Aprendendo com Jezabel: culto à personalidade.

 

A história de Jezabel pode ser lida nos dias de hoje como oposição aos valores da boa conduta individual e social (I Reis 16:31). Elevada ao posto de rainha, devido a um acordo político que promoveu seu casamento com o Rei Acabe, a fenícia Jezabel chegou ao poder em Israel trazendo consigo um conjunto de valores e crenças que se opunham diretamente aos valores apregoados entre o povo pelos profetas de Deus. Declarando-se sacerdotisa de Baal e desfrutando do prestígio desta posição, Jezabel promoveu não apenas falsos ensinamentos do seu deus como também o culto a sua própria personalidade, mantendo centenas de pessoas sob seu domínio.

Em busca de autorrealização Jezabel mente, engana, se rebela, não ouve conselhos, manipula as pessoas, é arrogante, gananciosa, extremamente vaidosa e preocupada com sua autoimagem perante os outros (I Reis 21; II Reis 9:30). Sua sede de poder reflete uma personalidade impulsiva, egocêntrica avessa aos sentimentos alheios e aos costumes das famílias hebreias. Do alto de sua posição Jezabel é ícone daquilo que pode ser visto entre nós hoje como o culto à personalidade, algo comum entre líderes políticos, religiosos, no meio artístico e até mesmo nas redes sociais onde cada um pode ter seu lugar de destaque “nas páginas azuis” com uma vida tão “maquiada” quanto à face de Jezabel.

A exemplo das condutas de Jezabel, muitas pessoas se enxergam como ídolos; é como se Baal tivesse descido do altar fenício e se instalado diretamente nos corações das pessoas, de modo que se comportam como arrogantes, presunçosas e cheias de si (II Timóteo 3:2). A vaidade de Jezabel pode ser vista hoje entre pessoas que se apoiam nas próprias riquezas, na sua formação profissional, na juventude a qualquer preço, no culto às aparências. Enfim, um leque de ações que visam a satisfação pessoal em detrimento dos valores coletivos como solidariedade, respeito ao próximo, ou quaisquer ações em benefício de outrem.

Jezabel chegou a ordenar assassinatos (Reis 21: 8). Hoje, ainda que simbolicamente, devemos estar alertas para não contribuir com a morte espiritual de pessoas deixando de falar e refletir o grande amor de Cristo.

Ao optar pelos próprios desejos e instintos, Jezabel seguiu o caminho do mal e do topo de sua posição foi lançada ao chão onde os cães, representando o mesmo mal que ela tanto cultuou, a destroçaram. Jezabel deixou a marca da maldade. E nós, que marcas temos deixado por nosso caminho familiar, profissional, entre nossos vizinhos, amigos, colegas de trabalho, companheiros de vida?

Lilian Victorino Felix de Lima é casada com Gilberto Felix e tem dois filhos Caroline e Gilberto Filho. É graduada e mestre em Ciências Sociais pela Unesp e doutora em
Sociologia pela USP. Congrega na IAP em Vila Maria/ SP.