Votar em branco para quê?

Diante de um cenário político marcado pela desonestidade, educação ocupando as piores posições nos rankings internacionais, saúde pública sem recursos para atender a todos, desemprego massivo, segurança inexistente e dificuldade de identificar um candidato honesto, é comum a vontade de não participar da escolha dos governantes, sob a ilusão de que tal atitude aliviará a frustração e nos permitirá fugir da responsabilidade, caso o cenário nacional continue o mesmo ou piore após as eleições.

Muitas pessoas optam por votar em branco, ou porque acreditam que anularão a eleição, ou porque não querem ter responsabilidade na escolha dos novos governantes. Justificativas cristãs distorcidas surgem: “Devo me preocupar com aquilo que vem do alto porque tudo nessa terra passará. Sou cidadão dos céus, não tenho nada a ver com eleições, que são terrenas”. A ideia de que política não é de Deus e que o voto obrigatório é um castigo também tem muitos adeptos cristãos.

Ocorre que, ao contrário das mensagens que recebemos nas redes sociais, votos em branco não anulam as eleições nem são transferidos para o candidato vencedor. Atualmente, voto em branco (aquele no qual o eleitor não manifesta preferência por nenhum candidato, apertando a tecla “BRANCO” da urna) e voto nulo (aquele no qual o eleitor digita um número de candidato inexistente) são excluídos da contagem do resultado da eleição, conforme estabelece o artigo 77, § 2°, da Constituição Federal. Ou seja, se votarmos em branco desperdiçamos a oportunidade de escolher nossos governantes.

Como filhas de Deus precisamos entender que “governo” foi criado por Deus com o objetivo de promover ordem e justiça, razão pela qual existe governo em todas as áreas da nossa vida.

Deus ordena que seus filhos sejam submissos às autoridades constituídas, “porque não há autoridade que não venha de Deus (…). Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus” (Rm. 13: 1-2).

O voto, com garantias mínimas de uma democracia, consiste na oportunidade de escolhermos a quem prestaremos obediência. A oportunidade de votar é, então, uma bênção, um privilégio muito almejado por cidadãos de países não democráticos e que nos tem sido concedido por Deus.

Assim, devemos exercer esse privilégio com responsabilidade, cientes de que por meio dele podemos ser usados por Deus para melhorar os rumos da nossa nação. Nessas últimas semanas antes das eleições, vamos dedicar um tempo para pesquisar sobre os candidatos, entender seus planos de governo e conhecer melhor a ideologia dos partidos. Sejamos inteligentes e cumpramos a missão de fazer a diferença na nossa nação por meio do voto com responsabilidade!

Por:  Rebeca Rebouças Covre, Advogada formada pela PUC-SP, Membro da Igreja Adventista da Promessa em Vila Medeiros