Folhas de figueira não resolvem

Diante do erro, sempre temos dois caminhos, mas apenas um é restaurador

 

A história da humanidade começa em Gênesis, com Adão e Eva. Quando lemos os capítulos iniciais da Bíblia, vemos as dificuldades enfrentadas pelo primeiro casal e seus filhos, depois da Queda. Lá observamos momentos de tensão, erros, discordâncias, culpas e remorsos.

Tudo era lindo e maravilhoso, mas então: “…viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.” (Gn 3.6) Estava consumado o pecado que trouxe consequências para toda a humanidade. Para a mulher, as dores na gravidez e no parto, o trabalho exaustivo para o homem e finalmente a expulsão do Jardim do Éden.

O ato seguinte ao pecado foi uma tentativa desesperada do casal de “tapar o sol com a peneira”: “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” (Gn 3.7)

Apesar dos erros e das dificuldades enfrentadas pelo primeiro casal, também observamos que Deus foi fiel a sua criação e tomou uma providência restauradora, providenciando pele de animais para vesti-los (Gên. 3:21), substituindo a precária roupa de folhas de figueira que eles haviam preparado, quando se perceberam nus diante de Deus. Além de cobri-los, o gesto divino prefigurava o sacrifício de Jesus, restaurando a comunhão entre Adão e Eva e o Criador.

Este relato nos faz lembrar que também erramos, podendo experimentar sentimentos amargos. Temos sempre, então, alguns caminhos. Um deles é a solução paliativa, superficial e provisória, quando não praticamos o diálogo sincero com Deus, quando não assumimos nossos erros, tentando encobrir o nosso pecado, em vez de confessar. Tentamos usar o “faz de conta”, que não funciona com Deus. Este caminho é ilusório e não nos liberta do remorso advindo pelo pecado.

A solução definitiva diante do erro é confessá-lo a Deus e abandoná-lo. Deus conhece nossas fraquezas e limitações, mas quando confessamos diante dele isso nos dá a exata dimensão do erro cometido, o que nos ensina a não praticá-lo novamente no futuro. Além disso, é nesse abrir o coração que experimentamos o maravilhoso perdão do Pai, que nos enviou Jesus, reconciliando-nos com Ele. Não mais com uma veste precária, feita com folhas de figueira, mas com o seu amor revelado em Jesus, que nos abriga, aquece e restaura.

Pr. Aldo de Oliveira é diretor do Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral e congrega na IAP em Vila Maria (SP).