Somos refugiados

Conforme dados do relatório anual de 2017 divulgados pela Agência da ONU para refugiados (ACNUR), 68,5 milhões de pessoas se deslocaram de seus países ou locais de origem, tornando-se assim refugiados. Ainda sobre esses dados, podemos perceber que sejam as guerras, fomes, desastres naturais, algum tipo de perseguição, são vários os fatores que fazem com que essas pessoas abandonem suas casas. Na grande maioria dos casos, tais homens, mulheres e crianças são levados a deixarem seus lares à procura de um lugar melhor e mais seguro para viverem, justamente pelo fato do lar não ser mais considerado uma opção para a permanência da família. Para alcançarem esse novo lar, tais famílias estão dispostas a enfrentarem uma série de obstáculos e dificuldades e a fazerem uma série de escolhas e sacrifícios.

A jornada desses refugiados em busca de um novo lar nos faz refletir sobre a nossa própria peregrinação nesta terra. Na Bíblia Sagrada, em 1 Pedro 2: 11 está registrado que “somos estrangeiros e peregrinos nesta terra”. O que isso quer dizer? Basicamente, o termo forasteiro significa alguém que se “encontra por pouco tempo num certo lugar, como forasteiro”. Em alguns casos naquela época, tais forasteiros não possuíam nem os plenos direitos de cidadania. Um ponto importante que podemos pensar sobre o significado desse termo refere-se a ideia de se encontrar pouco tempo num certo lugar, o que faz com que pensemos e relacionemos à brevidade da vida.

O nosso tempo aqui na terra é breve e curto, por mais que tentemos prolongá-lo vai chegar o momento em que nossa jornada aqui terminará. Você, querida amiga, já pensou nisso? Quando este dia chegar, o que acontecerá?  Como discípulas de Jesus, nossas raízes não estão neste mundo, cada uma de nós está nele temporariamente, por isso, devemos nos identificar e buscar a nossa pátria eterna, que é o céu.

Eu e você somos chamadas para fazer parte de uma nação, de um povo cujo lar não é esta terra (v. 9). Este povo é unido não pelo local de nascimento e nem pela cidadania impressa num passaporte, mas tem o seu valor que o distingue como os filhos e as filhas do Rei. Além disso, somos o povo exclusivo que reflete o crédito sobre Aquele que nos chamou das trevas do mundo para a Sua maravilhosa luz (v. 9). Somos as embaixadoras deste maravilhoso Deus aqui na terra. Vivemos também para que outras mulheres conheçam o evangelho que é o poder de Deus para toda aquela que crer (Rm 1: 16).

Dessa forma, o nosso objetivo principal não é usufruir e nem desfrutar de uma vida boa aqui. Se Deus nos abençoar neste sentido, isso é muito bom. Mas, o verdadeiro propósito de vida que Deus deseja que persigamos é vivermos para glorificá-lo e obedecê-lo, tendo em vista que fomos chamadas para vivermos uma vida eterna com Cristo. Ele é o nosso verdadeiro lar. Somos estrangeiras e forasteiras em meio à sociedade em que vivemos, também por causa de nossa fé, que está firmada e alicerçada em Jesus, Senhor e Salvador de nossas vidas.

O fato de termos sido alcançadas por Cristo nos ajuda a ter uma perspectiva correta: a de que vivemos para Deus no presente e a de que viveremos para ele e com ele no futuro. Com toda certeza, isso nos motiva a viver um novo estilo de vida, transformado pelo Espírito Santo. O que não significa que alcançaremos a perfeição nesta vida, mas quer dizer que buscaremos a santificação, já que essa é a vontade do Deus de toda a graça para cada uma de nós. Da mesma forma, enfrentaremos lutas e provações em nossa peregrinação aqui além de problemas e aflições, mas a certeza de que o nosso verdadeiro lar é o Senhor Jesus Cristo nos ajuda a perseverar em fé mesmo em meio às crises e tempestades. Finalmente, podemos sim, pensar, planejar, sonhar e construir muitas coisas neste mundo aqui, mas sempre considerando que por meio da maravilhosa graça de Deus não pertencemos a este mundo, mas somos forasteiras e peregrinas em busca do nosso verdadeiro lar que é a vida eterna que está em Cristo Jesus.

 

Por: Cláudia Duarte mãe do Luis Fernando e Ana Cláudia, casada com o Pr. Fernando Duarte, professora do SESI, vice-diretora do ministério infantil da convenção Noroeste Paulista e congrega na igreja de Votuporanga/SP.