Obedecer ou Morrer…

 “Ouça ó Israel: o Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame ao Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas essas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre eles quando estiver sentado em sua casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” (Dt. 6: 4 a 7)

 

Talvez este seja um dos textos mais lembrados quando o assunto é educação cristã; muito familiar a todos os pais. É aí que mora o perigo. Familiar demais, talvez, pra ser avaliado e praticado na sua profundidade.

Acabo de voltar de uma caminhada e algo que aconteceu me inspirou a sentar e escrever este artigo. Apressada, já voltando pra casa, nem percebi uma família que vinha em sentido contrário, até que uma garotinha de, não mais que, três ou quatro aninhos, me ofereceu um livro. Uma meninazinha linda. Disse-me, na sua linguagem quase de bebê: _“Um presente de Deus, de Jesus, pra você”. Abaixei-me pra abraçá-la e agradecer quando vi o rosto de um pai, super jovem, segurando outro filhinho pela mão. Vi uma alegria indescritível em seu rosto.

Agradeci a Deus pelo presente e pela esperança renovada. Enquanto existirem pais como esse, haverá corações que verdadeiramente amem ao único Senhor.

Estamos em ritmo de proclamação. Não dá pra deixar de pensar nas próximas gerações de proclamadores. O Pastor John M. Drescher, em seu livro “Passando aos filhos a tocha da fé” (Ed. Mundo Cristão – 1998) inicia com essas palavras: “Basta uma geração sem Deus para chegarmos ao paganismo. Se uma geração deixar de transmitir a fé para a seguinte, esta não reconhecerá a Deus e viverá na ignorância da Sua vontade. É justamente o que acontecerá… se permitirmos”.

Nossos filhos só chegarão, na sua vida cristã, até onde os levarmos. E aqui, levarmos, literalmente, significa: fazer-se acompanhar, guiar, dirigir, orientar, governar… sem faltar os verbos transmitir, comportar-se, portar-se (Novo Dicionário Aurélio). Essa é a definição de conduzir.

Não é raro nos dias de hoje, nos depararmos com pais que passam longe de obedecer essa ordem divina. A cada final de dia, de semana, mais pais, mais mães, desabam nos seus sofás, exaustos, literalmente “apagados” antes do primeiro comercial da TV. O santo sábado do Senhor os encontra em total “apagão” físico, mental, e o que é mais lamentável, espiritual. Alguns com muito esforço conseguem reunir a família para receber, junto ao altar familiar, as infalíveis bênçãos do sábado em suas vidas, inclusive a do descanso tão desejado.

Outros não conseguem sequer chegar a tempo para a Escola Bíblica e os filhos vão direto para o templo com vergonha de chegar atrasados em suas salas. Outros, é triste demais, só vão para os eventos de final de tarde. Para esses filhos, a igreja acaba por virar um clube. E vidas, pais, filhos, famílias inteiras, vão caminhando vazias, tristes, amargas, sem fruto de adoração para oferecer Àquele que professam ser o seu único Senhor. Há os que justificam tal rotina de exaustão, é o desejo de oferecer uma vida melhor para os filhos. Há também os que se sobrecarregam no serviço do Reino e Deus conhece suas sinceras intenções.

A verdade é que doenças físicas, emocionais e espirituais, antecedendo a morte, também com seus diversos “ais” tem rondado muitos lares de cristãos muito bem intencionados.

Querida irmã, mãe, quanto tempo faz que você não vê aquela potente luz de Cristo iluminando sua casa, seus filhos, através da sua vida devocional constante e diária?

Há quanto tempo você não troca a TV, o computador, o celular do seu filho, por aquele colo gostoso regado a lindas histórias bíblicas, ou aquela conversa sentada na cama de sua linda “quase uma mulher” ou mesmo no chão do seu tão bem decorado quarto (fruto da sua árdua dupla jornada)? Conversa adiada há tempos. Como ela cresceu!

Há quanto tempo você não convida seu filho mais velho para dar uma caminhada, conversar sobre a faculdade, trabalho, namoro, e principalmente para compartilhar suas experiências com Deus, hoje, de igual para igual?

Eles precisam ver esse brilho nos seus olhos e sentirem o calor que vem do seu coração quando lhes fala do amor de Deus cada dia, para sobreviverem, para não morrerem… um pouquinho cada dia, sozinhos em meio a tantas coisas, e tão vazios, tão sem nada. Muitas vezes, tão sem Deus, o que é mais triste.

Querida amiga, antes de encerrar suas atividades diárias, peça a Deus, que no dia seguinte as palavras que Ele lhe ordenar estejam em seu coração para serem o tema das suas conversas com seus filhos, sentados em sua casa, andando pelo caminho, deitando à noite e levantando-se no outro dia. Tudo regado a muita luz da Palavra de Deus, iluminando até os mais íntimos “aposentos” da alma, muito brilho nos seus olhos de mãe obediente a Deus e muito calor irradiado de um coração habitado pelo Espírito Santo. Que Deus a abençoe.

Dsa. Marta Olívia de Oliveira Santos – Dep. Evangelismo Fesofap – IAP Brás Cubas, Mogi das Cruzes – SP