Saúde Da Mulher: Menopausa X Hipotireoidismo

Há grande relação entre menopausa e o hipotireoidismo. Mulheres com sintomas de climatério ou em menopausa são relativamente propensas aos sintomas relacionados com hipotireoidismo, que pode surgir de maneira insidiosa, se não for diagnosticada, pode passar despercebida e, se não for tratada, trará suas consequências.

Como a menopausa e hipotireoidismo modificam a saúde da mulher?

O diagnóstico clínico de hipotireoidismo é de grande dificuldade, sobretudo, em mulheres neste período específico, quando ocorre sobreposição clínica, ou seja, daqueles apresentados pela insuficiência ovariana, podendo ocasionar uma prevalência maior de distúrbios tireoidianos, destacando-se o hipotireoidismo.

A falta de diagnóstico de hipotireoidismo em mulheres climatéricas e menopausadas pode ocasionar aumento do risco cardiovascular, piora das funções cognitivas e da qualidade de vida dessas mulheres.

Antes de entender a relação entre menopausa e hipotireoidismo é importante compreender o que é esta doença e como se manifesta no organismo humano.

O hipotireoidismo é uma síndrome clínica resultante da produção ou ação deficiente dos hormônios tiroidianos, levando a lentificação generalizada dos processos metabólicos no organismo humano, pois os hormônios liberados pela tireoide são responsáveis por uma série de funções orgânicas, garantem que o coração, cérebro e outros órgãos exerçam suas funções adequadamente. Desta forma, hipotireoidismo é uma condição metabólica que leva o organismo à produção reduzida de hormônios da tireoide, a tiroxina ou T4. Este hormônio necessita ser transformado em T3 para ser utilizado pelo corpo humano, quando em falta, podem resultar vários sintomas: baixa disposição, ganho de peso involuntário, sonolência, distúrbios menstruais, sensação de frio, pele seca e áspera, cansaço, fraqueza, constipação intestinal, depressão, bradicardia, distúrbios bipolares, hipertensão diastólica, extremidades frias, apneia do sono, queda de pelos, rigidez musculares, derrames articulares, alterações lipídicas (aumento do colesterol), diminuição da libido e até infertilidade por alterações hormonais entre outros.

A glândula hipófise, localizada na base do cérebro, controla o grau de produção de T3 e T4 pela glândula tireoide por meio de um hormônio chamado TSH (hormônio estimulador da tireoide), quando existe pouco hormônio tireoidiano circulante, a hipófise aumenta a secreção de TSH, dando uma ordem para que aumente a produção de T3 e T4 pela glândula tireoide.

O tratamento ocorre por reposição deste hormônio, que resulta na melhora dos sintomas. O hipotireoidismo pode atingir homens e mulheres de qualquer faixa etária, porém com maior incidência em mulheres, principalmente na menopausa. Ocorre em cerca de 2% nas mulheres adultas, 0,2% em homens adultos e 6% em mulheres acima de 65 anos e 95% com hipotireoidismo primário (tireoidite de Hashimoto), que se revela como a infecção da glândula tireoide, com redução de seu volume e com perda ou diminuição de sua função, sendo importante realizar investigação em jovens com histórico familiar.

No período da menopausa, ocorre a queda da produção dos hormônios ovarianos, contribuindo para o avanço ou até o desenvolvimento do quadro de hipotireoidismo, sendo necessário buscar serviço médico especializado, ginecologista, endocrinologista, clínico geral, além de equipe multidisciplinar, para o diagnóstico e tratamento. Portanto, a prescrição da terapia hormonal é considerada essencial, desde que não tenham contraindicações, tais como: tabagismo, antecedentes de câncer de mama e trombose. Assim, como a reposição hormonal na menopausa é relevante, a reposição dos hormônios tireoidianos é indispensável para evitar o agravamento do hipotireoidismo. Trata-se de um tema de grande importância, principalmente em se tratando da saúde da mulher.

Cabe ressaltar que a prevenção e os cuidados diários com a saúde sempre são necessários em todas as etapas do desenvolvimento da vida, faça consultas regulares e exames periódicos com seu médico, cultive hábitos saudáveis, com exercícios físicos orientados, mantenha os cuidados com a alimentação, descanse, valorize as orientações bíblicas, procure o equilíbrio zelando pela saúde física, mental e espiritual.

A menopausa é uma fase importante e especial da vida da mulher, que deve ser compreendida, desfrutada com zelo, sabedoria, fé e amor.

Mulheres, como é importante valorizarmos a benignidade e o amor de Deus em toda sua profundidade, essência e pureza em nosso ser e podermos reconhecer o quanto avançamos com o Senhor em nossa existência e por sua graça e misericórdia podemos viver, testemunhar e compartilhar desta grande dádiva chamada vida.  Neste sentido, maravilhado, o Salmista declama:

Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho certeza.” (Salmos 139 – 4).

Por: Marinês Laveso de Brito – CRM 86.255 / SP – Médica Ginecologista / Obstetra

 

Referências:

Impacto do Hipotireoidismo entre Mulheres Climatéricas … – SciELO

www.scielo.br/pdf/%0D/rbgo/v21n9/a11.pdf

de AB Tavares – ‎1999 – ‎Citado por 7 – ‎Artigos relacionados

de climatério, assim como caracterizar o risco destas. Impacto do Hipotireoidismo entre Mulheres Climatéricas. Autor: Adriano Bueno Tavares

 

 

https://jornal.usp.br/…/consequencias-do-hipotireoidismo-podem-ser-confundidos-co…

 

12 de fev de 2019 – O Saúde sem Complicações desta semana fala sobre hipotireoidismo com a professora Léa Maria Zanini Maciel, da Faculdade de Medicina

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dados Pessoais:

Marinês Laveso de Brito

Médica Ginecologista e Obstetra

CRM 86.255 / SP

 

Médica Preceptora da Faculdade de Medicina da Unimar – Universidade de Marília.

Membro da FEBRASGO (Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) e da SOGESP (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo)

Membro da Igreja Adventista Promessa – IAP Jd. Planalto / Marília – SP.