Sorria, você está sofrendo

Já reparou como as pessoas falam muito sobre as suas áreas de trabalho? Exemplos: músicos gostam de falar de música, estilos, ritmos. Arquitetos falam de projetos, sacadas, criações. Comerciantes falam sobre negócios, compras, lucros. Funcionários públicos falam sobre os acontecimentos das suas repartições. Óbvio que nem todos são assim. É óbvio também que os que agem assim falam sobre outros assuntos, mas o tema central acaba sendo aquele que remete ao ofício diário. 

Mas este comportamento não se limita a temas profissionais. Na igreja repete-se o hábito. Crentes, na sua maioria, até tentam outros assuntos, mas invariavelmente o tema é igreja, abordando os mais variados ângulos e implicações. Faz parte.
 
Toda essa introdução não é uma crítica, é apenas a constatação de que falamos sobre as coisas que vivemos. Como pastor, constantemente falo com pessoas, ora consolando, ora aconselhando, ora ouvindo. O tema, na maioria destas conversas, é um só: sofrimento.
 
Sofremos. E este é um fato inevitável. O poeta, acertadamente, chamou a geografia na qual vivemos de “vale de lágrimas”. Sofrer faz parte do pacote da aventura humana. Ainda que se queira evitar, é simplesmente impossível.
 
Sofrimento faz parte dos temas que não deveríamos ficar comparando. Eu sofro mais que eles. Eu é que sei o que é sofrer. Ninguém sofre como eu, … Além destas frases feitas se constituírem um frágil julgamento, são injustas. Por trás de cada rosto existe uma história, e só quem a vive sabe de todas as facilidades e dificuldades que a vida lhe impõe.
 
Falamos de sofrimento porque sofremos. Falar é bom. Falar com pessoas certas e maduras é melhor ainda. É terapêutico. Renova forças. Dá esperança. Ajuda-nos a enxergar nossos erros e falhas no caminho. Corrige rotas.
 
Em Jesus encontramos bênçãos para os sofrimentos que nos envolvem: “Embora sendo filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu,” Hebreus 5:8. A tradução da Bíblia Viva deixa ainda mais clara a mensagem deste versículo: “E embora Jesus fosse o Filho de Deus, teve de aprender por experiência própria o que era obedecer, quando a obediência significa sofrimento”.
 
O detalhe é que sofremos. Obedecendo ou desobedecendo. Olhando para Jesus aprendo que obedecer é melhor. Tem ofensa, tem calúnia, tem humilhação, tem açoite, tem dor, tem traição, tem cruz, tem morte, enfim, tem sofrimento em todo o processo de obedecer. Mas tem galardão, tem ressurreição, tem honra, tem vitória, tem vida eterna. E tem tudo isso pelo fato de obedecer? Evidente que não. Tem vitória exclusivamente porque Ele obedeceu até a morte, e morte de cruz, morte que pagou o preço que jamais poderíamos pagar.
 
Obedecemos porque Ele obedeceu, porque Ele já nos salvou, porque Ele garantiu todo processo sem jamais iludir: “No mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” João 16:33. É só por isso que podemos sorrir no sofrimento, Jesus, o Filho de Deus, nosso modelo perfeito, sofreu e venceu.
 
Spurgeon, escrevendo sobre Hebreus 5:8, usou uma expressão confortadora e consoladora para os nossos sofrimentos, ele disse que “as jóias de um cristão são as suas aflições”. O mundo de fato nos chama de atrasados e loucos, só não sabe quão ricos somos espiritualmente. Sofremos, é um fato. Sorrimos, é um ato. De fé. De esperança. De gratidão.
 
Paz! 
 Pr. Edmilson Mendes congrega na IAP em Pq Itália (Campinas, SP) e integra a equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral.

Fonte: Portal IAP