Obesidade Infantil

Quem nunca fez elogios ou ouviu alguém referir-se a uma criança “gordinha” com comentários do tipo: que fofa, que bola, tão linda! Quero que a minha seja assim bem “gordinha”.

Realmente a criança “rechonchudinha” tem a sua graciosidade, afinal de contas todas elas têm, independente do peso em que estejam elas sempre serão lindas! Não foi a toa que o próprio Jesus falou: pela boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o perfeito louvor? (Mt 21:16 / 2ª parte). Que beleza elas trazem consigo, beleza que alegra o coração de Deus.

Sentimos, assim, grande responsabilidade quanto à educação destes pequeninos, uma vez que cabe a nós ensinar-lhes o caminho em que devem andar (Prov. 22). Dentro dessa instrução, está também a educação alimentar, que deve começar desde muito cedo, ainda na primeira infância, com as criancinhas de peito. Por exemplo: quando o recém-nascido acabar de mamar o suficiente, saciado, ele dorme, mas de repente pode acordar chorando, a mamãe preocupada corre e… “thummm, enfia o seio quase todo na boca da criança”. Ele não estava com fome, poderia ter sido apenas uma “simples cólica”, susto ou até mesmo vontade de sentir bem de perto o calor gostoso que traz o doce colo da mamãe.

O nascimento de um bebê normalmente gera ansiedade, e, se não estivermos atentos, no desejo de dar-lhe o melhor, cometeremos algumas falhas.

Se não estivermos atentos e livres de ansiedade, que pode nascer junto com a criança, podemos cometer algumas falhas, querendo apenas dar-lhe o melhor.

O leite materno possui todas as substâncias necessárias para o desenvolvimento da criança de 0 a 6 meses, sendo essencial e único alimento necessário a essa faixa etária. Deve-se dispensar até a água durante este período. Se ele não está com fome, não precisa mamar, se assim o fizer, estará estimulando a criança a comer além da sua necessidade, o que poderá causar vício, mania de comer muito e o levar a obesidade.

Quando o bebê encontra-se acima do peso (da curva ponderal normal) apenas com o leite materno, ele não é considerado obeso, pois este excesso de peso não permanecerá, o alerta aquí é para não habituar a criança a tomar gosto por comer demais.

A obesidade infantil está relacionada logo na primeira infância com o desmame precoce e/ou a utilização de farinhas para “engrossar” o leite (de vaca) das mamadeiras, somado a adição de açúcar às mesmas. Diferente do leite materno, o leite de vaca usado nas mamadeiras, contém sódio e gordura em excesso para o bebê. Neste caso, o bebê deve ter uma alimentação inicial baseada exclusivamente no leite materno durante os seis primeiros meses de vida, tendo em mente que quanto mais tempo durar a amamentação, melhor.

Até um ano os bebês tendem a ganhar bastante peso, mas com o aumento de suas atividades, como engatinhar e andar, esse ganho de peso diminui, o que pode causar preocupação aos pais, mas isso é normal, uma vez que o ganho de peso está relacionado à quantidade de calorias ingeridas na alimentação, e a quantidade de energia gasta nas atividades físicas.

O problema começa a ficar sério, quando a criança continua a ganhar peso excessivamente, depois de um ano de idade. Aos dois ou três anos de idade, o excesso de peso antes elogiado, ao invés de agradar, passa a incomodar pais, familiares e a própria criança. Nessa fase, as mesmas pessoas que achavam linda a criança gordinha, passam a dizer que um “regimezinho” agora até que seria bom.

Uma boa maneira de evitar a obesidade infantil, é tomar também, alguns cuidados antes mesmo do nascimento. Pais obesos e com padrões alimentares ricos em gorduras, calorias, sal e açúcar, são fortes candidatos a ter filhos obesos, ou fazê-los obeso com suas ofertas alimentares. A obesidade deve ser prevenida tão logo a criança nasça, pois, o ganho de peso acima do esperado, aumenta o número de células gordurosas e favorece o aparecimento de obesidade no futuro. Obesidade Hipercelular.

É preciso estar alerta para o fato de que, em torno dos dois anos e meio, é que se definem o número de células gordurosas de uma pessoa adulta e, normalmente, uma criança com excesso de peso passa a ter maior número de células gordurosas que uma criança normal. Na fase adulta, tendo maior número de células gordurosas, essa pessoa terá dificuldade em se manter magro. O contrário é verdadeiro, ou seja, as pessoas que possuem menor número de células gordurosas, mesmo que venham a ganhar peso, não serão obesas, já que possuem poucas células que armazenam gordura.
É freqüente os pais desejarem que o filho seja cheio de “dobrinhas”, o problema é que estas “dobrinhas” estejam trazendo problemas dobrados.

