Entrevista de emprego

A ansiedade pode ser controlada com um bom preparo e a certeza de que Deus é soberano em todas as situações

Embora a presença das mulheres em atividades fora do lar tenha sido crescente após a Revolução Industrial, no século XIX, registros bíblicos e extrabíblicos confirmam que elas sempre contribuíram com a sociedade, prestando os mais variados serviços.

Na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, encontramos mulheres que fizeram a diferença em seu tempo. Como exemplo, temos: Débora, a notável juíza em Israel (Jz 4, 4-5); a costureira Dorcas (At 9.39); Lídia, a bem-sucedida comerciante da indústria têxtil (At 16.14); a versátil Priscila, que além de auxiliar seu marido no negócio de fabricação de tendas, tinha ativo envolvimento no ministério cristão (At 18.18; Rm 16.3; 2Tm 4.19). Além destas, não podemos nos esquecer da mulher virtuosa de Provérbios 31, aquela que, segundo o pastor Hernandes Dias Lopes, “tem uma ampla visão de negócio”.

Em seu livro Mulher nota 10, o autor cita que, atualmente, 70% das mulheres têm alguma atividade fora do lar. Ele também reconhece que as mulheres entraram de vez no mercado de trabalho, em um caminho sem retorno, e que estão presentes em todas as frentes da sociedade: na política, na educação, na ciência, na justiça, na indústria e no comércio, conquistando cada vez mais espaço.

Se já temos um verdadeiro exército de mulheres no mercado de trabalho, as pesquisas indicam que a tendência é o aumento do contingente. Os motivos são inúmeros. De um lado, a necessidade de aumentar a renda financeira das famílias, a busca pela independência financeira da mulher em relação ao marido e a satisfação em utilizar dons e talentos concedidos por Deus. De outro, a falta de profissionais no mercado de trabalho, a melhor qualificação das mulheres (em geral, elas têm mais anos de estudo do que os homens) e, não temos como deixar de mencionar, uma mão de obra mais barata (as mulheres ainda ganham menos que os homens em funções e com qualificações semelhantes, o que é de se lamentar).

Fato é que, neste momento, muitas mulheres estão em busca do seu primeiro emprego ou buscam novas oportunidades de trabalho. Mulheres virtuosas, guerreiras, que desejam agradar a Deus em todas as áreas de suas vidas, inclusive no trabalho. Mulheres sábias que entendem que o Senhor tem poder para abrir e fechar portas segundo o seu querer. E que compreendem que o fato de Deus ser soberano não exime o ser humano de suas responsabilidades e se dedicam em todas as suas atividades com excelência, como para o Senhor (Cl 3:23).

A essas mulheres, desejamos ousadia do Espírito Santo para que não tenham medo dos desafios. Podemos servir a Cristo com o nosso trabalho, proclamar Jesus por onde pisarem a planta de nossos pés, ser sal, o bom perfume. Podemos e devemos colocar diante de Deus as oportunidades que surgem em nossa vida, inclusive a de um emprego.

Quanto mais conhecemos da Palavra de Deus, mais temos certeza de que o melhor para nossas vidas é estar no centro da vontade de nosso Senhor.

Quando estamos no local no qual ele deseja que estejamos, desfrutamos dos seus benefícios, dos seus cuidados, da sua paz, até quando surgem os obstáculos, conflitos e frustrações.

Salomão nos encoraja, no capítulo 16 do livro de Provérbios, a ter uma vida de sabedoria, submetendo nossos planos ao querer de Deus: “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor” (v.1). Na linguagem contemporânea da Bíblia A Mensagem, o autor ainda nos alerta: “O homem fica satisfeito com o que lhe parece bom, mas o que é realmente bom só o Eterno pode avaliar” (v.2). E continua no v.3: “Entregue ao Eterno o comando do seu trabalho e o que você planejou dará certo”.

Quase sempre, as pessoas ficam muito tensas diante dessa experiência, podendo ser prejudicadas pela falta de informação e de preparo adequado para o momento da seleção.

De início, quando estivermos diante de uma determinada oportunidade, devemos orar e jejuar, para discernir qual a vontade de Deus para nossas vidas. Em seguida, podemos oferecer o nosso melhor ao Senhor, observando algumas dicas compartilhadas a seguir.

