Dos meus sapatos para as sapatilhas, o meu chamado como filha

Definitivamente, mães não são todas iguais!

Minha mãe nunca foi muito convencional. Enquanto as mães dos meus amigos cuidavam da casa, participavam de todas as atividades da escola e buscavam os filhos no colégio, a minha mãe subia em seus saltos de 10 centímetros, fazia uma maquiagem fabulosa e partia para pegar seu ônibus e ir para o escritório trabalhar.

Ela nunca gostou de cozinhar, mas até hoje, quem prova seu arroz com feijão diz que não tem outro igual no planeta.

Ela nunca foi adepta a demonstrações públicas de afeto, nem de muitos abraços ou afagos, mas sempre teve os ouvidos abertos e o colo disposto a acolher sempre que precisei e sempre soube me demonstrar seu amor.

Ela detestava as festinhas de dia das mães da escola e da igreja (sempre achou muuuito chato! Rsrs), mas isso nunca foi um problema entre nós porque ela sempre estava presente, linda e impecável, pois ela sabia o quanto eu me orgulhava disso.

E conforme eu fui crescendo, a relação com minha mãe foi se estreitando cada vez mais. Nunca houve assunto proibido ou pergunta que ficasse sem uma resposta lógica, por mais difícil que a resposta fosse.

Eu sempre soube que, apesar da minha mãe não participar do grupo de mulheres ou cantar no coral da igreja, a fé dela é muito maior do que eu podia pensar e ela nunca me deixou sem sua oração. Ela sempre foi presença certa em todos os eventos que participei, não só assistindo, mas ajudando em qualquer coisa que eu precisasse. Quantas vezes peguei minha mãe “conversando com Deus” enquanto tomava banho ou molhava as plantas do quintal!

Quem convive conosco diz que sou “uma versão rosa” da minha mãe. Além dos olhos e do bom gosto por sapatos, dizem que herdei da minha mãe algumas características como o jeito extrovertido de ser, uma sinceridade enorme e um coração sempre disposto a ajudar. Na verdade, eu queria muito ter parte da sabedoria que ela teve e tem! Não imagino ser nem metade do que sou hoje se não fosse a criação e a influência dela em todas as áreas da minha vida.

Hoje minha mãe não usa mais salto alto, só sapatilhas. Claro que nosso relacionamento mudou com os anos, porque nós também mudamos, e também não concordamos em tudo o tempo todo, mas o amor e a cumplicidade sempre vão existir, não importa o que mude ao nosso redor. E é esse amor que eu tento minimamente retribuir todos os dias, com um relacionamento aberto e sincero, que reconhece algo diferente apenas com um “oi”. Esse é o meu chamado como filha.

Pois é, mães não são iguais e nem precisam ser. Talvez sua vivência com sua mãe seja completamente diferente da minha. Mas Deus, que é a fonte de todo o amor, é o mesmo e está pronto a oferecer todo esse amor que recebo Dele, basta você buscá-lo!

Com todo meu amor, dos meus sapatos para as sapatilhas da minha mãe!

 

A Garota do Sapato Rosa é uma mulher cristã, que trabalha na área da saúde, que ama chocolate e sapatos, mas que busca a Deus acima de todas as coisas!