Como mencionei, a criança obesa terá grandes chances de ser um adulto obeso e, de fato a questão da obesidade está muito além das preocupações estéticas, crianças obesas podem fazer parte dos grupos de riscos com maiores probabilidades de virem a sofrer, na idade adulta, de distúrbios tais como: a hipertensão, diabetes, doenças respiratórias, transtornos coronarianos e problemas ortopédicos.

Com modernos aparelhos e métodos sofisticados, o profissional pode diagnosticar o grau de obesidade e a quantidade de tecido gorduroso da criança. Detectado o problema, deve ser recomendado um tratamento completo para obesidade, incluindo a dieta alimentar, cardápio específico, horário fixo para as refeições, atividade física e, principalmente avaliar e tratar possíveis problemas emocionais. Atualmente as crianças ficam muito em casa, dentro de seus quartos, sentadas ou deitadas na cama, jogam videogame, navegam pela Internet, assistem a vídeos ou estão ligados na TV e pior, muitas vezes alimentando sua mente com lixos eletrônicos.

Crianças em idade pré-escolar (de 1 a 6 anos), que apresentam apetite exagerado ou uma preocupação acentuada com alimentos, merecem atenção especial, pois, nesta idade, normalmente as crianças não dão muita importância à comida. O apetite começa a melhorar entre os escolares (7 anos) e, aos 8, já é possível encontrarmos a obesidade.

É muito importante os pais terem em mente que mais de 99% das crianças gordinhas não apresentam distúrbio hormonal. Apesar do fator genético ser sumamente importante, em geral a maior causa da obesidade infantil ainda é o erro alimentar. Percebe-se então, que a importância da educação nutricional para a prevenção da saúde é um fato indiscutível. Sabe-se que a alimentação balanceada é responsável por fornecer ao organismo às substâncias nutritivas – os nutrientes – essenciais ao crescimento, à reparação dos tecidos e a produção de energia. Vale então atenção especial para a formação de hábitos alimentares na criança.

“Somos o que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito” (Aristóteles)

Formação de Hábitos Alimentares

A ingestão alimentar da criança sofre inúmeras influências. As mais importantes são: da FAMÍLIA, da propaganda e dos colegas.

A família é a responsável pela primeira e mais direta influência no desenvolvimento de hábitos alimentares. Os pais e irmãos mais velhos determinam, de alguma forma, o padrão alimentar da criança, seja pelo exemplo que representam, seja pelos alimentos que oferecem ou pelo ambiente que proporcionam durante as refeições. Famílias tensas, que têm o costume de levar suas discussões para a mesa de refeições, tendem a influenciar negativamente na alimentação da criança. Da mesma forma, crianças que são alimentadas por babás não orientadas, podem ter acesso apenas a alimentos de mais fácil preparo.

A propaganda, principalmente a televisão, tem um papel decisivo sobre a formação de hábitos alimentares em qualquer etapa da vida. Tem sido observado, recentemente, um aumento no número de crianças com obesidade, aumento dos níveis de colesterol no sangue e hipertensão arterial. Sem dúvida, quanto mais jovem, mais suscetível é a criança aos apelos da propaganda, e a fast food parece desempenhar um papel fundamental na instalação dessas doenças.

Junto com a socialização da criança, os hábitos alimentares tendem a se expandir. Influências das creches, escolas e dos amiguinhos direcionam a seleção e a ingestão de alimentos.

Educação Nutricional

Durante a infância a criança passa por intenso processo de aprendizagem, período ideal para começar a obter informações sobre a alimentação, e isso pode ser feito de forma gradual e muito agradável. A inclusão de noções sobre nutrição nos programas escolares já tem demonstrado resultados positivos.

Em casa, isso deve ser feito com paciência e muita força de vontade, mostrando à elas que são templo, “casinha” , do Espírito Santo, portanto, quer elas comam ou bebam, tem que ser para glória de Deus e assim para a saúde da “casinha”. Mas, como saber que alimentos e que porção deles devem fazer parte da nossa alimentação diária?
Recentemente o Ministério da Saúde apresentou uma proposta do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, referente a um guia de alimentação balanceada. Trata-se do “Guia da Pirâmide dos Alimentos”. A pirâmide apresenta o que se deve comer no dia-a-dia; é um guia geral, e não uma prescrição rígida, e tem como objetivo orientar uma escolha de alimentos saudável e equilibrada.

A orientação básica da pirâmide é a ingestão de uma variedade de alimentos, divididos em grupos, destacando que nenhum dos grupos é mais importante do que o outro. Na verdade, como cada um dos grupos é composto por alimentos que fornecem alguns, mas não todos os nutrientes, todos os grupos devem ser utilizados diariamente. O número de porções dependerá da idade, peso, estatura e atividade física. Vale para crianças e adultos.

