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Já assistiu The Big Bang Theory ou Godless? Ou, quem sabe, Game of Thrones? No Brasil, a febre por séries começou com Friends, ainda que tenham existido várias outras antes dessa. Além de assistidas, são acompanhadas por meio de grupos de discussão nas redes, geram torcidas apaixonadas pelos personagens e têm opções para todos os perfis (nerds, românticos, políticos) ou temas (terror, ficção científica, drama e muito mais).

Por conta de outras prioridades, não consigo assistir a nenhuma com regularidade, mas gostei do que vi em Westworld, pela discussão que abre quanto à inteligência cognitiva e seus  desdobramentos, sobre a possibilidade de um descontrole dessa tecnologia, quando a máquina ganha “vida” e torna-se senhora de si e uma ameaça para a humanidade. E aí, séries são boas ou ruins? Essa moda veio para ficar? E você, quais você gosta ou assiste? Séries são uma tendência de um mundo globalizado e digital. Temas abrangentes, personagens cativantes, roteiros bem amarrados que apresentam a realidade e a ficção com qualidade cinematográfica. As redes sociais são propulsoras de seus conteúdos. Sem contar, a possibilidade de assistir a qualquer hora em qualquer dispositivo.

Como as novelas brasileiras e filmes hollywoodianos tiveram seu auge, séries são produtos culturais dos novos tempos e contextos que vivemos. Tem muita coisa ruim, como ocultismo, práticas de feitiçaria e temas depressivos, como 13 Reasons Why, que foi largamente discutida por psicólogos, sociólogos, teólogos, pelo potencial de impactar negativamente pessoas que pensam em suicídio.

Tem coisas boas? Penso que sim: oferecem um perfil sobre a maneira de pensar das novas gerações, apresentam discussões sociais, econômicas e políticas interessantes, a sociedade e sua ambiguidade quanto aos valores (honra, poder, cobiça, ambição e caráter, como em House of Cards).

A maior série já contada

Outro detalhe que salta aos olhos do observador mais atento: as séries são um espelho e também uma busca por significados para muitas pessoas. Explico: muitos se projetam nos personagens e nas histórias, pois encontram o poder que não tem, a coragem e a moral que lhes falta, a fidelidade e a resiliência que não conseguem apresentar na própria vida.

Isso tem um lado ruim? Sim. Mas quero destacar também o lado bom: o ser humano tem dentro de si um desejo intenso de superar suas misérias, fraquezas e seduções. Os heróis modernos são, muitas vezes, ambíguos, mas estão lá, na maioria deles: o senso de justiça, a busca pela autenticidade, a coragem e a disposição de se sacrificar pelo bem maior. Em uma sociedade pluralista isso é um total contrassenso. Qual a base de justiça, de autenticidade, coragem ou sacrifício pelo bem que não seja a tal da verdade absoluta rejeitada?

As séries estão aí, contendo boas ou más lições, e elas revelam, mais uma vez, a verdade da Escritura Sagrada, o livro da maior série já contada: a saga do Deus Criador, de seu Filho Jesus e do Espírito Santo. Independente do formato, seja no cinema, na televisão, na Netflix ou em qualquer outra plataforma a ser inventada, uma história contada precisa de uma referência: o transcendente, pois Deus “…também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim, este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez” (Ec 3.11).

A busca pelo eterno, por entender e viver coisas profundas, o anseio por mais do que nossas limitações… Somos sopro de Deus, queremos nos encontrar com ele de novo. As séries não farão isso, portanto, ainda que você assista alguma, entenda que esse desejo interno por algo a mais encontra resposta real e significativa somente quando buscamos a Deus e nos conectamos à sua história, ao roteiro revelado na sua Palavra por meio de Jesus Cristo, o personagem que devemos ter como alvo por toda a vida!

Fonte: Revista O Clarim edição 70 – páginas 65 e 66