Esse não é um adeus

“Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá” – João 11.25 (NVI) 

A morte de uma pessoa querida é uma experiência muito dolorosa que alguém pode passar. Mesmo para aquelas às quais dizemos: “descansou” ou “foi melhor assim”. Um acidente, um assalto, uma mudança inesperada, uma demissão ou uma doença, muitas vezes, são experiências dramáticas. Mas a morte é a pior porque avassala, esvazia, não se explica, e em número maior do que imaginamos, adoece. O luto emocional demora e com o tempo suaviza, a vida continua, mas na verdade, não passa.

Lázaro adoeceu e mandaram um recado para Jesus. O recado era simples e direto: “Senhor, aquele a quem amas está doente”.[1] Jesus amava Lázaro e suas irmãs.[2] Ele era amigo. As irmãs sabiam pelo jeito que Jesus os tratava. As estadias de Cristo no lar deles foram especiais.

Ao receber o recado, Jesus revela que aquela doença não era para a morte, mas para a vida, para que fosse glorificado por meio dela.[3]

Ele demorou até o momento que disse: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou até lá para acordá-lo”.[4] “Seus discípulos responderam: Senhor, se ele dorme, vai melhorar”.[5]  Ele então esclarece: “Lázaro morreu”.[6] Para nós a morte é inexplicável, porque fomos feitos para viver, no entanto, para o Senhor, ressuscitar é tão simples como o despertar de um sono. Na verdade, o estado da morte é um sono.[7]

Jesus demorou quatro dias para chegar à Betânia:[8] Por que demorou? Demorou porque Ele é soberano e vem a hora que quer e sabe o tempo certo. Ele demorou porque tinha um projeto maior que era anunciar a própria ressurreição. E, demorou ainda, para mostrar-nos que a morte não é um adeus, um ponto final na existência.

A morte desnorteia. Ao chegar em Betânia, Marta sai ao encontro e diz: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”.[9] “Disse-lhe Jesus: O seu irmão vai ressuscitar”[10]. “Marta respondeu: Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição no último dia”.[11] Jesus pronuncia mais um “Eu Sou”, que o identifica com Sua Messianidade, Sua Divindade, com o nome “Iavé”[12] revelado no A.T. e completa em Cristo, como Autoridade Suprema, Auto Existente e completo em Si mesmo. “Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá. ”[13] Ele é a única fonte de vida, a única razão da vida, o único referencial em termos de ressurreição e vida eterna. Ele deu a vida na cruz e recobrou-a na ressurreição.[14]

Com Maria as palavras começam semelhantes, mas como ela se prostra,[15] Ele não dialoga, mas pergunta onde o colocaram?[16] Depois Jesus “chora”.[17] Porque Ele chorou? Chorou porque era verdadeiramente homem, foi empático, sentiu a dor dos Seus amigos, porque a morte é trágica, dói até no coração de Deus – Sl 116.15, e é o último inimigo a ser vencido.[18]

No túmulo de Lázaro, pede que a pedra seja retirada. Marta diz: “Já cheira mal, faz quatro dias”.[19] Jesus afirma: Não lhe falei que, se você cresse, veria a glória de Deus?”[20] Ele faz uma oração de gratidão[21] e brada em alta voz: “Lázaro venha para fora”[22] e ele ressuscitou.[23] Jesus não disse adeus para Lázaro, mas Àquele que chamou a existência o que não existia antes da criação, devolveu a vida a este amigo Seu.

Lázaro significa: “Deus te ajudou”. Deus ajudou mesmo para mostrar que quando um Filho (a), ou se preferir amigo (a) Seu, vai para a sepultura, a última palavra não é adeus, mas um até breve, porque vai busca-lo (a), onde estiver, até mesmo no escuro abismo da morte.

 

Elias Alves Ferreira

[1] João 11.3

[2] v.5

[3] v. 4

[4] v. 11

[5] v. 12

[6] v. 14

[7] Daniel 12.2

[8] v. 17

[9] v. 21

[10] v. 23

[11] v. 24

[12] Êxodo 3.14; Jo 8.58; 6.35; 8.12; 10.9; 10.11; 11.25; 14.6; 15.1.

[13] João 11.25

[14] João 10.18

[15] v. 32

[16] v. 34

[17] v. 35

[18] 1 Co 15.26

[19] Jo. 11.39

[20] v. 40

[21] v. 41, 42

[22] v. 43

[23] V. 44