RUTE

Era um período de fome, em Belém de Judá. Noemi, Elimeleque e seus dois filhos se mudaram para Moabe, onde havia alimento.

Foi um bom tempo: os filhos casaram-se e eu, Rute, me casei com Malom. Mas a tragédia atingiu minha família. Noemi perdeu o marido e seus dois filhos. Viúva, muito triste, resolveu voltar a Belém, sua terra. Órfa, a outra nora, voltou para a casa dos pais, mas eu, apesar de ter sido criada em Moabe, terra pagã e idólatra, aprendi com Noemi a ser obediente ao Deus de Israel, o único e verdadeiro Deus. Mesmo com a insistência da minha sogra, para que eu ficasse, de minha boca, saíram palavras que soaram como um hino: … aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus (Rt 1:16-17).

Chegamos a Belém de Judá, no início da colheita das cevadas. Precisávamos de alimento. Saí sem direção, sem companhia, mas sentia que Deus estava comigo. Ele dirigiu meus passos até o campo de propriedade de Boaz, homem valente e poderoso, parente de Elimeleque. Ali, trabalhei nas plantações de cevada, com muito esforço, sob forte calor, colhendo o necessário para alimentação minha e de Noemi. A lei estipulava que os grãos caídos da colheita deveriam ser deixados para os pobres.

Boaz deixou que eu colhesse em suas plantações e, com muita bondade, me protegeu dos perigos e ameaças que poderiam acontecer a uma estrangeira. Eu ouvia os conselhos da sábia Noemi e os colocava em prática. Havia uma amizade muito grande entre nós, uma desejava o melhor para a outra.

Boaz viu em mim qualidades, principalmente, por fazer o melhor para Noemi. Ele foi o parente remidor; resgatou as terras, e tornei-me sua esposa. A nossa alegria passou a ser completa quando nasceu nosso filho, Obede.

Quando enfrentamos momentos difíceis em nossa vida, dor, perda, separação, não devemos desanimar. Devemos procurar a poderosa mão de Deus e confiar que o Senhor age em todas as coisas, para o bem daqueles que o amam.