Não se PREocupe, o problema do sofrimento antecipado

Sempre existirão coisas que nos drenam e coisas que nos abastecem. Coisas que nos roubam a paciência, nos desgastam a compreensão, desestabilizam nossa razão; mas, por outro lado, existirão coisas que nos preenchem as lacunas da vida, nos fazem acreditar, ou voltar a acreditar em pessoas, em projetos, em instituições.

O lamentável é que a vida não se resume apenas a esta dualidade: coisas que drenam e coisas que abastecem. Existem uma porção de outras que estão no intermediário, que não se definiram ainda a respeito de como agirão em nossa existência: drenando ou abastecendo.

São coisas assim, pertencentes a essa faixa inconclusiva que ocupam um espaço indefinido em nossas mentes que, apesar de indefinido, está lá. Perceba que elas vão se ajuntando em dois grupos.

O primeiro grupo são as coisas que estão sob nosso controle ou dependentes de nossas ações para se tornarem coisas que irão nos drenar ou abastecer.

O segundo grupo são as coisas que não estão sob nosso controle nem dependentes de nossas ações para se tornarem coisas que irão nos drenar ou abastecer.

Se todo nosso problema fosse gerenciar o resultado final, as consequências boas ou más, certamente teríamos vida leve. Mas, por razões discutíveis passamos muito tempo envolvidos justamente com as indefinições intermediárias.

Aqui nasce a pré-ocupação.

Ou seja, nos ocupamos previamente com situações que não se definiram de que lado nos afetará, apesar disso já consomem nossos pensamentos.

Seremos vitimados por esses pensamentos em um estresse mental, fato que é absurdo por se tratar de algo que não aconteceu, não há nada de definitivo. É assim quando depende de nosso controle ou ação que ainda não efetivamos, estamos ainda nos decidindo a respeito. Teremos então atitudes postergadas, uma certa resistência a executarmos tarefas que nos tirem do lugar confortável, que criem indisposição com alguém, ou exijam dedicação nossa. Isto é, pré-ocupações geradas por falta de nossas atitudes. Por isso sofremos antes mesmo de agirmos.

Da mesma forma, veremos aquele segundo grupo das coisas que não estão sob nosso controle nem dependem de nossas ações. Aqui o sofrimento por antecipação via pré-ocupação se acentua, só que agora enxergamos nossa interferência zero, acrescenta-se ao estresse o sentimento de angústia, nos percebemos reféns de uma situação que não temos como resolver. Nada depende de nós, tudo foge do nosso controle e isso é muito punitivo!

Felizmente não precisamos nos entregar a depressão, existe um jeito de viver com qualidade, de tornar nossa vida proveitosa e obter aprendizado. A saída vem de onde vem tudo o que pode nos fazer gente melhor, seres mais completos e realizados. Vem do Senhor Jesus e está no Evangelho de Mateus capítulo 6, a partir do versículo 25. O cenário é o Sermão do Monte, conhecido assim, por caracterizar o momento em que Jesus sobe numa breve colina e se assenta, a multidão que o seguia também se assenta próxima, no pé da colina, mas dela se desprende um grupo de homens que também sobem a colina e ficam em volta do Mestre. São os discípulos. A eles é dirigida essas palavras …não se preocupem com sua própria vida…. Espanto geral.

Seria preciso ouvir todo resto do sermão, ato possível ao leitor atento, mas aqui apenas quero deixar bem destacado se tratar de um padrão de vida oferecido aos que “sobem a colina”, aos que se dispõem a ser discípulos. No entanto, a multidão está lá, ela ouve o que se diz, sabe a origem daqueles que estão acima (eles vieram da multidão). É possível subir a colina, é possível controlar a ansiedade, vencer as preocupações e aprender como lidar com as durezas da vida.

Estamos diante de uma proposta. Sempre estamos.

É impossível viver sem preocupações, mas acredito que podemos lidar muito melhor com isso sabendo do que sabemos. Lembrando das instruções da colina, quando o Mestre diz: Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça… (versículo 33).

Por: Pr. Eduardo Lucena – Casado com Dsa. Eunice Alves, pai da Isabela Lucena. Pastor IAP em Vila Nhocuné – SP. Formado em Teologia pela Teológica Batista de São Paulo e em Filosofia pela UNIFESP

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