Vida de solteiro. Vidão ou não?

O mundo, você sabe, está de ponta cabeça. Faz tempo que o Antigo Testamento registrou o que hoje já está consolidado: o errado é certo e o certo é errado. Valores invertidos, confusos, dispersos e totalmente líquidos vão escorrendo pelas mãos e evaporando em meio aos conceitos que a pós-modernidade impõe.

Uma das transformações impensáveis décadas atrás e que hoje já se posicionou como normal, é a idade limite para o término da adolescência. Quem pode responder? Alguns já afirmam que vai até os 25 anos de idade atualmente. Outros arriscam 30 anos!?! Tente imaginar a quebra de paradigmas para se chegar até este ponto.

A geração passada não via a hora de completar 18 anos, se formar, namorar, noivar, casar, ter filhos, enfim, sair de casa, assumir responsabilidades e usufruir sua independência. A atual geração, no entanto, quer mais é ir ficando em casa, usufruindo da estrutura da família, se eximindo de responsabilidades, fugindo de compromissos e prorrogando o quanto possível o amadurecimento tão necessário para se encarar a vida, resultando em adultos infantilizados.

Para complicar um pouco mais as decisões da moçada, o que eles têm presenciado na sociedade e, infelizmente, também nos ambientes igrejeiros? Mais e mais casais frustrados, insatisfeitos e derrotados. Gente ferida, traída e arrebentada por pecados, fraquezas e pisadas de bola cada vez mais graves. Tudo deixando no rastro dos litígios, crianças filhas de pais separados cheias de inseguranças e medos próprios de cenários assim. Enfim, famílias dissolvidas por total descaso com os significados da palavra “aliança” e, por isso mesmo, famílias que por motivos como o famoso “eu mereço ser feliz” não faz a menor cerimônia em quebrar tais alianças. Alianças que foram seladas com a promessa de se viver juntos até a morte.

Neste contexto de valores invertidos e famílias esfaceladas e enfraquecidas esta geração vai questionando se vale a pena casar, se vale a pena se amarrar numa aliança ou se vale a pena continuar solteiro. Afinal, ouvem de alguns casados que “vidão” mesmo é a vida de solteiro. Para piorar, testemunham ex casados em suas comunidades voltando a se comportar como garotões e garotonas com testosteronas com níveis altíssimos.

Tem um cara na bíblia que entendeu que muita grana e muita mulher não preenche a alma e o coração de ninguém e jamais preencherão uma vida, ele entendeu que a vida tem seus próprios ciclos e eles acontecem de qualquer forma, independente de querermos ou não, ele entendeu que a vida tem seus altos e baixos. Este cara deixou isso claro em Eclesiastes capítulo três, quando foi afirmando em pares de opostos que há tempo pra tudo na vida, tempo de abraçar e tempo de deixar de abraçar, tempo de sorrir e tempo de chorar, tempo de guerra e tempo de paz… Em certo sentido, o sábio e experiente autor de Eclesiastes, num dos textos mais existenciais da bíblia, quer nos fazer entender que devemos nos curvar e saber viver com intensidade e inteligência cada período da vida.

Nesta perspectiva, sim, a fase solteira da vida é sim um “vidão”. Como também o é a fase de recém-casado, de paternidade, de maternidade, de… Enfim, saber viver com gratidão, reverência, obediência e intensidade cada presente que o Senhor nos dá é o segredo para se descobrir o lado “vidão” da vida de todos nós.

Das classificações poéticas que já li e ouvi, a que mais me encanta é aquela que define os anos da juventude como “os anos dourados”. Saber usufruir a beleza e a aventura da juventude é uma das grandes bênçãos da vida e, tristemente, muitos não estão sabendo fazê-lo. Tem muito jovem dando verdadeiros tiros no próprio pé. Embarcar nas propostas deste velho e manjado mundo tem escravizado milhões. A droga, o sexo, o álcool e um sem número de perversidades estão fáceis demais e, assustadoramente, como zumbis sem qualquer controle próprio, o que mais se vê são jovens indo por caminhos de morte.

São caminhos evidentemente belos para os padrões do mundo. Tem cores, luzes, cheiros, sabores, pessoas, shows, entretenimentos, eventos descolados e cheios de cultura, turmas super-hiper-mega bem humoradas, enfim, são caminhos que tem tudo o que todo mundo gosta. Itens que atraem, seduzem, prendem e por fim escravizam. No começo experimenta-se enganosamente o sabor da superioridade e independência: “eu sou mais eu”, “não vou me escravizar”, “o que que tem de mais? É só um lazer…” Depois, na fase onde o “vidão” já se transformou numa vidinha medíocre e dependente, e escrava, e vergonhosa, o sabor passa a ser depressivo: “não sei como pude entrar nessa”, “como fui deixar isso acontecer comigo?”, “queria sair dessa, mas não tenho mais forças…”

Vocês, solteiro e solteira que me leem, foram criados livres! Nasceram e cresceram para um propósito, glorificar o Criador, este é o alvo final de toda raça humana, entenda ela ou não, pois aproxima-se o dia no qual “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor”, o drama é que todos confessarão, mas nem todos o farão voluntariamente. Que este não seja o seu caso. Anos dourados só o são com a presença do Autor da Vida. Confesse a Ele hoje, agora, de coração e peito abertos. Saiba que Ele cuida de você e se preocupa com você. Que a galera da escola, do cursinho, da faculdade e do bairro não influencie você, mas que você seja um agente influenciador levando os valores do Reino por onde for.

Imagine seus pares, amigos, irmãos, parentes, familiares, vizinhos, todos olhando atentamente para sua forma de ser e viver. Imagine eles concluindo: “Meu, que demais a vida de solteiro que esse cara leva, que essa menina leva. Todos que conheço estão reféns de seus vícios e pecados, estão detonando seus corpos, estão escrevendo um presente do qual se envergonharão no futuro, isto se tiverem futuro. Mas esse garoto, essa garota, leva uma vida de solteiro inteligente, racional, moderna e altamente espiritual, tem elevada cultura, tem humor, tem amigos, sabe esperar o tempo de cada coisa, tem lazer saudável, leva a sério os estudos, pratica esportes maneiros, cuida da saúde, apóia causas sociais, ajuda e é ajudado, não é fanático nem se julga mais santo que os outros e, por isso mesmo, tem um elevado padrão de fé, perdoa e é perdoado, cara, que vida de solteiro!!!!…”

Voltando para o primeiro parágrafo, é fato, o mundo está de ponta cabeça, mas você não precisa estar. Use a cabeça, o Cabeça do corpo, o Senhor da igreja, tem todo amor e poder para fazer da sua juventude e desta fase solteira da sua vida um momento ímpar, verdadeiro “anos dourados”. Valorize suas dúvidas, suas angústias, sua saúde, sua energia, seu vigor, seus sonhos, seus projetos, confie este tempo da sua vida ao Senhor do tempo, Ele fará da sua fase solteira um “vidão”, mas não só, Ele fará você descobrir que cada ciclo confiado nas mãos dEle será um “vidão”. Não perca tempo, esse tempo chegou, você não vai desperdiçar, vai?

Paz!

Por: Pr. Edmilson Mendes

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