A ilusão da liberdade feminina

Fico pensando que nossas avós e suas amigas, que talvez nem soubessem como era o mundo além de seu lar, do seu reino, onde criavam filhos que provavelmente não planejaram, cuidavam de seus maridos, que nem sempre escolheram, onde levavam a vida sem grandes surpresas, mas nem por isso infeliz.

Bem diferentes das mulheres de hoje, para as quais é difícil imaginar a felicidade sem carreira, filhos planejados, casa confortável e máquina de lavar. Querem a liberdade de escolher o marido, ganhar e gastar seu dinheiro, comprar  roupas e sapatos da moda e  mandar no próprio corpo. Não podemos esquecer que a felicidade da mulher moderna também passa pela conquista de direitos como  o voto,  a licença maternidade e  a proteção contra a violência (Lei Maria da Penha 11.340/06; Lei do Feminicídio, 13.104/15.)

Comparando esses dois cenários, poderíamos afirmar que hoje as mulheres tem muito mais liberdade, pois são donas de sua própria vida, de seu  pensamento, de seu corpo. No entanto, o que vemos nos telejornais, nas redes sociais, na mídia em geral, nos mostra que em parte isso é uma ilusão. Há um visível aumento da opressão e da violência contra a mulher, sendo comum notícias de assassinatos, abuso físico, abuso moral e inúmeras situações que expõem a figura feminina a humilhação e degradação. As mulheres, que conquistaram muitas liberdades, parecem cada vez mais escravas.

Podemos e devemos lutar contra tudo isso, mas talvez a escravidão mais difícil de combater seja aquela que nos é imposta por nós mesmas, quando agredimos sem perceber,  nosso corpo,  nossa mente e nosso espírito.

Escravizamos o nosso corpo quando nos submetemos a dietas loucas, para perder peso em pouco tempo, ignorando nossa saúde. Quando fazemos tratamentos estéticos agressivos, dolorosos e arriscados em nome da beleza, esquecendo-nos de que ele é templo do Espírito Santo, devendo ser tratado com equilíbrio e cuidado. Quando através de roupas provocantes expomos nosso corpo como um objeto para atrair a atenção e o desejo.

Escravizamos nossa mente quando tentamos esconder as marcas de nossa experiência e longevidade, com atitudes, palavras e roupas que caberiam para nossas filhas e às vezes nem para elas. Quando buscamos uma felicidade de facebook, e não encaramos que vidas, relacionamentos e famílias podem ser imperfeitas e ainda assim felizes.

Escravizamos nosso espírito quando cedemos a relacionamentos afetivos ou sexuais fora do tempo e do propósito de Deus, ignorando que nosso corpo não foi feito para a prostituição; quando por inveja e maldade criticamos a aparência e o guarda-roupa de outras mulheres. Mais ainda, quando somos intolerantes e insensíveis aos seus problemas; quando julgamos seus erros  sem a mesma compaixão que desejamos para os nossos.

Sempre que deixamos a vontade os planos  e ignoramos a Lei de Deus, caminhamos para a escravidão. Liberdade sem sabedoria é a prisão mais difícil de sair! Somos livres, para viver em plenitude, pois a nossa  liberdade foi comprada por um alto preço, o sacrifício de Jesus (I Coríntios 7:23). Por isso, todo o nosso corpo, alma e espírito devem ser conservados  irrepreensíveis para  a vinda do Senhor. (I Tess 5:23)

Então queridas mulheres, sejamos bonitas e bem cuidadas, sem perder o amor próprio, sem perder a moderação, sem perder nossa liberdade!  Troquemos a ilusão pela liberdade verdadeira, atentando para as palavras do apóstolo Paulo: “Estai pois firmes na liberdade com que Cristo vos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão.” (Gálatas 5:1)

Por: Romi Campos Schneider de Aquino é mãe e esposa, Psicóloga e líder de ministério feminino