Leia Mais: Meu filho tem autismo?

O autismo é um termo normalmente utilizado para descrever um grupo de transtornos do desenvolvimento infantil classificados pelo DSM-5 como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e engloba diversas síndromes como: Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, Síndrome de Kanner ou autismo clássico.

Esses transtornos são caracterizados por dificuldades na comunicação, na interação social, no uso da imaginação e nos comportamentos restritivos e repetitivos do indivíduo.

Durante muito tempo, a causa do autismo foi relacionada a rejeição ou frieza materna ou a condições familiares específicas. No entanto, com o passar do tempo, esta teoria foi abolida pelos pesquisadores.

Na verdade, o autismo não tem uma única causa definida. Alguns estudos sugerem que o autismo pode ter causa genética ou hereditária e também fatores ambientais que incluem complicações durante o nascimento, infecções maternas ou medicações utilizadas antes ou após o parto.

Avaliação multiprofissional

Não existem exames laboratoriais que façam o diagnóstico do autismo. Este é consolidado através de avaliações multiprofissionais (neuropediatra, psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo e pediatra), da observação direta do comportamento da criança e de entrevista com os pais ou responsáveis. É necessário que a criança apresente uma série de sinais e características para que seja diagnosticada com autismo.

O transtorno começa a se manifestar antes dos 12 meses de idade, porém, dificilmente os pais associam estes sinais a alguma alteração. Com o desenvolvimento, os pais começam a perceber que a criança não interage, não imita, não gosta de colo, não mantém contato visual, entre outras dificuldades. Os sintomas do autismo se mostram antes dos três anos de idade e não são um grupo fechado de sintomas, pois podem variar de indivíduo para indivíduo, dependendo do grau de comprometimento do autismo.

Quanto mais cedo o diagnóstico for confirmado e a criança iniciar o acompanhamento multidisciplinar, melhor será o seu desenvolvimento. Autismo não é doença e não tem cura. Uma criança que apresenta características autistas as manterá até a vida adulta. O desenvolvimento dessa criança dependerá muito da severidade dos sintomas que ela apresenta e do tipo de acompanhamento profissional que a criança receberá.

Entre os sinais mais comuns de autismo, pode-se destacar:

  • Ecolalia: repetição persistente de palavras ou frases.
  • Uso das pessoas como ferramentas para alcançar objetos ou realizar atividades.
  • Resistência a mudanças de rotina.
  • Dificuldade em relacionar-se com outras crianças.
  • Ausência de contato visual.
  • Ausência de resposta quando é chamado ou aparenta não ouvir direito.
  • Resistência ao aprender coisas novas.
  • Apego não apropriado a objetos como garrafas, utensílios domésticos, roupas etc.
  • Ausência de medo diante de perigos.
  • Manipulação de objetos de maneira peculiar e bizarra.
  • Risos e movimentos não apropriados e repetitivos.
  • Resistência ao contato físico.
  • Hiperatividade ou passividade acentuada.
  • Aparente insensibilidade à dor.

 

No entanto, a presença isolada de alguns destes sinais não significa que a criança seja portadora de autismo. Muitas vezes, os sintomas de autismo são confundidos com hiperatividade, Transtorno do Déficit de Atenção (TDA), retardo mental e até com deficiência auditiva. Somente a avaliação feita por especialistas é capaz de confirmar ou não o diagnóstico de autismo.

Caso seu filho apresente mais de quatro características das citadas acima, converse com seu pediatra, exponha suas dúvidas e peça um encaminhamento para o neurologista, psiquiatra, fonoaudiólogo ou psicólogo.

Eles são os profissionais mais indicados para tirar suas dúvidas. O acompanhamento do paciente é realizado pela equipe multidisciplinar de forma individualizada, para atender as necessidades de cada criança. Em alguns casos, a equipe médica pode indicar o uso de medicamentos para amenizar algum sintoma.

O importante é: sempre que notar algo diferente no desenvolvimento do seu filho ou surgir alguma dúvida, procure um profissional de saúde. Não deixe o tempo passar.

Fonte: Revista O Clarim – edição 66 – Págs. 60 à 62