A MULHER SAMARITANA

Meio dia. No alto, o sol, sem piedade alguma, murchava a pouca vegetação à beira do caminho. E, apesar da inclemência de um calor tão forte, eu precisava de água e nenhum outro horário me parecia tão confortável.

Eu sabia que não era exatamente o tipo de vizinha desejável, para outras mulheres, e, naquele horário, estaria livre de seus olhares acusadores e dos gestos insinuantes dos homens. Afinal, elas já haviam buscado água bem cedo, em grupos, rindo e contando histórias umas às outras. E, agora, todos se protegiam sob seus tetos, aguardando o sol declinar um pouco.

Só eu estava lá e já me habituara àquela rotina solitária.

Porém, aquele dia seria diferente… Quando cheguei ao poço, ele já estava lá. Observei, por suas vestes, tratar-se de um judeu; por isso, julguei que não ousaria dirigir-se a mim: uma mulher samaritana! Qual não foi minha surpresa, ao receber seu pedido: Dá-me um pouco de água?

Assustada, perguntei-lhe: Como podes tu, que és da Galiléia, pedir água a uma mulher samaritana?

Disse-me ele: Ah! Se conheceras o dom de Deus e quem é que te pedes água, tu lhe pedirias e ele te daria água viva. Pois quem beber desta água do poço, tornará a ter sede, mas quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede e terá dentro de si uma fonte a jorrar para a vida eterna!

Seria possível nunca mais sentir sede, nunca mais precisar vir ao poço, nunca mais me desviar das pessoas?!
Dá-me, Senhor, dessa água! Foi, então, que ele tocou no assunto que eu não gostaria de falar: meus cinco maridos. Como poderia ele saber? Era, sem dúvida, um profeta!

Ele, porém, foi diferente: não havia em seu olhar a acusação comum às outras pessoas; pelo contrário: seus olhos, seus gestos e suas palavras eram cheios de amor e perdão. Começou, então, a falar-me de verdades espirituais tão profundas que meu coração tremeu de emoção. Nunca ninguém me falara assim. Suas palavras me fizeram pensar no Messias. Sim, eu sabia que o Messias, um dia, viria, e, quando isso acontecesse, nos anunciaria essas coisas.

Mas eu não havia me dado conta do que estava realmente acontecendo. Foi aí que ele fez a declaração que transformaria toda a minha vida: Eu sou o Messias. Eu, que falo contigo!

É claro que sim! Como eu não percebera antes! Imediatamente, deixei o poço e a água. Uma notícia assim tão grande e boa precisava ser compartilhada.

Venham todos! Eu encontrei o Messias! Venham vê-lo e ouvi-lo!

Na verdade, foi Ele quem veio ao meu encontro! Saciou de uma vez por todas a minha sede, acabou com a minha solidão e a minha tristeza! Eu pertencia agora a uma nova família: a família de Deus. Não era mais uma excluída: era uma filha amada, uma irmã querida; e, com aqueles que também o reconheceram e o aceitaram em Samaria, pude proclamá-lo por toda a vida!