Leia mais: Tensão Pré-Menstrual

Incômodo presente em cerca de 80% das mulheres, a TPM pode ser amenizada com tratamento adequado

As mulheres sofrem alterações nos níveis hormonais diariamente, podendo ter o humor um pouco alterado em função disso. Mas quando falamos de Tensão Pré-Menstrual, referimo-nos ao pior momento do mês. É aquele período em que a mulher segura o mau humor no trabalho – quando consegue – para explodir em casa. Aí, sobra para todo mundo!

Por isso, acredito ser um tema que interessa tanto às mulheres quanto aos homens, pois todos sofrem com a TPM. Mas, porque tem de ser assim? Por que as mulheres são tão complicadas?

As mulheres são complicadas, mesmo! Os homens são bem mais simples. Mas, a boa notícia é que não precisamos sofrer tanto com a TPM, nem com as mazelas que causa, pois hoje temos muitos tratamentos eficazes, quando individualizados para cada paciente.

De acordo com o protocolo publicado no Royal College of Obstetricians and  Gynaecologists1, a TPM é uma síndrome composta por manifestações físicas, emocionais e comportamentais que acomete mulheres em fase reprodutiva na ausência de doença orgânica ou mental que possa simular os sintomas.

Ela acomete entre 75 a 80% das mulheres, com grande variação no número, duração e gravidade dos sintomas2. Mulheres que apresentam sintomatologia mais severa são classificadas como portadoras de Distúrbio ou Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (DDPM)2.

A TPM acomete a mulher na fase lútea (após a ovulação) e desaparece durante a menstruação. Mais de 200 sintomas têm sido associados à TPM1, sendo que os mais comuns são:

  • Sintomas emocionais: humor deprimido, agressividade, irritabilidade, ansiedade e isolamento social ou falta de interesse em atividades do dia a dia;
  • Sintomas físicos: dor nas mamas, inchaço no corpo, dor de cabeça e alterações no padrão do sono e apetite.

Atividades físicas e chás

O diagnóstico da TPM é feito em casa pela própria paciente, que anota em um calendário, por pelo menos três meses consecutivos, os dias em que teve dor de cabeça ou se sentiu triste e chorosa e quando a menstruação começou. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras causas para os sintomas.

A partir daí, inicia-se uma avaliação da quantidade e gravidade dos sintomas para, então, se propor um tratamento adequado.

Atividade física, como caminhada, alimentação saudável e boas noites de sono são recomendadas para todas as mulheres, pois diminuem o estresse do dia a dia e, por consequência, diminuem a intensidade dos sintomas durante a TPM.

O uso de chás diuréticos (carqueja) ou calmantes (camomila, melissa) também estão indicados neste período, principalmente, se substituírem bebidas como café e refrigerantes. Porém, cuidado com os chás: alguns contêm níveis altos de cafeína, podendo aumentar a ansiedade.

As pacientes que mantêm sintomas leves, mesmo com a melhora do estilo de vida, podem se beneficiar com a prescrição de suplementos alimentares contendo:

  • Vitamina B6: por ser uma coenzima na biossíntese da dopamina e serotonina2;
  • Cálcio: a diminuição dos níveis de cálcio no sangue está associada à irritabilidade e a estados de agitação. Estudos demonstram que os níveis de cálcio no sangue se encontram mais baixos antes da menstruação3;
  • Magnésio: mulheres com TPM têm baixos níveis desse mineral em algumas células do sangue3, sendo que a sua reposição traz benefícios na diminuição da retenção hídrica (inchaços).

Porém, mais estudos de boa qualidade metodológica são necessários para se determinar a real eficácia desses regimes terapêuticos2.

Os fitoterápicos também têm seu papel na melhora dos sintomas de mulheres com TPM leve, com relativo sucesso, mas sempre sendo necessária uma prescrição criteriosa. Entre eles, temos:

  • Óleo de Prímula: é rico em ácido graxo essencial, podendo diminuir a dor nas mamas e a irritabilidade3;
  • Vitex agnus-castus: arbusto originário da região mediterrânea, com ação moduladora na secreção de prolactina e demonstrou ser eficaz na melhora dos sintomas2.

As pacientes que não se beneficiam com essas terapias por ter sintomas mais acentuados podem ser tratadas com anticoncepcionais contendo estrógeno e progesterona. Os contraceptivos são muito eficazes tanto na obtenção do alívio dos sintomas quanto na prevenção da reincidência4, mesmo que usados em pacientes que não necessitam de contracepção. A prescrição dos contraceptivos hormonais segue sempre as recomendações de elegibilidade dos mesmos, segundo a Organização Mundial de Saúde2, não sendo aconselhável a utilização sem acompanhamento médico.

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, os quais incluem a fluoxetina, paroxetina, sertralina e outros, são atualmente considerados a classe farmacológica mais eficaz no tratamento dos sintomas leves relacionados à TPM, bem como a forma mais severa, o DDPM2. Apesar de ser a primeira linha de tratamento, devem ser utilizados com cautela e em pacientes selecionadas, devido à possibilidade de efeitos colaterais.

Há ainda outros tratamentos como ansiolíticos, diuréticos, androgênios, DIU-Mirena e análogos de GnRH, que também demonstram ser úteis. O importante é entender que devem ser levados em conta dois princípios básicos na escolha do tratamento: o custo dos efeitos adversos e a adaptação à gravidade dos sintomas2. Portanto, o tratamento sempre deve ser individualizado e acompanhado de perto por seu ginecologista.

Por: Claudia Falcão na edição 64 da Revista O Clarim

Nenhum comentário

Comentários estão desativados