Estilo de vida missional

Quando ouvimos a palavra missionário, normalmente pensamos em alguém que é enviado a lugares distantes para pregar o Evangelho. Neste sentido, fazer a missão fica restrito à pessoa do missionário.  Esta visão tem sido tão difundida no meio cristão, que chega a levar algumas igrejas a se desviarem de seu propósito maior: viver a missão!

Embora o envio de missionários seja essencial, a proposta de Jesus para missão está muito relacionada ao estilo de vida dos cristãos, não se limitando a uma agenda, a uma pessoa e muito menos a um lugar. A missão é a razão de existir da Igreja e, portanto, deve ser feita por todo cristão, em todo o tempo e em todo o lugar!

O próprio Jesus deixa isso bem claro quando fala aos seus discípulos em Marcos 16:15: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Aqui vemos que sua ordem foi taxativa: preguem o Evangelho, para todas as pessoas, em todos os lugares!  Esta ideia é destacada em Atos 1:8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”       

Os dois textos mostram que devemos fazer a missão, que somos aptos e que não estamos sozinhos, pois o próprio o Espírito Santo nos capacita a nos acompanha. Começando com os que estão mais perto, Jerusalém, indo aos que estão mais distantes, Judéia e Samaria e chegando aos lugares mais remotos e desconhecidos, os confins da terra. O curioso é que nossa tendência é inverter a ordem: começamos pelos confins da terra e muitas vezes deixamos de alcançar Jerusalém, a nossa casa, aqueles que estão mais próximos de nós.

Às vezes parece mais fácil pregar para estranhos, pessoas de longe, que não conhecem nossas falhas e fraquezas, não sabem na verdade quem somos, porque o nosso testemunho pode não ser coerente com as nossas palavras. Por isso, se não refletimos a Cristo em nosso modo de agir, de falar, de vestir, de andar, não teremos autoridade para ser Suas testemunhas em lugar algum. Se desejamos ser missionários, as pessoas que convivem conosco precisam ver Cristo em nossas atitudes, no trabalho, na faculdade, entre os vizinhos, na igreja e, principalmente, dentro de nossa casa. Sim, nossa Igreja e nossa casa são campos missionários, onde as pessoas podem ser levadas para perto ou para longe de Cristo, dependendo de nossas atitudes.

É preciso entender, como discípulos de Jesus, que a nossa vida é uma missão e nós somos missionários, independente de onde estamos, de nossas habilidades e de nossa idade. Porém, se ficarmos enclausurados somente na Igreja, envolvidos com nossas agendas e programações, dificilmente conseguiremos levar a mensagem de salvação para as pessoas de nossa comunidade. Precisamos investir tempo, interagir com elas e interessar-se pelos seus problemas, pois cada pessoa com quem temos contato é “um campo missionário.”

Por outro lado, o estilo de vida moderno, com sua correria, seu materialismo, suas exigências tem feito com que muitos crentes, especialmente as mulheres adoeçam emocionalmente, buscando cada vez mais a presença de Deus para obter consolo e alívio, deixando em segundo plano a entrega e a adoração. No entanto, por mais que precisemos de consolo e encorajamento, não podemos usar o nosso sofrimento como motivo para não nos envolvermos na obra, pois quando damos prioridade ao Reino de Deus em nossa vida e nos engajamos ativamente na missão sentimos o poder curador que só encontramos no Altar!

Todos somos missionários e estamos em missão! Não é o lugar onde estamos ou aonde vamos que nos torna missionários, mas o chamado que enche o nosso coração! Quando amamos verdadeiramente a Jesus, o Evangelho salta de nossa vida, em nosso dia a dia!

O trabalho que está sendo feito por um missionário na Índia ou na África é tão importante quanto o trabalho missionário que você está fazendo na sua cidade, na sua empresa, escola, vizinhança, condomínio, na sua casa.  Há uma frase de Charles Spurgeon evidencia bem isto: “Todo cristão é um missionário e se não o é, é um impostor”. Por isso, mais do que fazer a Missão, devemos viver a missão, pois viver o Evangelho é a primeira e possivelmente a forma mais eficiente de levar Cristo às pessoas!

Por: Romi Campos Schneider de Aquino é mãe e esposa, Psicóloga e líder de ministério feminino