Pergunta insistente

A que hora estamos da noite?
O dia parece tão longe!
Não consigo descansar
Esperando que ele desponte
Mas quanto mais o espero,
Mais demora a chegar.

A que hora estamos da noite?
Não a consigo discernir
Pelo pulsar do meu relógio
Por cada batida sua
Que, incansavelmente, conto
Ele nada sabe de ti
Tuas horas, não sabe medir É curto; e teu pulsar, longo!

A que hora estamos da noite?
Já se foram tantas estações
Sem o nascer do sol!
Faz tempo que ele se pôs
Para dar lugar às sombras
Que me parecem mais longas
Que o tempo em que ele brilhou.

A que hora estamos da noite?
Acordo às escuras
Por incontáveis dias
Sem que a luz apareça,
Como doce surpresa,
Trazendo-me a alegria
E a claridade em que eu veja.

A que hora estamos da noite?
Em manhãs, te descobri
Agora, na madrugada,
Preciso lembrar quem és
Acreditar que estás aqui
E não deixarás que nada
Apague o que sei de ti.

A que hora estamos da noite?
Que tempo é este estranho
Que pulsas em mim?
Não sei por onde andamos
Só tu conheces o caminho
Só tu sabes aonde vamos.

A que hora estamos da noite?
Na primeira das vigílias?
Quem sabe na última!
Logo tua manhã brilha!
Se for daqui a pouco,
Será tanto o meu riso!
Mas, em resposta, nada ouço
E, mesmo calada, grito.

Eudoxiana Canto Melo