Uma voz em missão

Cresci em uma igreja onde a música tinha grande destaque. Cantei em coral infantil, coral jovem e até que cheguei ao grupo de louvor, como se fosse uma posição que tivesse que galgar. Até hoje me pergunto como fui parar lá. Lembro-me do desgaste emocional que era cantar, ensaiar, fazer aula de canto. Investi tempo naquilo. Contudo, nunca tive uma voz para cantar. Até que um dia uma professora do Departamento Infanto Juvenil (Dijap) me convidou para ser sua discípula. Ela mudaria de igreja e gostaria de preparar alguém para substituí-la. Amei de imediato. Tanto que saí, rápida e decididamente, do grupo de louvor.

Hoje quando me lembro das vezes em que tinha que cantar até sinto calafrio. Era muito desgaste físico e emocional desempenhado para fazer aquilo. Não que para ensinar não o tenha, ao contrário, tenho e muito desgaste para preparar boas aulas. Estudo textos bíblicos até altas horas da madrugada, porque, além disso, tenho um trabalho, cuido de uma casa e auxilio meu esposo que é pastor. Depois disso, ainda tenho que pensar na melhor forma de expor aquele conteúdo para ser acessível aos alunos e alcançar seus corações. Mas, sinceramente, não é pesaroso. Faço e faria a vida toda, se Deus permitir.

Fui ao Encontro de Lideranças e ouvi sobre ministério, algo que já refletia ultimamente. Entendi que o Espírito Santo capacita a todos com dons, e estes dons devem ser usados para a edificação do corpo de Cristo e para o cumprimento da missão como cristãos (1 Co 12:4-6). Todo mundo recebe ao menos um dom, e quem os distribui como quer, é o Espírito Santo (1 Co 12:7, 11). (Se eu estivesse chateada por não cantar deveria reclamar com ele). Além disso, há diferentes ministérios, ou seja, áreas para que estes dons sejam desenvolvidos e onde podemos servir ao corpo. Ainda há diferentes formas de se atuar dentro dos ministérios específicos. É interessante refletir sobre isso, porque parece que a atuação no corpo está limitada a cantar, tocar um instrumento, pregar e dar aulas.  Há muito que se fazer para o reino de Deus e em muitos lugares, não apenas na igreja.

É maravilhoso ter a convicção de que Deus nos trouxe ao mundo com uma missão, e para isso posso dar o nome de vocação. Pessoalmente, tenho procurado compreender qual ou quais as formas de atuação que o Senhor escolheu para que eu desenvolvesse neste mundo, porque não quero mesmo chegar ao final da minha vida arrependida de não ter feito tudo o que Ele esperava que eu fizesse. Pois, como ouvi lá no Encontro através do Pr. Eleilton “No fim, Deus não cobrará de nós pelo que fizemos, mas por quanto realizamos do que nos pediu para fazer!”. Esta frase ainda está ecoando em meu coração.

Sei que Deus nos chamou para cumprir o propósito para o qual fomos criados. Acredito que para compreender este propósito de Deus para minha vida, preciso estar em contato com Ele, e preciso estar em contato comigo. Com Ele que me criou com propósito e comigo para compreender quais são meus dons, minha habilidades e meus talentos naturais. Certamente, há muita gente no lugar errado, porque insiste em fazer algo para o qual não foi chamado e nem tem habilidade. Pense nisso, avalie se está no lugar certo. Talvez o desgaste que sente não é pelo ônus natural da missão, mas por estar no lugar errado.

Depois de passar por alguns ministérios, posso dizer com alegria e lágrimas nos olhos que sei para o que Deus me chamou. Eu não tenho e nunca teria uma voz para cantar, mas tenho uma voz para ensinar aqueles que precisam compreender o maravilhoso plano de salvação.

Por: Virgínia Ronchete congrega em Matão psicopedagoga, escritora e secretária do DIJAP Geral

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