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Parafraseando o personagem principal da peça “A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca”, de William Shakespeare, é possível afirmar que hoje muitas mulheres vivem o dilema do ser ou não ser apenas mãe e esposa ou profissional.

À medida que a mulher ganha espaço para se inserir no mercado de trabalho e galga posições de destaque, antes permitidas tão somente ao sexo masculino, mais e mais ela se vê diante de via com bifurcação, em que deve escolher para que lado pretende ir: ser bem-sucedida na carreira profissional ou ser feliz no casamento e na maternidade.

No cenário mundial, no qual o Brasil se inclui, não faltam mulheres que fizeram sua opção e que passaram a ser paradigmas para tantas outras. É possível conciliar os papéis de esposa, mãe e profissional, de maneira equilibrada?

Anne-Marie Slaughter, 53 anos, americana, cientista política, especializada em relações internacionais, dá aulas na conceituada Universidade de Princeton, apresenta em média 45 palestras por ano e redige artigos para publicações tidas como referência no mundo.

Em 2008 aceitou o convite da secretária de Estado, Hillary Clinton, e assumiu o cargo de diretora de políticas e planejamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Estava realizada profissionalmente!

Entretanto, Anne-Marie, por força do seu cargo, equivalente ao de ministro, devia morar em Washington, capital dos Estados Unidos, longe de seu marido e dos seus dois filhos adolescen tes, que permaneceram em Nova Jersey, onde a família tem residência.

Após dois anos de exercício no cargo, período em que voltava para sua casa apenas nos fins de semana, ela pediu demissão para se dedicar ao filho de 14 anos, que apresentou problemas na escola e em casa.

Na revista americana The Atlantic foi publicado como reportagem de capa Why Women Still Can’t Have It All (“Por que as mulheres ainda não podem ter tudo”). O texto publicado foi escrito pela própria Anne-Marie que parte da sua experiência de demissionária do emprego no governo americano e, com coragem, fornece a razão: “Saí do emprego para me dedicar ao meu filho. Quando as crianças precisam da gente, nenhuma mãe hesita em dizer sim”. Ela ainda se propõe a tratar de um dos assuntos que afligem a ala feminina na atualidade e sustenta a ideia da impossibilidade da mulher conciliar carreira, principalmente aquela que alça a mulher a alto escalão, com a vida familiar.

O tema trazido à baila por ela é tão palpitante e de interesse que depois de uma semana da publicação o texto foi lido por um milhão de pessoas na internet e 200 mil curtiram sua página no Facebook. Além disso, foi manchete no jornal The New York Times e objeto de publicações em várias partes do mundo.

Família em segundo plano

Ao contrário de mulheres como Anne-Marie, que abdicam do emprego em prol da família, existem aquelas que optam por levar avante o investimento na carreira e deixar a família em segundo plano. Exemplo a ser citado aqui é Marissa Mayer, americana, engenheira, 37 anos, que deixou a vicepresidência do Google em julho de 2012, quando foi contratada para comandar o Yahoo. Então grávida de seis meses (seu filho nasceu em 30/09/12, conforme anunciado no twitter do seu marido, Zachary Bogue), afirmou em entrevista à revista Fortune que tiraria “algumas semanas apenas” de licença maternidade e trabalharia no restante do período.

Os modelos citados são antagônicos. Seria uma aventura dizer que um ou outro comportamento é o correto, pois tal afirmação estaria atrelada a um estereótipo. O “ter tudo” depende do que a mulher tem estabelecido para si como padrão de êxito. Se profissionalmente ela tiver uma ambição extremada e buscar concretizá-la, a tendência é ficar mais distante afetivamente da família, assim como se houver dedicação integral à família, maior será o vazio em relação à profissão.

Escolher e ser feliz importa, de antemão, ter consciência do ato. A humanidade escreve sua história através das escolhas que faz. Em relação à vida profissional e à família não é diferente. É preciso que a mulher tenha sensibilidade para entender o que é prioridade nos diversos momentos de sua vida.

Ao entender que as prioridades se alternam, será mais fácil, para a mulher, aceitar eventuais perdas profissionais em alguns momentos e se dedicar mais ao trabalho em outros. O equilíbrio não é fácil, mas quando encontrado é o meio mais seguro para a satisfação da mulher na sua integralidade. Provérbios 14:1 diz que “A mulher sábia constrói o seu lar, mas a que não tem juízo o destrói com as próprias mãos”.

É importante que a mulher, em especial a cristã, demonstre sabedoria na busca pelo equilíbrio quando se trata de profissão e família.

Por: Dsa. Margareth Alves Rebouças Covre na edição 60 de O Clarim