Até que as dívidas nos separem

‘Dívidas e amor não andam de mãos dadas’

Gn 3.6,7Vendo que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu e deu dele a seu marido, que também comeu. Os olhos dos dois foram abertos e perceberam que estavam nus.

Já diziam nossos avós: “Quando a necessidade entra pela porta, o amor sai pela janela”. As estatísticas indicam que o endividamento familiar atingiu 58,4%; e 90% dos casamentos fracassam por problemas financeiros. Um dos fatores é a maneira que cada um lida e gasta o dinheiro; afinal, foram criados diferentes. O que um considera supérfluo o outro acha importante e essas discordâncias geram conflitos. A bíblia aconselha: cuidem-se, pois, “… a vida de uma pessoa não é definida pelas coisas que possui” (Lc 12.15).

Quando um casal se casa, a promessa feita no altar é estar juntos até a morte; não é mencionado nada sobre estar juntos até que as dívidas os separem. É evidente que o dinheiro não pode comprar o amor, porém, é fato que manter o amor vivo sem dinheiro pode ser um desafio.

A família é a instituição mais linda que Deus criou. O casamento é mais que uma união entre homem e mulher, é uma aliança com Deus. Em Ml 2.14, está escrito: …o SENHOR foi testemunha da aliança entre vocês. No entanto, a bíblia nos informa que a sabedoria é o ingrediente essencial para construir um lar (Pv 14.1). Tentar comprar o amor, esconder compras e dívidas, não gastar juntos o que ganham são erros que devem ser evitados. Se ambos forem sábios, vão edificar a casa; caso contrário, poderão derrubá-la com as suas próprias mãos.

Gn 3.6-7 nos ensina dois princípios importantes sobre finanças. Primeiro o da gratidão. Uma das maiores virtudes é a gratidão. Adão e Eva não foram gratos por aquilo que receberam de Deus. Lábios ingratos ferem, como punhal, o coração de Deus. 1 Ts 5.18 diz: “Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”. Segundo, o princípio da administração ou mordomia. Administrar é planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos para alcançar os objetivos. Deus colocou o casal como mordomos e sua função era gerar riquezas (Gn 2.15). Deus nos dá coisas para que cuidemos, zelemos: nosso corpo, bens materiais, dons, filhos, ministério, a natureza…; então, “Não te faças negligente para com o dom que há em ti” (1 Tm 4.14). Lucas 14.28 orienta: qual de vós, desejando construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o custo do empreendimento, e avalia se tem os recursos necessários para edificá-la?

Quando esses dois princípios são quebrados gera um desequilíbrio. Muitos casais não saem das dívidas porque não aprenderam a contentar-se com o que Deus colocou em suas mãos para administrar: Quem é fiel no pouco, muito lhe será confiado em suas mãos para administrar (Mt 25.21). Porém, existe uma saída. Para isso, lhes convido para o grande desafio:

  1. Peçam perdão a Deus, orientação e paciência tratar do assunto sem discussão;
  2. Façam uma planilha dos gastos: informando as receitas e as despesas (todas);
  3. Destruam cartões de crédito, talões de cheques; enxugue ao máximo o orçamento;
  4. Renegociem as dívidas; mas, não façam novas dívidas;

Para fugir da armadilha do endividamento e ‘esticar’ os recursos, seguem algumas dicas do livro Cadê a vaca gorda*: Façam e sigam o orçamento de vocês fielmente; eliminem do seu orçamento os ‘desejos’ e foquem nas necessidades. Evitem comprar usando cheque especial; procurem economizar. Não paguem para outro o que vocês mesmo podem fazer. Não vivam de aparências. Tenham uma reserva para emergências. Lembrem-se: o dinheiro é nosso e não meu! Façam um plano de gastos; nele inclui:

  • Devolva 13% – dízimos, primícias.
  • Poupe 10% – futuro distante (aposentadoria, faculdade filhos).
  • Guarde 10% – futuro próximo (carros, imóveis, móveis, viagem).
  • Separe 67% para “nosso dinheiro”, despesas do lar, incluindo SPC – seguro premium do casamento (mimos pessoais), ofertas.

Malaquias 3.10 nos instrui que a fidelidade a Deus é a chave para as bênçãos no lar na área de finanças: mantenham-se fieis nos dízimos e ofertas e “ponham-me à prova”, diz o Senhor dos Exércitos. A frase: posso todas as coisas naquele que me fortalece, não faz parte do contexto de finanças; já o não posso é uma virtude. Resistam ao SÓ AMANHÃ, SÓ AMANHÃ MESMO! É muito importante que o casal dedique-se, juntos, a acompanhar suas finanças, com transparência, planejamento, equilíbrio e honestidade. Estejam alerta: dívidas e amor não andam de mãos dadas. Permitam que Deus seja o referencial de vocês, que esteja presente como a terceira dobra do cordão para que possam viver a plenitude do propósito divino para o matrimônio.

Por João Avelino dos Santos Junior é casado com Mirieli Santiago dos Santos e pai do Pedro Henrique e do Miguel; é licenciado em Letras-Espanhol, MBA em Gestão de Pessoas, formado no curso médio em Teologia pela Fatap, diácono, líder do louvor na segunda Igreja Adventista da Promessa em Jales.

 

Sugestões de sites sobre o assunto:

www.financaspraticas.com.br

www.meubolsoemdia.com.br

*Livro Cadê a vaca gorda, Pr. Arão Henrique Xavier, 2004 – Instituto Prospere