  1. Antes da entrevista, é importante:
  • Estar ciente que no processo seletivo não apenas a contratante está analisando o candidato a uma vaga para uma tomada de decisão, o candidato a emprego também tem a oportunidade de conhecer mais sobre a contratante e fazer sua escolha por determinado trabalho ou não.
  • Compreender que o entrevistador não é um oponente a ser vencido. Pelo contrário, assim como você, ele anseia preencher a vaga o quanto antes. O entrevistador tem vários fatores para analisar. Não ser aprovado em um processo seletivo não significa incompetência. Somente que o candidato pode não apresentar o perfil solicitado para determinada vaga, em determinado momento.
  • Preparar-se relacionando as possíveis perguntas que poderão ser feitas e tentar respondê-las. O entrevistador proporá questões buscando identificar, principalmente em fatos passados, seus conhecimentos, suas habilidades e capacidades para o trabalho. O importante não é se mostrar perfeita, mas demonstrar capacidade de superação e aprendizado. É possível que o entrevistador (entre outras perguntas) questione sobre suas expectativas e o porquê se interessou pela vaga.
  • Manter-se atualizada. Quanto mais capacitada você estiver e com melhor autoconhecimento, mais possibilidade terá de colher um bom resultado em uma entrevista de emprego. Você terá parâmetros melhores para analisar as condições da vaga e mais facilidade para alinhar as expectativas. Conhecer seu próprio perfil, ter objetivos na vida, saber o ponto em que quer chegar, reconhecer seus recursos e limitações aumentam a chance de se sentir segura na entrevista e aproveitar a oportunidade.
  1. Durante a entrevista
  • Mantenha sua atenção nas informações transmitidas pelo entrevistador e nas perguntas por ele realizadas. Não tenha vergonha de solicitar esclarecimentos, caso necessite.
  • Procure ser assertiva em suas respostas, respondendo apenas o que lhe foi perguntado. Utilize a linguagem adequada para a situação (formal) e evite os erros de português. Escolha as palavras que melhor expressem sua experiência e expectativas. Não seja muito sucinta nem muito detalhista. Evidencie nas respostas qual é a sua capacidade em assumir responsabilidades e responder pelos compromissos assumidos. Dê exemplos.
  • Seja espontânea. Mostrar-se de forma natural e transparente permitirá um melhor alinhamento de expectativas. Algumas pessoas acreditam que vale a pena adequar o discurso para aquilo que o entrevistador deseja ouvir. Cuidado: vender uma imagem que não será possível manter trará problemas para ambas as partes.
  • Cuidado com os comentários a respeito de lugares e pessoas com quem conviveu (ex-colegas de trabalho, ex-líderes, ex-empregadores) para que não sejam vistos como comportamento antiético.
  • Quanto ao salário e benefícios, deixe claro quais são suas expectativas, mas tenha cuidado para não transparecer demasiado interesse apenas pelos ganhos financeiros. Demonstrar interesse e compromisso com o aprendizado é bem vindo. Procure, também, esclarecer quais as perspectivas de crescimento que terá.
  • Quando o assunto for o motivo dos desligamentos dos empregos anteriores seja honesta. Porém, não entre em detalhes que possam não ficar claros em uma breve entrevista. Em geral, é um momento que gera ansiedade e vários outros sentimentos, negativos ou positivos, dependendo do histórico dos desligamentos.
  • Faça suas perguntas no final da entrevista ou no momento que o entrevistador indicar ser adequado. Fazer perguntas inteligentes, baseadas em pesquisas prévias e observações sobre a contratante ou o trabalho é sempre positivo. Demonstra interesse pela vaga e maturidade.
  1. Depois da entrevista

Logo em seguida, você pode enviar uma carta ou e-mail, agradecendo a oportunidade da entrevista, caso julgue pertinente.

Aguarde um novo contato da organização e só ligue para saber o resultado da entrevista após o vencimento do prazo fornecido pelo entrevistador.

Tire seus aprendizados dessa experiência e continue confiando a Deus os seus planos, entendendo que a dependência dele é o melhor caminho a seguir e compreendendo que podemos fazer nossos planos, mas Deus tem o controle de tudo e sabe o que é melhor para nós.

Por: Dsa. Lilian Gava

Fonte: Revista O Clarim, edição 62 – págs 63-66

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