Ciência & Fé – parte III

A Bíblia e a História (com h mesmo!)

Não vemos em qualquer criatura ou “coisa” criada, falta de objetivo. Quando Deus define cada tipo de célula, cada proteína com funções específicas, para cada detalhe há um objetivo. Então podemos nos perguntar: “qual é o objetivo da Bíblia?”. A resposta pode ser longa ou não. Depende de seu “grau” de teologia. Mas posso afirmar que não é objetivo da Bíblia provar a existência de Deus. Não é a Bíblia que prova a existência de Deus e sim Sua criação (Salmos 66:5, Salmos 104:24, Isaías 41:20-21, Efésios 2:10 e muitos outros). Também não é objetivo da Bíblia ensinar ciência para seus leitores. No entanto, algo salta aos olhos quando a lemos: sua historicidade, sua riqueza de detalhes ao descrever a história, a veracidade das profecias que se enlaçam com a história da humanidade!

Isso fica evidente em vários textos que são precisos com a história em datas, locais e nomes que são compatíveis com as evidências da arqueologia, antropologia, geologia e outras áreas de pesquisa. Aí tenho que citar um texto de Samuel: “a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam” (II Samuel 22.31). O texto bíblico sempre passa no teste! A Bíblia trata de eventos do passado, relata eventos que ocorriam no momento em que ela foi escrita e ainda nos prepara sobre questões futuras. Nenhuma literatura conhecida tem esta integridade.

Para falar de algo bem direto, temos a profecia de Isaias 45:1 que cita 140 anos antes a unificação dos Medos e Persas por um decreto de Ciro. Foi exatamente assim que aconteceu e este momento é conhecido pela história (se você quiser pode conferir). Mas podemos ir ainda mais longe: o Eden. Quando Genesis o cita dá indicações claras de sua localização. Fala dos rios que nascem nele (Tigre, Eufrates, Giom e Pisom). Os dois primeiros ainda fluem na Asia Ocidental. Os outros se secaram. Mas tem um detalhe na descrição de Genesis 2:11-12: “O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom”. Estudos recentes localizaram o leito do rio Pisom, exatamente através da descrição “onde há ouro”. Esta região é conhecida hoje como “berço do ouro” e está localizada na região do Irã.

São muitos os relatos de civilizações que combinam plenamente com as descrições feitas pela arqueologia e antropologia modernas. Só pra citar um ponto, grande parte dos historiados coloca o berço da civilização na região chamada de Crescente Fértil no Oriente Médio. A Bíblia coloca o Eden exatamente neste ponto! A ciência tem mostrado quase que diariamente, descobertas sobre a inteligência das civilizações pré e pós-diluvianas. Cada descoberta vem se encaixando no relato bíblico. Mais um exemplo: Gênesis 4:22 cita um tal de Tubalcaim que era especialista em instrumentos de bronze e ferro. Isso só pode ser loucura né? Pra quem teima em desconsiderar a Bíblia, sim; mas para os que creem, não! São muitas as descobertas de instrumentos da chamada idade de bronze e ferro que corroboram o relato bíblico. A loucura aqui é que a separação do ferro e do bronze de rochas é algo complexo até para os nossos dias!

Para fechar o antigo testamento, preciso citar rapidamente os Manuscritos do Mar Morto. “Sempre houve pessoas que questionaram a confiabilidade das Escrituras. Uma vez que o texto foi copiado e recopiado ao longo dos séculos, os críticos alegam que é impossível saber-se com certeza o que os escritores bíblicos escreveram ou queriam dizer originalmente. Os Manuscritos do Mar Morto invalidam tal hipótese ou suposição no que se refere ao Antigo Testamento. Foram achadas entre 223 e 233 cópias das Escrituras Hebraicas, as quais foram comparadas com o texto atual. O único livro do Antigo Testamento que não foi encontrado nessa descoberta é o livro de Ester” [1].

Pra dar um pulinho no Novo Testamento (e não me estender mais) quero citar Bart Ehrman, um historiador ateu que escreveu “Jesus existiu ou não?”. O livro não fala da divindade de Jesus, mas argumenta e identifica as fontes mais confiáveis oferecendo um retrato convincente do personagem principal no cerne da tradição cristã. Com este novo livro, Ehrman estabelece um critério confiável para qualquer investigação genuína do chamado Jesus histórico. Ele realmente existiu, isso é historicamente provado!

Então tá, fique com isso na cabeça e no coração e até a próxima: “se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus” – Provérbios 2.3-5

 

[1] Peter Colón – Israel My Glory – http://www.beth-shalom.com.br

 

Por: Airton Dias

Diácono na Igreja Adventista da Promessa em Vila Helena, Sorocaba, SP. Graduado em Física e mestre em Ciências de Materiais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Doutor em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pós-doutor em Cronologia e Raios Cósmicos pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professor doutor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Foi secretário da Rumap Oeste Paulista (2005 a 20011) e é o atual secretário da Fumap. Casado com Hélida Maia Vasconcelos Dias.10

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