Outubro Rosa: não porque é bonito: porque nos importamos!

“Jesus não fazia de conta que não via a dor alheia, mesmo que a dor fosse de uma mulher – o que era fora de série. O mundo onde Jesus nasceu, viveu, cresceu e morreu não dava bola para mulher nenhuma, nem para a mulher sem dor, nem para a mulher com dor.” (Genilson Soares)

Outubro Rosa é um movimento popular que nasceu na década de 1990,  com o objetivo principal de alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e mais recentemente sobre o câncer de colo de útero.   A publicidade adotou o tom de rosa como motivador de campanhas no período, no intuito de estimular a participação da sociedade, através do compartilhando de informações, campanhas de conscientização, incentivo ao autocuidado e busca de diagnóstico precoce.   Segundo levantamento recente do INCA – Instituto Nacional do Câncer, SOMENTE em 2019 existe a projeção do surgimento de 59.700 novos casos de câncer de mama no Brasil, sendo esta a segunda maior causa de morte entre mulheres.

Essa realidade infelizmente está bem perto de nós, sendo frequente o surgimento de casos de câncer, especialmente o de mama, em nossas famílias, nas igrejas que frequentamos e na comunidade próxima.  Quando o assunto é câncer, sabemos da sua complexidade e das situações de sofrimento que causa, não só para o paciente, mas para todas as pessoas envolvidas. Essas pessoas precisam de uma atenção especial; precisam de nossa empatia e solidariedade.

Jesus é o maior exemplo de alguém que se importa com as pessoas e quando esteve na Terra nos deu muitas provas disso, pois além de cumprir sua missão de levar cura espiritual para as pessoas, também observava e atendia suas necessidades físicas e emocionais. A igreja primitiva seguiu seu exemplo e assim como ela nós, mulheres cristãs, precisamos nos envolver de modo integral com as necessidades das pessoas. Além de dar apoio espiritual e levar a esperança de cura, podemos exercer a empatia, a solidariedade e o amor cristão com atitudes práticas, como algumas que sugerimos à seguir:

 

Doação de sangue

No caso de um câncer de mama, o tratamento cirúrgico é bastante invasivo e entre os riscos inerentes a todo procedimento cirúrgico, há também o risco de hemorragia, por isso, tanto na cirurgia como na quimioterapia, poderá haver necessidade de uma transfusão de sangue. Neste caso o sangue é vital! Na maioria das cidades existe um local específico para este fim, geralmente um Hemocentro, onde são informados os critérios para doação. Independentemente de termos algum conhecido ou familiar necessitando no momento, precisamos nos conscientizar quanto à importância da doação de sangue,

 

Intercessão Solidária

A oração intercessória tem um poder inimaginável, tanto para quem recebe a oração, como para quem ora, pois quando oramos por alguém, estamos deixando de lado nossas necessidades e nos preocupando com o outro.  Mais que uma necessidade, intercessão é uma ordem: “Orai uns pelos outros.” (Tiago 5:16). Podemos fazer um levantamento de pessoas que estão vivenciando a situação do câncer e organizar grupos específicos de intercessão, podendo incluir também um plano de consagração e jejum pelas pessoas afetadas.

 

Visitação domiciliar

Uma das formas de demonstrar o amor de Deus é a visitação aos doentes (Mat. 25:36). Nesse momento, além de levar a da esperança de cura, a conversa, a atenção e a escuta são formas de demonstrar carinho. É um verdadeiro bálsamo para o doente, mas muito diferente de uma visita social. Precisamos ter a sensibilidade de marcar com antecedência, ir em grupos pequenos, (de 3 a 5 pessoas no máximo) para uma visita breve e voltada para o objetivo.

 

Visitação Hospitalar

A situação da hospitalização pode gerar medo e muito desconforto, sendo que a visita contribui para reduzir a ansiedade e o estresse causados pela situação.  No entanto, para que a visitação proporcione amparo e bem-estar, deve ser encarada com muita responsabilidade e preparo, devendo ser breve, focada na cura e na recuperação, não na doença. Também é necessário o cuidado de seguir todas as normas sanitárias e recomendações estabelecidas pelo hospital.

Atenção aos cuidadores

O Câncer é uma das doenças que mais trazem repercussões físicas e psicológicas para o doente e para as pessoas ao seu redor.  Aos familiares, muitas vezes cabe o papel de cuidador, o que exige esforço físico e emocional. Por isso, pode ser reconfortante para eles terem um momento onde possam falar de suas angústias e receber apoio. Além disso, oferecer-se para fazer compras, limpar a casa, cozinhar e acompanhar o doente numa consulta são atitudes que podem dar um grande alívio para as pessoas envolvidas no cuidado.

 

Atividades informativas

Falar sobre o câncer é uma necessidade permanente, pois quanto mais se fala mais conhecida se torna a doença, o que ajuda a esclarecer mitos, levar a um enfrentamento realista e ao aumento de chances de cura. Para tanto, podem ser organizadas palestras ou bate-papos com as mulheres da igreja e da comunidade contando com a presença de uma pessoa habilitada para abordar o assunto. A informação pode salvar vidas e tornar-se uma grande oportunidade de recebermos a comunidade na Igreja. Outra possibilidade muito bem aceita, é a de distribuir material informativo, aproveitando para levar junto uma mensagem de cunho espiritual.

Neste mês de outubro podemos nos vestir de rosa, enfeitar nossas igrejas, compartilhar informação por meio das redes sociais. Tudo isso é importante! No entanto, o que não podemos esquecer é que a essência do cristianismo é o amor e uma das melhores formas de expressar amor é servir aos outros. Precisamos falar do outubro rosa, não apenas porque é bonito, mas porque nos importamos e quem se importa faz!

 

Por: ROMI CAMPOS SCHNEIDER DE AQUINO Psicóloga, Líder do Ministério de Mulheres da Região Sul. Casada com Luciano, mãe de Henrique e Davi, congrega na Igreja Adventista da Promessa de São José dos Pinhais, Paraná.

 

Este texto foi baseado no folder e no livreto: AÇÃO OUTUBRO ROSA DE SAROM, produzido pela equipe do Ministério de Mulheres da Igreja Adventista da Promessa – Convenção Sul, em 2018

Dados atualizados:

http://​www.inca.gov.br/outubro-rosa/material-divulgacao.asp, acessado em 30/10/2019