Graça sem limites

“Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo Senhor que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai” – Josué 2:12.

Raabe vivia numa casa sobre o muro de Jericó. Ela devia ter uma bela vista não só da cidade, como também da área que ficava fora dos muros protetores. Essa visão pode ter-lhe sido muito útil para cuidar de seu negócio de prostituição, pois lhe dava a posição vantajosa para reconhecer prováveis clientes quando entravam e saiam de Jericó.

Além de entreter os homens da cidade, Raabe recebia hóspedes das várias caravanas, cujas rotas passavam por Jericó. Homens de todo o Oriente levavam notícias de uma multidão acampada a leste do Jordão. Raabe ouviu histórias maravilhosas sobre os feitos do Deus dos israelitas: como ele secara o Mar Vermelho, a fim de que pudessem escapar dos feitores de escravos egípcios e como lhes dera vitória na batalha contra Seom e Ogue, dois reis dos amorreus. Durante quarenta anos, o Deus dos israelitas os havia treinado e fortalecido no deserto. Tais rumores espalharam o terror em Jericó.

Raabe era inteligente e sábia. Percebeu a aproximação do juízo sobre a cidade onde morava e conseguiu inventar um plano de fuga para ela e para toda a família. No momento em que soube o que Deus fizera para os israelitas, decidiu participar da sorte deles arriscando a vida num ato de fé.

Josué enviou dois espiões a Jericó, a fim de sondar seus segredos. Os espiões logo descobriram a casa de Raabe, onde  ela os escondeu debaixo dos talos de linho que secavam no telhado.

Tão logo os homens do rei partiram, ela correu para o telhado e depressa avisou os dois hospedes.

– Bem sei que o senhor vos deu esta terra, e que o pavor que infundis caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desmaiados.

Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo Senhor que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai e a minha mãe, como também a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que tem e de que livrareis a nossa vida da morte.

A história da Raabe revela a disposição de Deus para usar os imperfeitos, os rejeitados, os que podemos considerar inadequados para executar seus propósitos santos. Deus escolheu um gago para ser seu porta-voz (Moises), um fraco para defendê-lo (Gideão), uma mulher estéril para ser mãe de uma nação (Sara), um filho mais moço de quem ninguém da família sequer lembrava para ser o rei inesquecível de seu povo (Davi), uma jovem desconhecida para ser mãe de seu filho (Maria) e um perseguidor de cristãos para levar o evangelho às nações (Paulo).

A história de Raabe é dramática. Ela nos mostra que a graça de Deus não aceita limites. O cordão vermelho que salvou Raabe e sua família lembra o sangue de Jesus, e as palavras de Isaías “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (Is 1.18 ). Raabe colocou sua fé no Deus de Israel e não ficou decepcionada.

Deus não espera que sejamos sem defeito algum, nem que cheguemos ao pleno amadurecimento na fé para nos usar. Em vez disso, ele toma pessoas comuns, de boa vontade, e realiza o extraordinário, como fez com Raabe, Deus promete nos usar e, mediante essa experiência, nos aperfeiçoar.

Dsa. Maria Vilma de Carvalho Andrade – Segunda Diretora Resofap Paulistana Leste

Fontes de pesquisa:

Bíblia Sagrada

Ann Spangler/Jean Syswerda – “Elas” – Editora Mundo Cristão