Na base da pirâmide encontramos os alimentos que devem fornecer a maior parte das necessidades nutricionais humanas diárias: aí encontramos os cereais e seus derivados: pães, massas, biscoitos. A orientação é de que sejam utilizadas de seis a 11 porções diárias. Uma porção corresponde, por exemplo, a uma fatia de pão ou a meia xícara de arroz preparado ou de massa cozida. A grande variação no número das porções ocorre exatamente pelo fato de a proposta ser uma orientação geral, e não uma prescrição específica.

No segundo nível encontramos alimentos também de origem vegetal, ricos em minerais e vitaminas: as hortaliças (verduras e legumes) e as frutas. As hortaliças devem ser ingeridas numa quantidade de três a cinco porções diárias, sendo uma porção equivalente a uma xícara de vegetais folhosos ou meia xícara de outros vegetais crus e cozidos (legumes). Quanto às frutas, a quantidade diária indicada é de duas a quatro porções, sendo uma porção correspondente a uma fruta de tamanho médio (maçã, banana, laranja ou pêra, por exemplo), meia xícara de frutas de tamanhos variados (abacaxi, melancia, melão) ou meio copo de suco.

O terceiro nível da pirâmide também inclui dois grupos de alimentos, na sua maioria de origem animal. A exceção diz respeito às leguminosas, que são de origem vegetal. Em ambos os grupos, é indicada uma ingestão de duas a três porções por dia. Quanto ao grupo do leite e derivados, uma porção equivale a uma xícara de leite ou iogurte ou ainda a uma fatia média de queijo. No grupo das carnes, cada porção se refere à cerca de 60g de qualquer tipo de carne, a um ovo ou meia xícara de leguminosas cozidas. Os alimentos contidos nos dois grupos deste nível, são boas fontes de proteínas, cálcio, ferro e zinco.

Finalmente, no ápice da pirâmide, encontramos as gorduras os óleos e os doces. Embora esses alimentos forneçam boa quantidade de calorias, oferecem pouco ou nenhum teor de minerais, vitaminas e proteínas, o que os torna nutricionalmente pobres. Devem ser utilizados com moderação e, sempre que possível, devemos escolher os alimentos com baixo teor de gordura, assim como evitar aqueles que contêm muito açúcar, como doces e principalmente refrigerantes, que são ricos em calorias vazias.

Dois aspectos, que não são destacados no Guia da Pirâmide, merecem uma atenção especial: o sal e as fibras. A não ser em alguns casos de hipertensão arterial (pressão alta), não é necessário eliminar o sal da alimentação. Mas é bom lembrar que a maioria das pessoas – tanto adultos como crianças – ingere muito mais sal do que necessita. E aqui vale a dica de evitar colocar aquele “sal a mais” no prato, depois do alimento já preparado, o que algumas pessoas fazem sem sequer provar antes o alimento.

Quanto às fibras, para que haja uma ingestão em quantidade satisfatória, é interessante que, além da utilização dos grupos de hortaliças e frutas, se estimule, sempre que possível, a escolha dos alimentos integrais (arroz, aveia, biscoitos e massas). As fibras, além de outras importantes funções, auxiliam na eliminação de excesso de gordura.

Alerta Fast-Food

A Revista “Vida e Saúde” (edição de novembro de 2004), destaca que o diretor Morgan Spurlock (Super Size Me – A Dieta do Palhaço) decide ser a cobaia de uma experiência: se alimentar apenas em uma rede de restaurantes fast food, realizando nela três refeições ao dia durante um mês. Durante a realização da experiência o diretor fala sobre a cultura do fast food nos Estados Unidos, além de mostrar em si mesmo os efeitos físicos e mentais que os alimentos deste tipo de restaurante provocam para aqueles que tornam dessas refeições um hábito. O Diretor ganhou neste período 11 quilos.

A qualquer sinal de obesidade infantil ou mesmo na ausência dele, vale a pena consultar o profissional nutricionista. Com esses cuidados teremos grande possibilidade de estar fazendo uma alimentação adequada, completa e saudável. Evitando assim, problemas futuros com nossa preciosa “casinha”.

Lembramos que “todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas nos convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.“ 1 Cor. 6:12

Referências Bibliográficas
Bíblia Sagrada
A Revista “Vida e Saúde” (edição de novembro de 2004), pág 32.
Nutrição e Dietética, Ed. Senac Nacional, 1998.

Autora:
Dsa. Cleyse Nascimento de Assunção
Nutricionista