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Afinal, qual é a missão do “sexo frágil”?

“Nasceu, nasceu! Menino ou menina?”

A vinda de um bebê é esperança renovada, expectativa de um futuro. Quando nascem, são todos iguais, mas ao crescerem, ouvimos: “Isso não é coisa que menina pode fazer”; “Aquilo é coisa que as meninas devem fazer”. O que Deus tinha em mente quando criou a mulher? Afinal, qual é a missão da mulher? O que vou compartilhar aqui não é uma palavra final, é só um início provocativo para uma reflexão entre nós.

Deus criou a mulher

Ao lermos o relato da criação de todas as coisas, incluindo o ser humano, encontramos algo bastante confortador: ao criar a humanidade – homem e mulher – Deus a criou à sua imagem, com reflexos de si mesmo e com parte do seu caráter e suas virtudes.

Deus criou a mulher, segundo o relato de Gênesis 2, como auxiliadora idônea para o homem, pois ele não podia ficar só. Para alguém que não podia ficar só e precisava de ajuda, ela seria extremamente necessária e imprescindível. Ser idônea nos transmite a ideia de alguém com capacidade, pelo menos equivalente, que pode exercer uma parte importante e específica das atividades junto ao outro ser criado, ou seja, pode alcançar o máximo do que era esperado para a dupla. Talvez até exercendo uma parte específica que o outro não poderia exercer, daí sua importância.

Homem e mulher criados à imagem de Deus são reflexo e expressão da vida em comunidade, tal como o Pai, Filho e Espírito Santo, o Deus Triúno. Como uma comunidade, homem e mulher podem, com esforços combinados, encarar o desafio da missão complexa dada por Deus que inclui ser fértil (criar em abundância), multiplicar, encher, subjugar e dominar a terra.

Quando Deus deu a bênção e a missão de “ser fértil, multiplicar, encher, subjugar e dominar” (Gn 1.28), não especificou qual parte cada um dos dois faria. De qualquer forma, estava implícito que a missão era para ambos. Fico imaginando que Deus visualizou cada qual cumprindo parte de um só propósito dele.

Pensando nos aspectos físicos, Deus criou a mulher com um organismo feito especialmente para gestar vidas. Depois de gerar, o corpo da mulher produz leite, alimento para nutrir e ajudar no crescimento sadio do bebê. No processo de amamentação, o bebê, aconchegado à sua mãe, recebe calor do corpo, alimento e afago tão necessários para sua sobrevivência. Gerar vida, cuidar, criar, acolher, aconchegar e nutrir são características peculiares e frequentes no universo feminino. Não seriam essas características indicativas de alguma missão para qual Deus criou a mulher? E, ao final da criação (Gn 1.31), Deus viu que tudo havia ficado muito bom!

Missão de Deus

Missão tem a ver com tarefa, encargo ou dever que alguém recebeu de outro e que tem que realizar, o que logo nos remete ao propósito ou razão de ser de todos nós aqui nesse mundo.

No Novo Testamento, Jesus deu uma tarefa ou uma missão a seus discípulos: “[…] Vão e façam discípulos de todas as nações” (Mt 28.18). Essa tarefa também é endereçada às mulheres, como suas discípulas.

A história da igreja, desde o seu início, relata sobre diversas mulheres que estiveram servindo a Deus em um encargo e que poderíamos, hoje, entender como missão. Dorcas era discípula. Lídia recebia uma igreja em sua casa. Priscila, ao lado de seu marido, Áquila, foi chamada por Paulo de cooperadora da igreja porque eles se reuniam em sua casa. Mulheres serviram a Deus como mães e avós (Maria, mãe de Jesus, Eunice, mãe de Timóteo, e Loide, sua avó), mesmo que esses trabalhos não tenham tanto glamour nem reconhecimento nos dias atuais.

Se expandirmos a nossa visão por toda a Bíblia, veremos mulheres que, em obediência ao Senhor, exerceram sua missão como profetizas (Mirian, Débora, Hulda), líderes espirituais do povo de Deus (Mirian), rainhas (Ester) ou juízas (Débora).

A empregada de Naamã, cujo nome nem sabemos, também serviu aos propósitos de Deus para levar a cura e o conhecimento de Deus àquele homem. Certamente, muitas donas de casa também exerceram, e exercem, a sua missão para Deus. Seja com títulos pomposos, em uma missão grandiosa aos olhos humanos, em lugares de visibilidade ou ainda, sem que soubéssemos os seus nomes, elas serviram aos propósitos de Deus. “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co 15.58).

A mulher e a missão

Na criação, vimos que a mulher recebeu de Deus uma mesma missão para assumir com o homem. Ao mesmo tempo, percebemos que Deus a contemplou com características próprias que tornam mais natural o desempenho de algumas tarefas, como a empatia com aqueles que sofrem; o acolhimento e cuidado; a atenção e as ações relativas aos vários sentidos de nutrição e doação de vida. É natural pensar que, primeiramente, Deus dará uma missão para alguém com base em características, dons ou habilidades que ele mesmo colocou nessa pessoa.

Algumas missões são específicas para as mulheres casadas ou mães. Mas, ainda que não se casem, elas contribuem para a missão do Senhor. Na Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, elas colaboram de forma diferente e interdependente para uma mesma missão. Quão enriquecida pode ser uma equipe onde existe a possibilidade de a mulher ajudar de forma específica, com as características especiais com que Deus a fez, para o cumprimento de uma só missão a serviço do Senhor!?

Vemos na Bíblia que Deus deu determinadas missões para diferentes mulheres. As mulheres cumpriram o propósito de Deus dentro das circunstâncias em que estavam inseridas. Vamos a dois exemplos. O primeiro, o de Mirian, que viveu no contexto da escravidão e participou da saída do povo do Egito. O segundo, o de Ester, que nas palavras de Mordecai: “Quem sabe senão foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?” (Et 4.14). Certamente, o Senhor, que é soberano, estava no controle de tudo para que ela chegasse à posição de rainha.

Por isso, acredito que a mulher, ao exercer a sua atividade profissional, em qualquer contexto, condição social ou estado civil, pode desempenhar bem o seu papel no Reino de Deus. A mulher que teme ao Senhor pode exercer a missão dada por ele com seus dons, talentos, características, capacidades e habilidades, onde quer que ele a direcione. Creio que Deus criou a mulher para fazer a sua vontade e ser a sua agente: onde ele a colocar, com os dons e talentos que ele lhe deu e do jeito que ele a fez. “Tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” (Cl 3.17).

O mais importante em relação à missão da mulher é o “sim” que ela pode oferecer ao Senhor. “Sim” para a disposição de obedecê-lo e assumir a missão que ele lhe deu. “Sim” para fazer o que Deus quer, como ele quer. “Sim” para ser sua representante, como por exemplo, em uma missão diplomática, onde Deus a colocar. “Sim” para assumir a missão, como uma agente com visibilidade e reconhecimento ou não. “Sim” para glorificar a Deus com tudo o que ele colocou em suas mãos. Então, você está pronta para dizer “sim” ao Senhor?

Fonte: A Revista O Clarim na edição 68 nas páginas de 7 a 10