Sexo antes do casamento?

Por que não se há muito amor envolvido?

Essa ideia de que sexo é somente para depois do casamento parece uma ilusão. Porque o casamento hoje não é prioridade no planejamento de quase ninguém e ele vai sendo adiado para depois da formatura na faculdade, para depois da estabilidade financeira e, para alguns, depois da realização profissional.

Dependendo da decisão, o possível casório será depois dos 25, 30 ou 35 anos. E, então, aquilo que era quase uma ordem natural dos fatos tornou-se irrelevante, até mesmo desnecessário, porque tudo que o casamento prometia para gerações anteriores podem acontecer antes dele: o relacionamento sexual, a estabilidade na vida e a realização pessoal. Viver com alguém “até que a morte nos separe” cheira a coisa do século passado, não é mesmo?

Vivemos tempos em que toda a sociedade luta contra a ideia da mulher-objeto. Muitas propagandas apelavam para a beleza feminina. Hoje, muitas delas alteraram seus roteiros, para valorizar a mulher como um todo e não somente seu corpo. A indústria do cinema foi tomada por uma onda de denúncias sobre abusos sexuais.

Alguns atores famosos, diretores e produtores influentes de Hollywood foram parar no olho da rua. Isso sim cheira a século passado: coisificar, usar e abusar da condição feminina. Como o discurso da liberdade sexual é presente em praticamente todas as esferas sócio-culturais, passa despercebido que o sexo antes do casamento coisifica, usa e abusa da mulher. Sem medo de errar, salvo raríssimas exceções, o casal que assume o sexo antes do casamento o faz por conveniência, por prazer pessoal (e não do outro) e assim que surgir outra pessoa, mais bonita ou atraente, se sentirá disposto a partir para a próxima aventura. Vivemos, infelizmente, uma geração de garotos e garotas que não se valorizam de verdade e aceitam a triste condição de “descartáveis”.

Descartáveis são todos, homens e mulheres, porque a sedução não é mais realizada apenas por garotos insaciáveis, que querem abusar de suas parceiras. É necessário dizer que o homem tem uma séria dívida histórica com a mulher quando o assunto é coisificação e abuso (e a conta só aumenta). Mas, não fechemos os olhos – coisifica e abusa quem exerce algum tipo de poder e, infelizmente, em tempos de homens fragilizados, não é um absurdo dizer que alguns não se valorizam como deveriam e são objetos nas mãos de suas parceiras também.

Por que não praticar sexo antes do casamento?

Você pode ter vários argumentos para responder que o normal é fazer. Por outro lado, apresento três motivos para você compreender que o contexto ideal do sexo é dentro do casamento.

O primeiro motivo permeia quase todo o texto: nossa própria cultura assume como um valor fundamental a valorização feminina e não se deixar ser usada ou abusada é uma razão forte o suficiente para que as solteiras se mantenham sem a prática sexual.

O segundo motivo também é cultural: vivemos o tempo das coisas descartáveis e passageiras (as trocas constantes de aparelho celular são um bom exemplo), mas você não é uma “coisa” e, por isso, não deveria aceitar ser descartável nem mesmo entrar nesse tipo de relação.

O último motivo é baseado na cosmovisão cristã: fomos criados por Deus para uma relação de complementaridade que se dá quando o homem “deixa pai e mãe e se une à sua mulher e ambos se tornam uma só carne” (Mc 10, 7-9). Esse é o contexto saudável do sexo: quando há compromisso, intimidade e cumplicidade de duas vidas que se entendem, a partir do casamento, como uma só carne. No pecado, as pessoas podem até desfrutar de prazer, mas é um sentimento que não perdura, não satisfaz, não gera intimidade com o outro, é puramente a satisfação de um ímpeto carnal.

Contudo, se sou um com minha esposa, o relacionamento é para sempre e já não existe mais a conveniência e a coisificação do sexo pelo sexo. Quando um homem e uma mulher se relacionam sexualmente de forma feliz, plena e abençoada no casamento, há uma intimidade tão intensa que o ato sexual sem compromisso jamais poderá revelar.

Fonte: escrito por Pastor Júnior Mendes na Revista O Clarim edição 71 págs 62 e 63