Mulheres à beira de um ataque de nervos

Aquele era para ser mais um dia “comum” com suas correrias e horário para tudo… tudo rigorosamente cronometrado, como se estivéssemos em uma corrida… e estamos! Tudo no automático… como máquinas de “faz-tudo”: casa, esposo, trabalho, maternidade, cozinheira, faxineira… ainda temos que cuidar da saúde! Minha saudosa mãe, Quitéria, serva fiel e dedicada a obra, usava um ditado popular para definir a correria da vida: “Tanta lida para tão pouca vida”.

Alguém se identifica?

Mas algo na minha rotina me fez parar e refletir. Essa é a história que vou compartilhar com você:

As 13:45h, como de costume, o taxista Eraldo veio buscar a minha filha para levar para a aula de inglês… um colega de longa data, pai de Ryan, da mesma idade da minha filha Mariana. Um garoto lindo e cheio de vida como qualquer adolescente saudável.  Eraldo sempre é prestativo e educado, tem uma voz calma, um jeito de gente boa mesmo.

Ele chegou, abri o portão e o cumprimentei. Abri a porta do taxi para a minha filha entrar. Quando Eraldo estava prestes a entrar no carro, eu perguntei: “Como está o Ryan?” Ele me olhou diferente e me disse: “Faz tempo que você não me pergunta do Ryan…” Me senti envergonhada, porque de fato eu o encontrei diversas vezes esse último ano.

Eraldo me respondeu: “Maria eu perdi o Ryan”. Foi um choque, como se eu tivesse perdido o chão, voltei meu olhar rapidamente para minha filha e tive uma sensação que ia desmaiar… Aconteceu um acidente doméstico há um ano atrás, Ryan caiu e uma beliche, quebrou o pescoço e veio a falecer.

Me senti egoísta, impotente diante da situação, com o coração dolorido e solidária a dor terrível do Eraldo. Contudo, o choque me fez refletir sobre curtir mais a família, aproveitar cada momento, abraçar, sorrir mais, dar mais valor às pessoas, e selecionar as prioridades, ao invés de se entregar ao ativismo desenfreado da rotina que quase nos engole.

Para reflexão pessoal:

Tenho de fato praticado 1Pd 5:7 (Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês)?

Como está a minha rotina? No automático? À beira de um ataque? Ou eu tenho dedicado tempo de qualidade para as pessoas à minha volta?

Por: Maria Peron, empresária, mãe de Mariana, congrega na Iap Jd. Itaporã – Ribeirão Preto/SP.