Por quanto tempo esperarei pela resposta a minha oração?

Desde criança meus pais me ensinaram a prática da oração e do culto doméstico. Orávamos às seis da manhã, antes do primeiro filho sair para a escola ou à meia-noite depois que o último filho chegava do trabalho. “O importante – dizia meu pai – era que a família cultuasse a Deus com orações”. Muitas vezes, ficávamos com sono e queríamos dormir.  Mais tarde, já na fase adulta, é que entenderíamos os momentos de tamanha aprendizagem espiritual.

Lembro-me de uma vez que acordei com uma das minhas irmãs passando muito mal. Todos ficaram agitados porque não havia socorro por perto. Meu irmão mais velho se preparava para chamar os vizinhos, quando ouvi mamãe recitando Salmos 91: “Aquele que habita no esconderijo do altíssimo, à sombra do onipotente descansará, direi do Senhor…” Ela aproximou-se da cama da minha irmã e terminou em voz alta: “Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza e nele confiarei…” Em uma atitude de fé, ela impôs as mãos sobre minha irmã e orou. Eu chorava, tremia e prestava muita atenção naquela cena. Não era apenas uma mãe aflita pedindo por socorro, mas uma serva intercessora clamando por cura.

Aquela experiência que vivi é exatamente o que escreve Paulo na primeira carta aos Coríntios, capítulo 4: 20 que diz: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder.” Eu senti que ao repreender aquela enfermidade, as palavras já não eram as mesmas quando saíram dos lábios de minha mãe, mas autoridade e poder as acompanhava. Quando terminou a oração, notei que minha irmã já estava dormindo tranquilamente. Aquele momento ficou marcado por toda a minha vida, tanto que, quando já casada, me vi na mesma situação que minha mãe. A diferença era que não se tratava de minha irmã, mas de meu esposo.

Quando casei, meu esposo e eu compartilhávamos da mesma fé, mas notava que algo o incomodava. Ele não tomava ceia, além de ter tristeza constante em seu semblante. Foi quando ele me contou que havia brigado com uma pessoa muito especial em sua vida. Tal situação o consumia e começou a refletir em nossas vidas. Desabafei com minha mãe e ela me aconselhou a orar por ele com imposição de mãos. Fiquei tão animada que comecei no mesmo dia a prática da intercessão. Nos primeiros momentos esperei uma resposta imediata do Senhor, tal como Ele fez com minha irmã. Entretanto, depois de alguns meses compreendi, nas palavras de Paulo aos Romanos 14:19 que “devemos buscar virtudes que promovam a paz e edificação uns aos outros”. Mudei minha oração porque que éramos um em Cristo. Pedi perdão pelos nossos pecados; queríamos entrar no santuário com as “mãos e o coração puro” (Salmos 24: 3 e 4).

Orei por meu esposo durante um ano, todas as madrugadas. Muitas vezes pensei em desistir, mas lembrava do Deus de meus pais e das suas promessas. Um dia eu estava preparando o almoço e o telefone tocou. Era meu esposo dizendo que naquele dia nós almoçaríamos fora. Fiquei feliz, desliguei o fogo do fogão, corri e me arrumei. No carro, um silêncio pairava, mas ao mesmo tempo, uma aparente serenidade estampava seu rosto. Foi quando me dei conta do trajeto que percorríamos: seguíamos em direção da casa da pessoa que ele não falava há muito tempo. Ao chegarmos, tal pessoa o aguardava na porta e, sem reservas, correu e o abraçou. Eles ficaram abraçados por alguns minutos. Eu fiquei parada, tremendo e chorando como naquela noite da oração intercessora de minha mãe. Naquele instante de plenitude, eu dizia a Deus: “Obrigada Senhor… o tempo foi seu, mas o milagre do perdão é nosso…”

Aquele dia a oração era só de agradecimento, porque eu consegui seguir o exemplo de minha mãe como esposa intercessora. Hoje, muito tempo depois, vivemos a nossa vida missional com nossas tarefas, afazeres e nossa família. Sempre que necessário continuo intercedendo por ele, ele por mim e o Espírito Santo por nós.

Por: Diaconisa Hilez Miriam Matias dos Santo – Congrega na igreja em Três Lagoas – Foz do Iguaçu – PR – Diretora da Resofap Oeste Paranaense.

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