Leia Mais: Domínio Próprio

O estilo de vida da mulher cristã

Por: Ms. Marlene da Silva Mendonça

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1.26-28). Ele deu ao homem o poder de dominar todos os seres criados que viviam na terra, na água e nos ares. Isso é tão real que o homem faz um animal selvagem sujeitar-se às suas ordens. Porém, que natureza é essa, do homem racional, que consegue dominar um animal selvagem e não consegue dominar-se?

É possível, sim, controlar o homem interior, como está escrito em Romanos 6.14a: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós…”. A vontade é uma escolha deliberada de um ser autoconsciente, que tem a opção de acionar o botão “self-control” (autodomínio) da consciência e não medir esforços para renunciar os hábitos antigos e subjugar sua própria vontade. Nesse propósito, temos uma ajuda sobrenatural. Jesus veio para organizar a natureza do homem. Só ele pode transformar essa natureza para opor-se a todas as suas tendências más.

No original grego, domínio próprio é “egkrateia”, que traduzido é: autocontrole, autodisciplina do cristão, controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões (1Co7.9). Segundo o dicionário Aurélio, domínio é o poder de controlar-se, ter domínio de si, controlar suas próprias emoções. Entendemos, então, que temos domínio próprio quando somos capacitadas a controlar ou governar nossos desejos mais profundos.

O apóstolo Paulo escreveu em Gálatas 5.25: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”. O Espírito Santo produz frutos (Gl5. 22-25). Fruto é resultado, consequência. A Bíblia lista os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.Este último não é fácil ser produzido no ser humano.  Esse fruto no homem é a restauração da imagem de Deus. É a vestimenta do caráter de Deus. É o divórcio das obras da carne e o casamento com Cristo. É andar controlada e dirigida por Deus.

É ter controle sobre os impulsos da carne (prostituição, adultério, desejos desenfreados, glutonaria); controle do sentimento, das emoções e das atitudes; controle da língua (Tg 3.1-12; Ef 4.29; 5.4); autodomínio da mente (Fl 4.8), controle do uso do tempo (1Co 10.23; 1 Ts 5.6-8), entre outros aspectos.

Exemplos bíblicos

O salmista Davi era um homem segundo o coração de Deus, porém olhou e deu atenção ao pecado, não conteve seus impulsos e caiu. Da mesma forma,Sansão tinha o Espírito de Deus e autorização de Deus para reinar sobre Israel. Desprovido do fruto “domínio próprio”, e por não dar ouvidos à voz de Deus, também caiu.

Por outro lado, o profeta Daniel escolheu não se contaminar com as iguarias da mesa do rei. Foi obediente a Deus e conseguiu manter-se puro (Dn1.8). José do Egito escolheu não ceder à concupiscência da carne e não se deitou com a mulher de Potifar, mesmo que isso tenha lhe custado uma prisão injusta. Daniel e José tinham o fruto do Espírito dentro de si.

Podemos destacar as consequências de cada escolha. A respeito da casa de Davi, disse Deus: “A espada jamais se apartará da sua casa” (2Sm 12.10). Incesto e assassinato na família foram algumas das consequências. Sansão acabou cego e morreu por suas próprias mãos. Daniel manteve a imagem de Deus nele, deixando-nos um grande exemplo de que ter domínio próprio é um estilo de vida, é viver de modo a agradar a Deus. Da mesma forma, José passou por tristeza pungente, padeceu aflições, porém o seu estilo de vida mudou totalmente sua sorte. Como resultado, a presença do fruto “self-control” na vida de José não permitiu que ele se vingasse de seus irmãos.

 

Você tem o fruto do Espírito “Domínio Próprio”?

Identifique através de uma autoanálise. O Espírito Santo tem dominado seus pensamentos, sentimentos, emoções, ira, apetites da carne, ou seja, sua própria vontade? Quando você é afrontada, provocada ou passa por alguma dificuldade, tribulação, enfermidade, enfim, no dia a dia, como você reage? O que as pessoas mais próximas de você dizem? Por acaso comentam que você é descontrolada, estressada e que ofende as pessoas? Sua reação tem afastado pessoas que você ama e que amam você? Seu mau humor e grosseria têm afastado amigos e você fica triste quando acontece isso? Se você não consegue controlar suas reações, impaciência, ansiedade, prepotência, orgulho, maus pensamentos e não consegue esperar pela orientação ou pela ação do Pai, humilhe-se, renda-se a Jesus e o fruto do Espírito Santo habitará em você.

Querida leitora, Deus quer que você seja controlada por ele. Sua vida não será mais a mesma. Seus relacionamentos não serão mais os mesmos em casa, na igreja, no trabalho, enfim, por onde você passar deixará a marca de Cristo porque anda no Espírito e é guiada por ele. Seu maior desafio é aprender a conter-se diante das adversidades; apesar delas provocarem ira, não peque.

Guarde o seu coração em Deus, o que, de acordo com Provérbios 4. 24 a 26,significa: guardar sua boca (v. 24); guardar seus olhos (v. 25) e ter cuidado com suas atitudes (v. 26).

O fruto do Espírito é a semente de Deus em nós. O fruto do Espírito é a revelação do amor de Deus em nós e através de nós.

A vida de Cristo agora é manifestada pelo fruto do Espírito. O ministério de Cristo é efetuado pelo fruto do Espírito. Os seguidores de Cristo são abençoados e refletem o caráter de Deus a todas as pessoas do seu convívio. Portanto, entende-se que esse fruto é extremamente necessário para ter uma vida saudável com Deus, com o próximo e consigo mesma. Assim sendo, suas paixões e fraquezas estarão crucificadas com Cristo. Crucificar para sempre a carne é não retirar os pregos da santidade, da fidelidade, do amor e da coerência. Em Lucas 21. 34-36 (Bíblia “A Mensagem”), lemos: “Fiquem atentos. Não permitam que a esperança de vocês se perca na roda viva das festas, bebidas e compras. Senão, aquele dia pegará vocês de surpresa. Como uma armadilha, pois virá para todos, em toda parte e de uma vez. Por isso, não durmam no ponto. Orem sempre a fim de terem força e sabedoria para encarar a situação e permanecerem firmes na presença do Filho do Homem.”

 

Fonte: Revista O clarim, edição 63, págs. 09-12

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