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Uma das características inerentes das pessoas é a busca pelo conhecimento. Em todos os tempos e de muitas maneiras, o desejo de conhecer é a mola propulsora que faz o mundo evoluir e as pessoas modificarem-se. O conhecimento é precioso e útil, mas por ser temporal, se renova e cria necessidade de atualização constante. Aliado a aceleradas transformações sociais, ao volume de informações disponíveis e à facilidade de acesso, o conhecimento desafia a capacidade humana para assimilar tantos saberes e requer um esforço prolongado.

Talvez por isso, Salomão registrou que buscar o conhecimento é ocupação que Deus deu aos filhos dos homens para nela se exercitarem (Ec 1.13b). E que exercício duradouro! Não se esgota. Paulo Freire, um dos mais expressivos e influentes educadores, explica que todo conhecimento é inacabado e a incompletude do ser humano são próprios da experiência vital. Diz ele: “onde há vida, há inacabamento” (FREIRE, 1996, p. 50).

Portanto, na existência humana, há uma busca incessante por conhecimento, que pode ser satisfeita por uma educação que corresponda ao desejo de (re)conhecer a si mesmo, as suas escolhas e suas ações e o contexto em que vive. Esse conhecer é que dá ao indivíduo a condição de existir, de agir e intervir no mundo.

Embora se possam adquirir conhecimentos em qualquer lugar e em qualquer tempo, a escola ainda é o legítimo espaço de formação, de socialização das ciências e do saber. E o estudo é a ferramenta para esta aquisição.

Independente da escolaridade obrigatória, poucos ousariam discordar que estudar é importante. Uma pessoa bem instruída é protagonista de sua própria história, é capaz de transformar-se e transformar o seu contexto social.

O estudo é construtivo, criador de possibilidades e contribui para solidificar os conhecimentos significativos. Também guarda e conserva a aspiração, a esperança, o sonho. Dinamiza as relações interpessoais ao aproximar as pessoas e facilitar o encontro e o intercâmbio de diferentes vozes (dos autores, dos livros, dos conteúdos, dos professores, dos colegas).

Além do que, participar de atividades intelectuais e culturais, possibilita a atualização dos conhecimentos, o aumento da bagagem cultural, o aprendizado de coisas novas, o despertar de aptidões e a produção de significados e sentidos para a vida.

Isso explica a presença das instituições escolares na sociedade. Apesar de enfrentar profundas crises e frequentes críticas, essas instituições têm tomado um novo impulso e provocado uma profusão de oferta de cursos regulares e livres, fazendo surgir novas formas de ensino e implantando novas possibilidades de aprendizagem. Sofisticadas tecnologias de informação e comunicação têm sido utilizadas para implementar projetos educativos com acesso facilitado, como é o caso de cursos a distância em suas várias vertentes.

Além das instituições oficiais, com ou sem a parceria delas, atualmente há uma multiplicidade de outros segmentos sociais como centros culturais e recreativos, bibliotecas, fundações, empresas, ONGs, que são agentes de educação e promotoras de formação.

Ao oferecer um serviço de ampliação das oportunidades educativas, estas instituições abrem “muitas portas” a um público heterogêneo com histórias de vida e experiências educativas diversas que queiram voltar a estudar e obter a satisfação pessoal que o saber proporciona.

Soma-se ao fato de que antigas suposições que impunham um limite para aprender foram superadas, especialmente pelos estudos da Psicologia e, mais recentemente, pela Neurociência.

Estas ciências procuram mostrar que idade ou prazos para aprender não podem ser fixados, ocorrem ao longo da vida; reconhecendo que pessoas em idade madura também podem continuar estudando e aprendendo enquanto for possível.

Universidades Abertas à Terceira Idade

Uma das iniciativas oferecidas ao público da terceira idade que vem crescendo nos últimos anos e com bons resultados são as Universidades Abertas à Terceira Idade (UnATIs). São projetos educativos vinculados às universidades públicas e privadas que oferecem cursos de diferentes categorias, desenvolvendo ações que valorizam as pessoas mais vividas.

Um novo olhar sobre a educação na terceira idade, publicado no portal www.aterceiraidade.com explica o surgimento da UnATI na França, como uma iniciativa de oferecer educação a adultos maduros e idosos.

No Brasil, a implantação se deu a partir da década de 90, e atualmente estão presentes em diversas instituições, promovendo atividades educativas e socioculturais ao público.

Nesses espaços educativos diferenciados, os usuários dedicam-se a uma área de interesse, trocam informações e experiências e também podem interagir com os mais jovens. Cada geração ganha com o convívio benéfico e um clima acolhedor e respeitoso.

As conhecidas frases “nunca é tarde para aprender” ou “nunca é tarde para estudar” fazem cada vez mais sentido e são franqueadas a todos. Os caminhos para a educação permanente estão abertos.

Basta tomar uma decisão corajosa, aproveitar os tempos de aprendizagem e as oportunidades de acesso ao conhecimento.

Dsa. Zilda Rossi congrega na Igreja Adventista da Promessa em Jaguapitã e Apucarana (PR) e é pedagoga.