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Uma das drogas mais devastadoras para o organismo humano é o crack. Classificada como droga ilícita, cerca de cinco vezes mais potente que a cocaína, arrebanha milhões de usuários e destrói a sociedade, a família, a dignidade e a saúde de seus usuários. Mas, será que as drogas consideradas lícitas não podem fazer um estrago compatível ao que faz as drogas ilícitas?

O álcool, uma droga lícita, é considerado a droga mais antiga da história. Em 2012, o Brasil chegou ao ranking de 17º lugar no mundo com o consumo de 62 litros de cerveja por ano, por habitante.

Em paralelo a este cenário, a mulher tem uma história de conquistas, alcança expressiva participação política, mercadológica, educacional, social, mas toda essa luta tem levado muitas mulheres à exaustão. Algumas buscam alívio na bebida. O aumento do consumo nocivo de álcool por mulheres preocupa, não somente a nós, mas aos profissionais da saúde e à sociedade, por isso é tão importante falar sobre esse assunto.

A Revista Veja publicou uma matéria que alerta as mulheres: hoje somos o grupo que representa maiores riscos em relação ao alto consumo de álcool em um curto período de tempo, o chamado beber em “binge”. O termo em inglês caracteriza a ingestão de quatro unidades ou mais de bebida, para mulheres, e cinco unidades ou mais, para homens, em um período de duas horas.

A pergunta que não quer calar: por que a mulher tem bebido tanto?

Para o coordenador do Lenad – Levantamento Nacional de Álcool e Drogas e professor da Unifesp, Ronaldo Laranjeira, uma das hipóteses está relacionada à publicidade. Ele também considera o progresso das classes emergentes, que já investia em bebida e agora, com o aumento da renda, acaba bebendo mais.

Tem ainda a questão do posto de trabalho alcançado pelas mulheres: quanto maior o posto, maior o contato com álcool, em jantares, happy hours e confraternizações.

Vale dizer que o álcool não faz fronteira para a idade, o consumo cresce entre adolescentes, jovens e também entre mulheres na faixa dos 40 a 50 anos.

O que não falta nesse jogo de sedução são elementos para que, cada vez mais, a mulher mergulhe nesse mar de águas destiladas e afogue suas mágoas e temores. O que a imagem ou o sabor não revelam é onde pode levar o fim do primeiro ou último gole.

Consumo excessivo entre os cristãos é uma realidade

Infelizmente, muitos cristãos cederam à sedução da bebida alcoólica, aderindo à prática do consumo em excesso. Os cristãos ainda divergem sobre o assunto: há os que bebem eventualmente, e combatem os que pensam diferente deles; há os que bebem eventualmente, e combatem os que pensam diferente deles; há os que bebem em algumas circunstâncias e com moderação; e os que condenam, sob qualquer hipótese, o consumo de bebida alcoólica. Outra opinião importante é a do escritor presbiteriano Hernandes Dias Lopez.

“O tema sempre será delicado, e por isso devemos tratá-lo biblicamente, mas nunca na base do ‘pode ou não pode’. Este é um caminho que pode construir uma ética farisaica e uma espiritualidade rasa”.

Para Hernandes, há uma dificuldade bíblica em se fazer uma defesa radical pela abstinência, de maneira que a questão deve ser ponderada. Ele lembra que a ética cristã não se baseia somente no direito ou na consciência de cada um, mas no direito do outro e no amor ao próximo.

“Dessa maneira, não se pode fechar os olhos para a realidade de tantas tragédias pessoais decorrentes da bebida e das perspectivas da juventude brasileira, que está sendo consumida pelo álcool”.

Hernandes alerta que as igrejas nem precisam olhar para fora para constatar a imprudência no consumo do álcool, mas atentar para a secularização vista nas congregações hoje:

“Tenho ido a casamentos de crentes a cujas cerimônias seguem-se festas suntuosas regadas a todo tipo de bebida. O que se passa é que, no fim da festa, até mesmos cristãos são vistos saindo desses repastos com as pernas bambas”.

Se beber pouco ou muito é motivo de escândalo para um irmão, acrescenta Hernandes, “então eu devo abster-me de beber”. Princípio, segundo ele, que deve nortear qualquer atitude do crente.

Outra consideração importante sobre o assunto é feita pelo pastor e escritor promessista, Valdeci Nunes de Oliveira, que encontra no livro de Provérbios a instrução para viver uma vida com equilíbrio, no que diz respeito ao consumo de bebidas.

“O vinho pode ser, para muitos, apenas o ponto de partida. Depois do vinho, podem vir a cerveja e outros tipos de bebida. É sabido que a bebida, como as demais drogas, gera dependência, isto é, condiciona o comportamento e induz à escravidão. O servo do Senhor não pode se deixar levar por essas coisas; antes, deve atender ao que diz a palavra de Deus: O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio (Pv 20:1). A Bíblia nos ensina a andarmos com sabedoria: “Andai com sabedoria para com os que estão de fora” (Cl 4:5); e mais: “Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja” (Rm 13:13). Nossa responsabilidade, diante de Deus, não é apenas pessoal; é social também (Gl 5:21).”

A Bíblia traz muitas orientações sobre o assunto e podemos citar os conselhos do apóstolo Paulo às igrejas de Corinto e Éfeso:

“Tudo é permitido, mas nem tudo convém. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica”(1 Co 10.23, NVI).

“Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada me domine” (1 Co 6.12, NVI).

“Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito” (Ef 5.18, NVI).

Isaías também alerta os beberrões: “Ai dos que se levantam cedo para embebedar-se, e se esquentam com o vinho até à noite.” Is 5.11 (NVI)

A despeito do posicionamento dos cristãos frente ao consumo excessivo de bebida alcoólica, ou ainda da realidade que cerca o universo feminino nos dias de hoje, a mulher cristã sábia deve ponderar suas escolhas e seguir o exemplo de Ana, que derramou sua alma diante do Senhor e alcançou graça na prática da oração.

Por: Dsa. Maristela Montanheiro de Paula na edição 61 da revista O Clarim