Perdoar por quê?

Só estou escrevendo este texto porque fui perdoada.

Quando Deus criou a humanidade, sabia que iríamos pecar, mas, de antemão, nos perdoou, e não só nos perdoou como pagou a nossa dívida, na cruz, e nos aceitou de volta como filhos amados.

O perdão custou um preço muito alto para o nosso Deus. Ele fez isso por amor. Ao nos perdoar e nos amar sem merecermos, estabeleceu um padrão de conduta para nós. Jesus nos orientou claramente, no Sermão do Monte: “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também perdoará vocês” (Mt 6:14 – NVI). Ele disse isso logo após ter ensinado a oração do Pai Nosso, que diz: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”. Portanto, quando olhamos a Palavra de Deus, está claro que perdoar é um mandamento.

Se é um mandamento, é a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2). Ao nos submeter a essa vontade, estamos dizendo a Deus: “Sei que a sua vontade é o melhor para mim, me tornará um ser humano melhor.  Ajuda-me a cumpri-la”.

Não podemos ser simplistas: Perdoar é um processo difícil e doloroso. Só seguimos avante nele, se nossa decisão é fazer a vontade de Deus e se persistirmos em orar, pois, para uma tarefa tão difícil, precisamos do Espírito Santo. Não podemos nos esquecer de que ele mora em nós, como está dito no Evangelho de João, capítulo 14. Com o auxílio do Espírito Santo, é possível perdoar.

Na trilha do perdão, precisamos exercitar diariamente o nosso olhar. Olhar os que estão ao nosso lado de forma solidária e misericordiosa é pensar da seguinte forma: as pessoas são falhas, erram, magoam, mas eu também sou falha, erro; às vezes, falo sem pensar, magoo; preciso de perdão; preciso perdoar. Você pode perguntar: Perdoar quantas vezes? Eu devolvo a pergunta: Quantas vezes você gostaria de ser perdoada? Tantas vezes quantas forem necessárias, você me diria.  Se os seus ouvidos estiverem atentos, ouvirá as palavras de Jesus, sussurradas pelo Espírito Santo, aquele que nos faz lembrar, dizendo: Perdoe setenta vezes sete; dê mais uma chance; caminhe a segunda milha; liberte-se da mágoa que aprisiona e paralisa a alma. Perdoe!

Sim, liberdade é a sensação que vai invadir seu coração, ao perdoar alguém, porque a mágoa produzida pela falta de perdão aprisiona, endurece o coração,  torna você insensível, dona da razão, com a sensação de que todos lhe devem alguma coisa.

Nada disso combina com o Evangelho de Cristo Jesus, que é firmado no amor, dispensado a nós desde o princípio, quando Deus, antes de nos formar, decidiu nos amar, nos perdoar, nos dar nova chance.

Inclusive, você só está lendo este texto porque foi perdoada…também!

Por: Eunice Alves da Cunha, esposa do pastor Eduardo Lucena, mãe da Isabela. congrega na Igreja Adventista da Promessa de Vila Nhocuné