O Facebook virou consultório?

Outro dia o Face recordou uma postagem minha, confesso fiquei com vergonha de ter usado a rede social para postar uma indireta, graças a Deus aprendi com meu esposo a importância de ter relacionamentos mais transparentes. Ainda mais, aprendi com Jesus a importância de não postar indiretas no Face. Acredite, Ele ensinou sobre isso.

Leia o texto: Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. (Mt 18:15). Este é um ensino de Jesus a respeito do que fazer quando alguém pecar contra nós. Devemos ir, em primeiro lugar, procurar resolver a questão no âmbito particular com a pessoa e não no público.

Agora, observe Jesus fazendo isso na prática. O relato a respeito do jovem rico em Marcos 10:17-22 é meu preferido, porque acrescenta um detalhe especial. Observe comigo.

Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção, pôs-se de joelhos diante dele e lhe perguntou: “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Respondeu-lhe Jesus: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Você conhece os mandamentos: ‘não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe’”. E ele declarou: “Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência”. Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.

Provavelmente, se é um cristão, já ouviu alguma mensagem a respeito deste texto e compreendeu que ensina sobre o perigo do apego aos bens materiais, contudo, quero focar a atenção para a forma como Jesus tratou a dificuldade do jovem, que é um excelente modelo para aderirmos nos nossos relacionamentos. Antes de apontar a falha do rapaz, o texto nos diz que Jesus o amou. E isso indica que se amamos as pessoas com as quais nos relacionamos, o padrão do relacionamento será a franqueza.

Franqueza é ver o amigo errando e não se omitir. Contudo, há pessoas que dizem “cada um cuida da sua vida” ou “isso não é problema meu”, ou ainda, há pessoas que se esquivam de conversar abertamente por medo de perder a amizade ou se sair como a pessoa má da história. Não pode haver uma amizade em que a pessoa prefira não se indispor a ver o amigo no erro. É melhor perder uma amizade tendo consciência que foi franco e orientou o amigo a respeito do erro, que permanecer com uma amizade em que você vê seu “amigo” errar e não faz nada.

Que fique claro que franqueza não abre precedente para grosserias e verborragias sem sentido e que nada acrescentam. Franqueza também não é simplesmente apontar algo no qual o outro é diferente de você, mas apontar caminhos que levam a destruição. Que fique claro, nem sempre o que incomoda no outro é um pecado, pode ser apenas uma preferência. Maturidade é saber respeitar preferências.

Jesus apontou um desejo errado no coração do jovem rico. Aquele jovem, mesmo sendo um religioso, não tinha o coração no lugar certo, amava demais as riquezas, que podiam ocupar o lugar que deveria ser de Deus. Você tem amigos seguindo caminhos errados? É falta de amor não lhes apontar a falha e ajudá-los a seguir o caminho que leva a vida. Isso quer dizer que vão sempre mudar de direção quando formos francos? Infelizmente, não. As pessoas fazem suas escolhas de vida, como parece que o jovem rico fez a dele. O que resta é orar para que suas palavras em algum momento sirvam para reflexão. Contudo, tenho certeza que verá amigos mudando a postura devido uma boa e sábia correção.

Vamos nos resolver fora do ambiente virtual, porque indiretas no Facebook não ajudam ninguém. Talvez sirva como desabafo, ou pra liberar impulsividade, contudo, a chateação não vai passar, porque recebeu algumas curtidas. Talvez sua indireta sirva para magoar pessoas que não tem nada a ver com a postagem. Deseja desabafar? Faça isso em oração, como fizeram muitos personagens bíblicos, Ana, mãe de Samuel, por exemplo.

Por um mundo com mais relacionamentos francos e reais, e menos indiretas esquivas e virtuais.

Por: Virgínia Ronchete casada com o pastor Rafael, congrega em Matão psicopedagoga e escritora.