Não há o que pagar

Confessamos nossa total dependência de Deus; reconhecemos que ele nos escolheu, sem que tivéssemos coisa alguma a lhe oferecer; cremos que tudo é dele, por meio dele e para ele; mas percebemos, dentro de nós, uma desagradável insatisfação, quando deparamos com nossa incapacidade de preencher seus nobres requisitos (Sl 24.3-4) e pagar por um lugar junto dele.

Essa insatisfação sempre nos perseguirá nesta vida, porque nossa natureza nos faz ávidos por méritos, porque oferecer e aceitar favores não são especialidades humanas. Então, mesmo quando confessamos que não merecemos o amor de Deus, gostaríamos, na verdade, de ser dignos dessa graça. Mas é contra o nosso orgulho que Deus nos prefere indignos. Ele é grandioso demais para que o mereçamos.

Deus nos ama, e não há o que mude isso! Ele decidiu dispensar qualquer mérito que lhe apresentemos, para ser tudo em nós. Portanto, não há o que pagar, porque não se paga o impagável. É só descansando na suficiência do amor de Deus que conseguiremos superar nosso desejo de merecê-lo.

Eudoxiana Canto Melo