Pequenas mentiras, grandes estragos

 “Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa”. Gn.12.13.

​ O texto acima narra o momento em que o patriarca Abrão, por causa da fome na região onde habitava, desceu ao Egito em busca de provisão. Mas Abrão teve medo, sabia que sua mulher Sarai, que na época tinha 65 anos, era expressivamente bonita, e chamaria a atenção dos egípcios que em sua cultura, poderiam tirar a vida de Abrão para ter Sarai por mulher. É por essa razão que ele faz uma proposta a ela e pede para que ao chegarem ao Egito diga aos habitantes da terra ser apenas sua irmã. Ela, sem questionar, aceitou a mentira. Parece uma pequena mentira, mas foram significativos os estragos.

A princípio, ao aceitar a mentira, Sarai abriu mão de sua verdadeira identidade. De fato, era meia irmã de Abrão, mas era muito mais do que isso, era sua esposa, sua parceira, que esteve ao seu lado em momentos importantes da sua vida, companheira em todas as circunstâncias.

Em nosso tempo é possível observar como o mundo atual tem mentido a identidade da mulher. É certo que as circunstâncias atuais levaram a mulher a assumirem novas funções, porém, isso não anula o plano de Deus a sua existência, de ser mulher, mãe, de estar ao lado do homem no desenvolvimento da vida, da família, e da vontade de Deus.

Além de abrir mão de sua identidade, ao aceitar a mentira, Sarai não levou em conta seu valor. Ao chegarem ao Egito, foi levada como “objeto” nas mãos dos homens da terra, correndo todo tipo de perigo. Se não fosse a mão de Deus, coisas terríveis poderiam ter acontecido.

Infelizmente, por vezes na história, a mulher não recebeu seu verdadeiro valor. Abrão deixou isso claro ao entregar sua mulher aos egípcios. Hoje não é muito diferente, o número de abusos só aumenta, muitas mulheres ainda sofrem agressões no lar, o salário é menor, o assédio, enfim, a lista não seria pequena. Porém, Deus mostra que aos Seus olhos somos iguais, porque na cruz deu a vida de Seu Filho por todos, homens e mulheres, temos o mesmo valor para Deus.

Por fim, além das consequências, não podemos esquecer que a mentira tem um autor, um pai, que é o diabo. (Jo.8.44). Ele sempre agiu na mentira, nos cantos escuros da existência, escondendo suas reais intenções. É por essa razão que o evangelho nos chama para o Reino da Luz, a romper com todos os cantos escuros da alma, com as mentiras e segredos.  Sabendo que Aquele que reina na luz, pode nos dar perdão e uma nova história.

Pastor Willy Corrêa da Silva, formado em teologia pela universidade Mackenzie, casado com Simone Bonetti e pai do Vitor, congregam na Igreja Adventista da Promessa em Alvorada – Guarulhos.