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Como duas adolescentes estão impactando a escola onde estudam, cumprindo a grande missão de Cristo

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Foi a Palavra que ecoou no coração de duas jovens de 16 anos após participarem da Convenção da Fumap (Federação Nacional das Uniões da Mocidade Adventista da Promessa), em julho de 2015. Íris Gonçalves Ferreira e Alícia de Souza Viana, ambas da IAP em Santo Amaro (São Paulo, SP), relataram que tiveram um verdadeiro encontro com Deus no evento e voltaram com uma enorme disposição para falar do seu amor.

“A gente precisava falar de Deus para as pessoas, mas não sabia de que forma. Aí conhecemos o Pequeno Grupo e tudo começou”, conta Íris. Elas decidiram que estudariam a lição bíblica da IAP durante o intervalo das aulas, no colégio. Foi assim, que no dia 4 de agosto de 2015, nasceu o PG (Pequeno Grupo) formado pela dupla.

Na primeira semana, já receberam quatro colegas. Na terceira semana do projeto, conheceram outra garota que também estava estudando a Bíblia com alguns colegas e decidiram juntar os grupos. Assim, passaram a se reunir na secretaria do colégio, durante o intervalo, mas o espaço ficou pequeno. A essa altura, cerca de 40 pessoas frequentavam o PG e um professor ofereceu a sua sala de aula para o grupo. Eles conseguiram também o violão do colégio para os louvores.

Mas as líderes entenderam que dentro da sala, o PG ficava “escondido” dos demais alunos. Foram para um corredor próximo à cantina, onde permanecem até hoje. O PG acontece de segunda à sexta-feira. Dividiram os dias da semana por temas: um dia para louvores, outro para oração, dois para estudos e um para bate-papo. Íris diz que todo medo é bobagem comparado à alegria de ver jovens conhecendo o Senhor. “Pessoas que não acreditavam mais em Deus, que até tinham raiva dele, estão pregando sobre Ele. Vimos pessoas mudarem o relacionamento com suas famílias, depois de começarem a frequentar o PG”, conta Íris.

A aluna Luana Andrade diz: “não pode ficar um dia sem ir ao PG”. Quando ela não vai para a escola, procura orar no mesmo horário do Grupo para não perder a comunhão. Giovana Alcântara disse que se encontrou com Deus durante as reuniões: “O PG, para mim, foi maravilhoso”. Íris testemunha que a mudança na vida de Giovana foi perceptível.

Outro aluno, William Almeida, também testemunha: “No dia em que eu conheci o PG, me senti em paz, pois nunca tinha tempo para Deus no colégio e isso melhorou minha relação com Ele”.

Um dos testemunhos mais marcantes é o da Larissa Barreto. Ela é portadora de uma enfermidade na pele que afastava as pessoas dela e a impedia de conseguir emprego. Estimulada pelo PG, fez um propósito com Deus de 40 dias de oração de madrugada. Dois dias antes do final, a bênção do emprego chegou! E como Deus tem bênçãos abundantes para seus filhos, pelo contato no trabalho, conseguiu o pagamento de todo seu tratamento médico! Quando pessoas chegam ao PG, Larissa sempre conta seu testemunho para edificar a fé dos novatos.

Para Alícia, um dos testemunhos mais emocionantes é da Ana Gabriela Rodrigues que se afastou da comunhão do Senhor e tinha até raiva de uma amiga, só porque ela lia a Bíblia. No primeiro dia em que foi ao PG, o tema foi “O Primeiro Amor” e Íris orou com ela. Gabi reatou seu compromisso com Deus, voltou para a igreja, se batizou, está pregando e fazendo vários vídeos sobre o que Deus fez em sua vida. Há pouco tempo, ela teve que sair de sua casa para morar com a avó, pois a mãe a proibiu de ir à igreja, mas isso não a impediu de prosseguir em sua fé.

Contudo, muitos espinhos surgiram nessa jornada. A maior dificuldade foram os próprios amigos. Alguns se afastaram, alegando que elas eram “fanáticas demais”. Tiveram que lidar também com um professor que costumava participar ape nas para distorcer o que elas falavam e colocá-las em situações difíceis. Em outra oportunidade, o Grêmio Estudantil quis abolir o PG. Os alunos cristãos iniciaram uma campanha de oração. “Não desistimos porque sabíamos do propósito de Deus”, afirma Alícia. Hoje, eles conseguem trabalhar em parceria.

Neste ano, em função do trabalho, Alícia teve que mudar de colégio e aquilo que poderia ser um problema, tornou-se uma nova oportunidade. Na nova escola, as dificuldades foram grandes. Ela conta que não conseguia identificar nenhuma pessoa que pudesse abordar. Pediu ao PG inicial que orasse em seu favor. E assim, com a mesma estratégia de abrir a Bíblia para estudar, nasceu um novo PG.

As duas líderes estão no terceiro ano do Ensino Médio e devem deixar suas escolas no final do ano. Mas Deus está levantando novos líderes, e há pessoas que já se disponibilizaram ao trabalho. As duas têm a mesma convicção: vão abrir PGs nas faculdades que frequentarem.

Laísla Paula da Silva, líder da dupla na igreja local, disse que o maior testemunho é a vida delas. Laísla destacou a disposição que elas tiveram em aprender mais da Bíblia para responder aos questionamentos e a seriedade nos jejuns e orações: “Espiritualmente, elas evoluíram muito. Para mim, o maior testemunho é ver como foram trabalhando o seu próprio caráter”. Apesar de tudo o que enfrentaram, a dupla foi contundente ao afirmar que valeu a pena: “O Pequeno Grupo é uma oportunidade de fazer missões.

As pessoas acham que fazer missões é só ir à África, mas há um jeito de fazer a diferença onde você estiver. Não podemos deixar para depois. Você que está no Ensino Médio ou na faculdade, dedique cinco minutos a Deus e faça a diferença!”, conclama Íris.

Fonte: Revista O Clarim edição 67 – páginas 28-30