Olhando para dentro

Um dos maiores desafios na busca de santificação é a dificuldade humana em fazer a autoanálise.

Quando era adolescente ouvi uma palestra sobre o plano de salvação. O ambiente era simples, o palestrante usava um flip-chart e um pincel para explicar, contudo a excelência do conteúdo o mantém intacto na minha memória. Nunca ouvira os termos justificação, regeneração, santificação e glorificação, nem a explicação sobre os mesmos. Devo ter os papéis em que anotei aquele conteúdo incrível guardados em meus arquivos.

Hoje não sou mais adolescente, entretanto o plano de salvação ecoa na minha mente com frequência, sendo o que mais amo ensinar. Há uma parte neste plano que é unicamente divina, como seu planejamento antes da criação do mundo; a entrega voluntária de Cristo naquela cruz e o fato de ter transferido sua justiça a nós sem que tivéssemos feito nada e também a obra de convencimento do Espírito Santo. É maravilhoso pensar na graça que permeia este plano. Contudo, há uma parte nossa, a santificação, que claro, é desenvolvida com a companhia do Espírito.

Pensando recentemente sobre tudo isso, entendi que um dos maiores desafios na busca de santificação é a dificuldade humana em fazer a autoanálise. Muitas vezes preferimos nos iludir acerca de nós mesmos, recusando-nos, muitas vezes inconscientemente, a enxergar as fraquezas existentes em nós. Para evitar assumir erros, por vezes, preferimos culpar outros pelos nossos fracassos. Enxergamos defeitos nos outros, preferimos achar que a exortação bíblica é para eles. E seguimos a vida sem amadurecer e progredir na santificação.

Santificar-se não é fácil, mas é mais difícil sem autoanálise. Precisamos aprender a dedicar tempo no momento devocional para olhar para dentro de nós. Que possamos repensar nossas motivações, ações e reações, decifrando as vozes internas. Talvez não cometamos pecados visíveis, mas camuflados em nós há inveja, arrogância, maldade, egoísmo e indiferença. Não devemos nos esconder atrás de uma aparência de piedade. Que possamos assumir essa pecaminosidade disfarçada. Vamos lamentar por quem somos e nos aninhar nos braços daquele que está disposto a nos amar em nossa imperfeição.

Deus está disponível para os imperfeitos, pois estes sabem reconhecer sua necessidade de ajuda, e para estes há perdão e auxílio no caminho de santificação. Siga o conselho de Paulo: Examine-se o homem a si mesmo. (1 Co 11:28).

Por: Virginia Ronchete

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