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O desafio de falar apenas o que é bom e no momento certo

Imagine que alguém contou um segredo para você e lhe pediu oração, e quando você vai à igreja resolve falar o segredo, com a desculpa de “quanto mais intercessão, melhor!”. Pense também se, no ambiente de trabalho, você está falando mal de alguém a uma amiga, e esse “alguém” surge bem nesse instante. Outro caso pode ser seu esposo passar por você, num dia de conversa entre amigas, e na frente delas, você o criticar. Ou ainda, você tem o costume de envergonhar seus filhos na frente dos outros.

Pensando nas situações acima mencionadas, falar as palavras certas, em quantidade certa e no momento certo é um desafio! Ainda mais nos tempos em que vivemos, onde todos são chamados a dar opinião a respeito de todas as coisas. Entretanto, às vezes, nossa melhor “opinião” deve ser o silêncio, pois, se ficarmos calados nos momentos certos, com certeza viveremos melhor e proporcionaremos aos outros uma melhor convivência.

Pense no que você tem falado com suas amigas, na empresa em que você trabalha, com a sua vizinha, com o grupo de irmãs da igreja ou com sua família. Como andam suas palavras? Você acha que sempre tem de falar e não consegue controlar o tempo de sua fala ou o que você fala? O que você vai fazer para melhorar?

Efésios 4:29 nos instrui acerca de como devemos lidar com nossas palavras: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”. Que tal analisarmos algumas palavras para compreendermos melhor esse texto?

A primeira palavra é torpe e é interessante o significado dessa palavra no grego bíblico, ela significa: podre, sem valor, mau, corrupto . Nenhuma das nossas palavras deve transmitir morte, coisas sem valor, de duplo sentido ou maldosas. Nada de fofoca, difamação: …que nenhuma palavra inconveniente saia da boca de vocês (EP). Nada de ficar falando do cabelo da irmã, de ridicularizar as roupas das suas amigas, nada de falar do marido das outras ou de ficar maldizendo seus filhos, ou até de coisas menores, como falar da comida feita pelas outras.

Outra palavra que merece destaque e orienta a igreja sobre como deve ser o seu linguajar é a palavra edificação, que é a tradução da palavra oikodome e significa “(…) o ato de edificar. Em o Novo Testamento, apenas metaforicamente: uma edificação na fé, progresso, progredir na vida com Deus (…)” . Nossas palavras devem gerar crescimento a quem ouve. Não devemos insistir em falar aquilo que destrói, que machuca. Ao contrário de perder tempo em “derrubar” a vida das pessoas, devemos ter boas palavras, que constroem e geram vida.

Nossas palavras devem ser ditas só quando houver necessidade. No texto em estudo (Ef 4:29) encontramos a expressão: conforme a necessidade. É justamente essa palavra destacada do texto que queremos analisar. Em Eclesiastes 3, o sábio dizia que há …tempo de calar e tempo de falar (v.7). Já o provérbio bíblico alerta: um bom conselho, dado na hora certa, é como uma bandeja de prata coberta de maçãs de ouro (25:11 NBV). Veja que nem sempre você é obrigada a falar, não se sinta pressionada a dizer quando percebe que não há necessidade.

Quando não falamos o que é “podre”, o que destrói, o que espalha mau cheiro e passamos a falar o que constrói, edifica, e só quando há necessidade, isso produz um bem. Mesmo quando fere, são feridas de amor, são feridas para crescimento, tais quais foram as do Senhor (Pv 27:6). Nossa boca deve ter o brilho das palavras de Deus. Devem transmitir força ao cansado e levantar os abatidos (Is 50:4). O resultado de um linguajar assim é: …graça aos que ouvem (Ef 4:29). A Bíblia “A Mensagem” diz: “Cada palavra de vocês deve ser um presente”.

Quando você fala, que tipo de presente você tem dado às pessoas que a ouvem? Se você é uma pessoa exageradamente negativa, como aqueles que a ouvem têm sido influenciados? Se você tem abusado em falar mal dos outros, o que as pessoas acham de você? Se palavras de orgulho têm tomado conta de suas conversas, que imagem da sua pessoa tem aqueles que a conhecem? É hora de pensar, refletir e mudar, pois com a graça de Deus isso é possível!

Não há como falar das palavras que chegam à boca sem falar da mente, dos pensamentos, do coração. Há uma ligação entre boca e coração . Jesus mesmo disse: “A boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12:34). Na Nova Bíblia Viva encontramos a continuação desse texto da seguinte forma: A palavra de um homem bom revela os ricos tesouros do seu íntimo. Um homem de mau coração está cheio de veneno e sua palavra revela isso (Mt 12:35). E um estudioso concluiu: “O que fala a boca é, muitas vezes, o que esteve ocupando os pensamentos por tanto tempo que precisava achar expressão vocal” .

Peça a Deus que a mude. Pare esta leitura e ore ao Senhor as palavras do salmista: Coloca, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta de meus lábios (Sl 141:3 NVI). Volte a presentear as pessoas com as palavras de sua boca. Volte a distribuir dádivas, com frases que saem do seu interior, de sua alma, de seu coração encharcado com a graça de Cristo.

Ms. Andrei Sampaio Soares é colaborador do Departamento de Educação Cristã da IAP e congrega em Vila Augusta (SP).

Fonte: Revista O Clarim, edição 61, págs 34-37

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