Sim, nós vamos falar sobre suicídio!

Mais de um milhão de pessoas tiram a própria vida todos os anos no mundo. No Brasil, são registrados cerca de trinta e dois suicídios por dia, envolvendo, na maioria dos casos, o público jovem entre 14 e 29 anos. Os óbitos por suicídio são três vezes maiores entre os homens, embora as tentativas de suicídio sejam mais frequentes entre as mulheres. Estima-se que até 2020 poderá ocorrer um aumento de 50% na incidência anual de mortes por suicídio em todo o mundo, sendo que o número de vidas perdidas desta forma, a cada ano, ultrapassará o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados.

O suicídio é um fenômeno presente ao longo de toda a história da humanidade e em todas as culturas.  É um comportamento com determinantes multifatorial e resultado de uma complexa interação de fatores psicológicos, biológicos, culturais e socioambientais. Desta forma, deve ser considerado como o desfecho de uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo, não se limitando aos acontecimentos pontuais de sua vida. É a consequência final de um processo de sofrimento psíquico. Ainda existem muitos mitos sobre o assunto, um deles é que pessoas que falam em suicídio não pretendem, de fato, terminar com suas vidas. E isso não é verdade. A maioria das pessoas com ideias de morte comunicam seus pensamentos e intenções como um pedido de ajuda.

Nesse sentido, podemos observar alguns aspectos psicológicos relacionados. Frases de alarme como “não aguento mais essa vida, quero morrer”, “minha vida é um fardo para todos”. mudança de comportamento repentino, isolamento, humor oscilante ou significantemente deprimido, sentimentos de desamparo e desespero, perdas recentes, histórico de tentativa de suicídio na família e transtornos mentais. A melhor  maneira de ajudar quem se encontra nesse estado emocional é ouvi-lo com empatia, respeitar os sentimentos e vivências que o levou a pensar em suicídio e prestar apoio emocional.  A família, a comunidade e as instituições ligadas ao individuo (igreja e escola) exercem um papel fundamental, pois podem ser os primeiros a notar as mudanças no comportamento, proporcionar amparo e buscar ajuda de profissionais da saúde mental para avaliação e acompanhamento terapêutico.

A principal medida preventiva é a informação. É preciso acabar com o medo de falar sobre o assunto e derrubar tabus, pois, em 90% dos casos, o suicídio pode ser evitado. Esta é uma das metas do Setembro Amarelo, campanha de prevenção do suicídio que acontece no Brasil desde 2014.  É dever da sociedade fazer desta campanha um compromisso social.

Jéssica Fernanda de Assis Pupo, psicóloga especialista em Saúde Mental pela FAMERP, congrega na IAP de Rio Preto I.

 

 

Referências bibliográficas.

Suicídio e os Desafios para a Psicologia / Conselho Federal de Psicologia. – Brasília: CFP, 2013.

Suicídio: informando para prevenir / Associação Brasileira de Psiquiatria, Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. – Brasília: CFM/ABP, 2014.