Sob nova direção na criação de filhos

Sob nova direção, qual direção mesmo? Você já entrou numa loja e teve a sensação de que, má-ra-vi-lho-sa! Trabalhar aqui, então, seria um sonho! E se tivesse a oportunidade de dar um feedback, com certeza diria: sei lá, o ambiente é diferente, o atendimento é diferenciado, a alegria dos funcionários é contagiante… Agora, vamos a outro ambiente: uma loja ultramoderna, móveis modernos, área externa exuberante, de dizer: pára tudo! Ao entrar, a primeira conversa é ríspida e sisuda: Pois não! Aguarde, por favor, te atendo em seguida.  Em pouco tempo você esquecerá a arquitetura e guardará uma má impressão do lugar, ou seja, ficará decepcionado. É a velha história da placa “sob nova direção”. Não é preciso esforçar-se muito para notar que o que faz a diferença nesses e em quaisquer outros ambientes são as pessoas. Nova Direção requer treinamento. Treinar significa preparar as pessoas para que elas tenham a percepção de si e do outro.

Em Provérbios 4.1-3 o sábio revela: Ouçam, amigos, estes são conselhos de pai. […] Os conselhos que dou a vocês são bons e muito importantes: não deixem entrar por um ouvido e sair pelo outro. Quando eu era garoto e ainda no colo do meu pai sendo o orgulho e a alegria da minha mãe, com paciência ele me ensinava: guarde isto no coração.

A maioria de nós, temos consciência de que estamos longe de sermos pais perfeitos. Também nos entristecemos por não termos filhos perfeitos. E essa “obrigação” de criar bons filhos nos sufoca cada dia. Parte o coração ver filhos de lares cristãos se rebelando, desviando-se da fé, e pais desesperados, sem saberem o que fazer.  Num intuito de acertar, optam pelo externo – resultado imediato – daí, sobram adornos e faltam princípios. Esquecemo-nos de que, de fato, eles precisam de um Salvador que ofereça perdão e transformação completa.

Elyse Fitzpatrick e Jéssica Thompson, em seu livro Pais fracos, Deus forte, afirmam que muitas maneiras pelas quais tentamos tornar nossos filhos obedientes são simplesmente uma extensão da Lei – um conjunto de regras que é impotente para mudar, muito menos salvar, nossos filhos.

Como pais cristãos, precisamos refletir: a forma que estou criando meus filhos é cristã? Será que não está faltando contar-lhes sobre o Deus gracioso que, incondicionalmente, adota rebeldes e os transforma em filhos amorosos? O sábio continua seu conselho dizendo: […] se precisar, venda tudo e compre a sabedoria […] ela guarda sua vida. Ame-a, alcance-a, agarre-a com firmeza — acredite, você não se arrependerá (Pv.4.4-8).

Então, somente a graça basta para educar os filhos? Sabemos que, como pais responsáveis que somos, há certas coisas que devemos ensiná-los. Por exemplo, as obediências básicas: a obediência inicial – devem saber que o não pode salvar-lhes a vida -; a obediência social – aprender a serem corteses, a dizer “por favor”, “obrigado” -; a obediência cívica – tornarem cidadãos, cumprir as leis -; e a obediência religiosa – comportarem-se em ambiente religioso – sentar-se, ficar em silêncio, respeitar os consagrados. Não obstante, a salvação é do Senhor – ele é o Salvador. Não ignoremos o que o Espírito Santo pode fazer na vida dos nossos filhos.

Paul David Tripp declara: “Não podemos cair na armadilha de pedir à lei que faça no coração de nossos filhos o que somente a graça pode fazer; porque eles vão se armar de ameaças, manipulação e culpa, e tentar criar a mudança que somente a cruz de Cristo torna possível”[1]. O apóstolo Paulo nos aconselha a revestir do novo homem (Col 3.10). Não cometamos os mesmos erros dos nossos pais, impondo regras goela abaixo, tentando ‘forjar’ filhos “gentis”. Precisamos dar-nos essa oportunidade de mudança; colocar a placa de “Nova direção” com a direção de Jesus. Você vai se surpreender!

Pode ser que a criação de filhos gere medo e insegurança. O apóstolo Paulo nos orienta dizendo: o melhor que vocês têm a fazer é encher a mente e o pensamento com coisas verdadeiras, nobres, respeitáveis, autênticas, úteis, graciosas — o melhor, não o pior; o belo, não o feio. Coisas para elogiar, não para amaldiçoar […] Façam assim, e Deus, que é soberano, irá tornar real em vocês a mais excelente harmonia (Fl 4.8-9). Que essa nova direção na criação de filhos resulte em homens e mulheres, pais e mães, filhos e filhas, esposos e esposas transformados e aprovados, pra glória de Deus!

 

Por João Avelino dos Santos Junior é casado com Mirieli Santiago dos Santos e pai do Pedro Henrique e do Miguel; é licenciado em Letras-Espanhol, MBA em Gestão de Pessoas, formado no curso médio em Teologia pela Fatap, diácono, líder do louvor na segunda IAP em Jales.

[1] Paul David Tripp, Presidente do Ministério Paul Tripp