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O conformismo ou o afastamento não são posturas aprovadas por Deus

Segundo pesquisa realizada pela Federação das Uniões da Mocidade Adventista da Promessa com 1.383 jovens promessistas de todo o país, 47% afirmaram ter amigos homossexuais. Quando questionados sobre como compreendiam a homossexualidade, 78% disseram entender a prática como um pecado. Contudo, 7% do total não teve opinião a respeito, 13% encarou como uma escolha pessoal, 1% como mais uma moda e 1% acreditou ser um comportamento normal.

Diante desses números, qual nosso papel como pais cristãos em uma sociedade cada vez mais distante de Deus, na qual há espaço para uma pluralidade de concepções, valores e crenças?

Reconhecemos, pela experiência da igreja, que a orientação familiar é cada vez mais omissa em relação a todos os aspectos da educação dos filhos, delegando a responsabilidade à escola, aos amigos e à mídia, entre outros. Portanto, é dever de todo cristão, em especial dos pais cristãos, exercer seu papel confrontador e transformador da sociedade. Como fazer isso? O caminho mais curto, e talvez mais estratégico, é começar dentro da própria casa.

Abra o jogo sobre a homossexualidade

Na companhia de minha esposa, tive a oportunidade de aconselhar uma adolescente de 14 anos que pastoreamos. Com lágrimas nos olhos, ela nos disse: “Tenho uma amiga homossexual e ela me pediu um beijo”. Aquele pedido pareceu ter mexido com ela e trazido confusão à menina.

Seu drama é um exemplo do desafio que enfrentamos. Já foi o tempo em que a homossexualidade era vivida de forma secreta. Hoje, tal comportamento é percebido dentro e fora de casa, seja nas ruas, nos shoppings, na escola, nas novelas, nos filmes, nos desenhos e até nos comerciais de televisão. Como pais e cristãos, é impossível permanecer alheios a essa realidade! Muitos, se ainda não fizeram, irão se surpreender ao saber que os filhos parecem estar “mais por dentro do assunto” do que eles.

Mas afinal, o que eles sabem? Ou ainda, quem lhes ensinou? A homossexualidade é vendida como prática natural, normal e aceitável, por isso se faz necessário o ensinamento correto pelos pais cristãos.

Consideremos ainda que não é nada fácil a vida das crianças e jovens, expostos e incentivados a aceitarem o comportamento homossexual de seus amigos, no ambiente escolar e acadêmico. Por isso, precisamos romper o silêncio acerca do assunto e falar com clareza sobre ele, a fim de prover direção bíblica adequada para nossos filhos.

Ensine seu filho sobre o conceito bíblico

Eles convivem em um ambiente em que ouvem que a homossexualidade não é um comportamento ou opção, e sim uma condição sexual. Seus colegas homossexuais lhes dizem que já nasceram assim. Eles são confrontados por argumentos do tipo: “Qual o problema de duas pessoas do mesmo sexo se relacionarem, se elas se amam?”. Recebem, todos os dias, informações de uma “celebridade” que saiu em defesa dos homossexuais ou assumiu a sua própria condição. Assim, qualquer opinião em contrário é considerada preconceituosa ou ultrapassada, quando não homofóbica. Nesse contexto, os princípios absolutos e  inegociáveis da Palavra de Deus têm de ser inculcados.

Para nós, a Bíblia continua sendo atual e relevante, e a Palavra de Deus, viva, eficaz e poderosa (Hb 4.12). Por isso, ao defendermos nosso ponto de vista sobre o assunto, devemos tê-la em mãos! Segundo ela, o casamento é uma união heterossexual, vitalícia, monogâmica e indissolúvel, entre um homem e uma mulher.

Ela é clara quanto à prática sexual e não dá margem a outras interpretações: todo relacionamento afetivo-sexual, dentro ou fora de um casamento, entre um homem e outro homem ou uma mulher e outra mulher, ainda que isso ocorra com compromisso e fidelidade, é pecado! A Bíblia não vê a homossexualidade como algo natural, biológico ou aceitável, antes a vê como um desvio sexual, significando afastamento de Deus (Rm 1.27); um obstáculo à entrada no Reino de Deus (I Co 6.9-10); uma rebelião ao plano natural de Deus e uma contradição à natureza (Rm 1.26); uma atitude abominável e detestável (Lv 18.22) e imoralidade sexual (I Tm 1.9-10). “As práticas homossexuais são terminantemente proibidas! O homossexualismo é um pecado terrível!” (Lv 18.22 – Bíblia Viva).

Ensine seu filho a se posicionar sem ser homofóbico

Assumem-se, quase sempre, duas posturas em relação ao assunto. A primeira, de  conformismo ou indiferença, na qual se aceita a “condição” alheia, convivendo-se de forma absolutamente natural. A outra, de afastamento e preconceito. Ambas são extremistas,  perigosas e equivocadas.

Os jovens precisam ser orientados a não se conformar aos padrões desse mundo (Rm 12.2). Essa geração não pode aceitar a homossexualidade como prática natural ou, ainda, apenas ser indiferente ao comportamento, omitindo-se ou fingindo que está tudo bem. Por outro lado, nossos filhos não podem agir de forma preconceituosa com as pessoas que estão na prática desse pecado.

Ensine-os a respeitar os amigos homossexuais. Ensine-os que a ironia, o sarcasmo, a falta de cordialidade, a indiferença e a antipatia no convívio com os homossexuais só os distanciam mais da Igreja e de Cristo. Ensine-os que toda atitude que leve à segregação, à violência física ou verbal, além de discriminação, é pecado. Ensine-os que o poderoso evangelho de Cristo (Rm 1.16) pode tirar toda e qualquer venda dos olhos dos seres humanos sobre os quais não resplandeceu a luz divina! Ensine-os a amar o homossexual, condenando a homossexualidade, a diferenciar o ser humano, alvo do amor de Deus, da sua conduta pecaminosa.

Ensine-os a compartilhar o evangelho com seus amigos, a denunciar seus comportamentos pecaminosos e a confrontá-los com o amor de Cristo que, em vez de aceita-los como são, pode transformar suas vidas e perdoar seus erros.

Por: Pr. Alexandro Jorge da Silva na edição 62