Orando como Ana

Durante anos chorei e pedi ao Senhor um filho, até que ele me concedeu 

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.
O Senhor Deus é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.” (Habacuque 3:17-19)

Eu me casei aos 33 anos e com apenas três meses de casada, estava grávida! Porém, a gravidez não foi constatada, porém, um cisto enorme no ovário, fui medicada e tomei o remédio sem saber que afetaria o bebê, então, tive um aborto.

Depois de três meses, engravidei novamente e estava muito feliz, porém, um dia, ao limpar a casa, mudei a cama de lugar, suportando todo o peso. No dia seguinte, abortei novamente.

Depois disso, fiz um check-up e o médico disse que meu útero era “fraco”, não suportava a gravidez, e então fui submetida a um tratamento por seis meses. Foi então que começou minha grande angústia, pois os anos foram se passando, mas eu não engravidava mais. Eu ficava muito triste, pois havia casado sonhando em ter filhos, mas parecia cada vez mais distante.

Em 2002, eu e meu esposo recorremos aos médicos, fizemos todos os exames solicitados e uma junta médica me disse que não havia motivos para eu não engravidar. Mesmo assim, a médica me encaminhou a um especialista em   inseminação artificial e fertilização in vitro. Ele disse a mesma coisa, não tínhamos problemas nos exames, assim, eles nos encaminhou para a Secretaria da Saúde de Belém. O médico que nos recebeu expôs as condições e o

procedimento, que custava, na época, cerca de 12 mil reais e teríamos que conseguir um óvulo doador. Essas palavras não entraram em meu coração.

Fiquei calada no percurso de volta pra casa, meu esposo me deixou em casa e prostei-me ao Senhor, chorei muito e expus a ele tudo que eu estava sentindo. Disse a ele que ainda que ele me desse a quantia necessária para a inseminação, eu não queria dessa forma, principalmente porque eu não queria ser mãe de óvulo doador. Pedi que ele me desse um filho, fruto do nosso relacionamento conjugal. Também lhe disse que iria pedir até os meus 42 anos, pois minha mãe teve minha irmã caçula aos 42 anos de idade.

Eu sempre pedia a Deus um filho, pois nas datas especiais, como meu aniversário, Dia das Mães, Dia das Crianças e outras datas comemorativas, eu sempre me entristecia muito, pois sentia falto do meu filho.

Mas também disse ao Senhor que ainda que ele viesse a dizer “não” em resposta à minha oração, ainda assim testificaria que o Deus que eu sirvo é o Deus do impossível.

Assim, todos os dias passei a orar, chorar e me derramar perante o Deus da minha salvação. Até que, em 2004, num culto de quarta-feira, Deus falou comigo e disse: “vou ungir a tua madre e abri-la novamente”, então, entendi que minha madre estava fechada.

Findou o ano de 2004, e chegou 2005. Naquele ano, em 13 de julho, completei  42 anos mas não engravidei. Deus se mantinha em silêncio. E alguns momentos de angústia, cheguei a duvidar da promessa de Deus em relação ao meu filho.

Mas continuei louvando e servindo a Deus. Em agosto de 2005, a lição bíblica tratava de Habacuque e o ensino da vida dele me fez tomar uma posição perante Deus. Passei a me alimentar das palavras do livro de Habacuque, especialmente no capítulo 2.1, que registra: “Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido.” (Habacuque 2:1)

Depois disso, voltei a orar novamente em favor de um filho, pedi perdão a Deus e continuei a guardar a esperança de ser mãe em meu coração. Chegou o ano de 2006, passaram-se os meses de janeiro, fevereiro, março, abril e maio. Em junho, o Senhor me deu a segunda confirmação da promessa, em outro sonho. Eu estava assentada à mesa, na cozinha de minha casa, e quando levei a xícara de leite à boca, percebi do outro lado da mesa uma varão de pé, todo  vestido de branco com o dedo indicador, que me disse: “você vai engravidar, mas tenha cuidado”. Entendi que eu não havia tido cuidado nas outras duas vezes, mas agora precisa ser diferente.Eu subi em uma torre “simbólica” e fiquei em silêncio esperando a resposta de Deus. Parei de orar a Deus pedindo-lhe um filho, parei de importuná-lo, pois já tinha completado meus 42 anos. Até que em dezembro de 2005, Deus confirmou sua promessa a minha vida através de um sonho. Eu sonhei com uma escada e nela descia um varão de terno azul celeste, com seis botões dourados de cada lado, mas o rosto não dava para olhar devido à intensa claridade que ofuscava a minha visão. Esse varão tocou em meu braço bem levemente, por três vezes e me disse: “você vai engravidar aos 43 anos”. Com essas palavras acordei, calma, tranquila e agradeci a Deus.

Em julho de 2006, eu e meu esposo viajamos e no dia 13, meu aniversário, novamente eu pedi ao Senhor por um filho, mas agradeci a Deus por tudo. Em agosto, eu comecei a ter sintomas diferentes, procurei um médico, mas ele me disse que a ausência da menstrução era devido à menopausa, nem me pediu exames para checar a gravidez.

Porém, marquei outra consulta, a médica me ouviu e solicitou o exame de sangue e lá estava o resultado: positivo! Sim, eu estava grávida, aleluia! Essa médica foi uma benção para mim, e me acompanhou durante toda a gravidez, até o parto.

Tive cuidado, sim, fiz minha parte, e o senhor Deus me deu uma gravidez saudável, não tive nenhum problema, meus exames todos eram normais, para honra e glória do Senhor, que estava realizando meu sonho de ter um filho. Trabalhei até três dias antes dele nascer. Em 17 de abril de 2007, meu filho nasceu, com 3.495kg e medindo 49,5cm, perfeito e lindo! Não sei descrever a alegria que senti naquele momento e o quanto agradeci a Deus!

Hoje ele tem 7 anos, é um menino alegre, carinhoso, é o maior presente que Deus me deu nesta vida. Ele é a minha alegria e de meu esposo. Com a publicação desse relato, estou cumprindo o meu voto de testemunhar quando ele tivesse entre 5 e 7 anos. Deus verdadeiramente ouviu minha oração, assim como ouviu a oração de Ana, mãe do profeta Samuel. Por toda minha vida, eu sou grata a ele!

Dsa. Raimunda Miléo Sá, da IAP em Guamá, em Belém (PA) – kelimileo@hotmail.com