente de seu povo e os livrou. Porém, vamos ver em 1 Samuel: 4, que, por causa da desobediência do povo, Deus permitiu que os filisteus tomassem a arca do concerto do meio do povo de Israel. Durante todo o período em que a arca esteve no meio dos filisteus, este povo foi atormentado e muita coisa ruim aconteceu com eles. Mas os homens de Quiriate-Jearim conseguiram recuperar a arca e a levaram para a casa de Abinadabe, onde permaneceu por, aproximadamente, 20 anos.

Quando Davi estabeleceu seu reinado em Jerusalém, ele constrói uma grande tenda para que ali fossem realizados os cultos a Deus. Depois de ter terminado a construção da tenda ele resolve ir buscar a arca e colocá-la dentro da tenda, afinal, a arca representava a presença de Deus, e não haveria maneira de prestarem culto a Deus sem a presença dele. Davi, porém, não leva em consideração os cuidados que deveriam ser tomados para manusear a arca. Davi leva alguns homens e um carro de bois para trazer a arca. Os bois não estavam agüentando e, em um certo momento, a arca ameaça cair. Nesse instante um dos homens que estavam perto da arca estende a mão para segurá-la, porém ele morre no instante em que a toca.

Com medo, Davi deixa a arca na casa de Obede-Edom, um gentio, onde permaneceu por três meses, aproximadamente. Depois desse período de tempo, Davi organiza uma grande comitiva para buscar a arca. Quando estão chegando em Jerusalém, o povo faz festa, pois mais uma vez a presença de Deus estava entre eles. Agora os moradores de Jerusalém poderiam prestar seu culto a Deus, pois a arca já estava ali.

Mas Davi não estava feliz somente com aquela tenda, pois ele desejava algo melhor para ser a casa de Deus. Então Davi resolve construir um templo, um templo grande, bonito, com tudo do bom e do melhor, pois afinal, ali seria a casa do Senhor dos senhores. Porém Deus lhe diz que Davi não construiria o templo por que ele havia derramado muito sangue em guerras, mas quem iria fazer a casa de Deus seria seu filho, Salomão. Quando Salomão se torna rei de Jerusalém, ele começa a executar a construção do grande templo. Davi havia comprado a eira de Ornã ou Araúna, um jebuseu, que se localizava no monte Moriah ou Moriá, para que ali viesse a ser construído o templo (2 Samuel 24:24, 25; 1 Crónicas 21:24, 25).

Ele juntou 100.000 talentos de ouro, 1.000.000 de talentos de prata, e cobre e ferro em grande quantidade, além de contribuir com 3.000 talentos de ouro e 7.000 talentos de prata, da sua fortuna pessoal. Recebeu também como contribuições dos príncipes ouro no valor de 5.000 talentos, 10.000 daricos e prata no valor de 10.000 talentos, bem como muito ferro e cobre. (1 Crónicas 22:14; 29:3-7). Salomão não chegou a gastar a totalidade desta quantia na construção do templo, depositando o excedente no tesouro do templo (1 Reis 7:51; 2 Crônicas 5:1).

Quando o templo foi inaugurado, o povo fez uma grande festa em agradecimento a Deus. Durante o reinado de Nabucodonosor II, o templo foi destruído, sendo reconstruído anos mais tarde e destruído no ano 70 d.C. A casa de Deus foi destruída.

Mas vamos para os nossos dias. Como está a casa de Deus? Afinal, qual é a casa de Deus? A Bíblia diz que nós somos templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). Hoje, nós somos casa de Deus.

Deus não precisa de grandes edificações ou de grandes tendas. O que ele quer é nosso coração para morar. Quando ele mesmo perguntou em Isaías 66:1 qual casa nós iríamos edificar, ele quer saber como nós temos preparado a casa dele. Como temos cuidado do nosso coração? Ele deixou o jardim, com toda sua beleza, ele deixou a tenda, com toda a sua simplicidade, ele deixou o templo, com toda sua riqueza, para vir morar em cada um de nós, com todas as nossas falhas. Um Deus tão grande que tem o céu como seu trono decidiu morar dentro de mim e de você. Portanto, pare um pouco e pense: que casa temos edificado para Deus?

Lucas Timóteo Moraes congrega na IAP de Japurá (PR).